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Crítica

A incrível trajetória de Shangela

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Durante a temporada de premiações desse ano se teve uma figura que marcou presença em praticamente todos eventos foi nossa amada Shangela Laquifa Wadley, desde o Globo de Ouro até o Oscar lá esteve a dona do bordão Halleloo transbordando todo seu carisma e presença nos tapetes vermelho. Para nós que acompanhamos sua carreira nos últimos dez anos ver tamanha evolução é um dos maiores presentes que Drag Race poderia ter nos dado.

Então vamos recapitular sua trajetória… Como tudo começou!

Foto promocional de Shangela para a 2ª temporada de Drag Race.

Nosso primeiro contato com a rainha foi lá em 2010, quando ela adentrou a sala de trabalhos da segunda temporada de RuPaul’s Drag Race. Shangela já chegou afirmando que tinha menos de 6 meses de vida como queen, e isso era notável em sua maquiagem básica e look simplório. Contudo o que nos arrebatou na queen foi seu carisma imenso e força de vontade. Mesmo ao lado de drags tão polidas e experientes (como Pandora Boxx, Raven e Tyra Sanchez), Laquifa não deixou se abalar… Porém seu carisma não foi suficiente para mantê-la na corrida e a perdemos já no episódio de estreia, após enfrentar a falecida Sahara Davenport numa dublagem que mais parecia uma luta livre.

Um ano se passou e então estreou a terceira temporada de Drag Race (2011) e RuPaul nos apresentou um dos primeiros plot twists mais incríveis do seu show: o retorno supresa de Shangela dentro de uma grande caixa. Se para a gente foi um choque, imagina para as rainhas que estavam ali na competição e já tinham visto o desempenho da sister no ano anterior? A princípio Laquifa foi recebida com incredulidade e muita resistência:

“O que ela está fazendo aqui? Ela já teve sua chance!”

Ou então…

“Ela não aprendeu nada com a S2? Continua fraca!”

Mesmo contra as baixas expectativas do público incrédulo e das sisters implicantes, Shangela provou seu valor indo longe na competição. Mas para isso houve muito barraco e enfrentamento.

Quem não lembra do Untucked em que Mimi Imfurst acusou Shangela de ter um sugar daddy que bancava sua Drag e como resultado tivemos um dos barracos mais memoráveis da história de Drag Race e da TV americana?

“Calma aí, vamos esclarecer as coisas já que você quer me gongar. Eu não tenho um sugar daddy, queridinha. Tudo que eu tenho, eu trabalhei duro para conseguir e eu mesma me construí, então eu preciso que você saiba disso 100%. Eu não tenho um sugar daddy, eu nunca tive sugar daddy, se eu quisesse um sugar daddy, sim, eu provavelmente conseguiria um, por que eu sou o que? SICKNING! Você nunca poderia ter um sugar daddy, porque você não é esse tipo de garota. Meu bem, tudo que eu tenho, eu trabalhei para conquistar por conta própria. Eu me construí a partir do zero… VADIA!”

E esse barraco teve desdobramentos seríssimos que fecharam a produção da S3 por várias semanas (leia aqui).

Contudo, Mimi foi a menor das dores de cabeça de Shangela. Seu grande desafio era conviver com o grupo das Heathers, composto por Carmen Carrera, Delta Work, Manila Luzon e Raja. O quarteto que se achava o melhor da S3 vivia implicando com Shangela, subestimando e desmerecendo sua Drag em toda oportunidade que tinha. Mas aí que passamos a conhecer o outro lado de Shangela não tão bobinha como imaginávamos. A rainha não foi uma concorrente apática contra as Heathers, ela era a única, de fato, que enfrentava as quatro sem medo. E quando teve o poder em suas mãos, tramou contra elas.

Heathers: Manila Luzon, Raja, Delta Work e Carmen Carrera.

Quem lembra do desafio de comédia que Shangela teve o poder de escolher as ordens das apresentações e fez com que Delta e Manila caíssem no bottom 2, resultando na eliminação de Delta? Aquilo foi incrível e mostrou como Shangela também é maquiavélica.

Em outro momento, Shangela durante um desafio musical, manipulou Carmen para que ela conseguisse sair com o estilo de musica que queria (reggae). Shangela não foi bem no desafio, acabou caindo com a própria Carrera no bottom 2, mas Laquifa arrasou na dublagem e mandou outra Heather para casa.

Nessa altura da S3 eu já estava ansioso para ver quem seria a próxima Heather que Shangela derrubaria, mas dessa vez sobraram as mais fortes da competição, Manila e Raja, as chances da queen de sair vitoriosa eram bem poucas. E preciso ser sincero, Shangela ainda tinha muito que evoluir, sua maquiagem ainda era fraca em comparação as outras e seus looks muito duvidosos. Então quando caiu no bottom contra Alexis Mateo, Shangela acabou levando sashay away.

Como eu sofri, vendo minha queen favorita de todas ser eliminada, depois de ter nos proporcionado tanta diversão. E assim como diria Naomi Smalls, “A vida não é justa”. Então a S3 acabou e coroou Raja como campeã. E no Reunited pudemos entender um pouco da birra de Raja com Shangela, a campeã achava que a sister era muito nova ainda com sua Drag, e que ela deveria ter mais experiência antes de tentar a sorte no show, tirando a vaga de alguém que merecesse mais. Além disso Raja revelou que conhecia Shangela previamente, e que a ajudou a se montar para a reunião da S2, emprestando uma peruca que Shangela devolveu praticamente destruída. Enfim drama, drama e mais drama. O que amamos em Drag Race.

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All Stars 3

Aí chegamos na quarta temporada (2012) e RuPaul trouxe Shangela mais uma vez para a competição dentro duma caixa! Eu celebrei MUITO!! Mas as Queens não gostaram nenhum pouco e mama Ru revelou que era só uma brincadeira, e mandou Shangela embora com uma frase do tipo, “adeus, vai-te embora ninguém te adora”… To brincando, não foi bem assim, mas se fosse, “who cares?”.

Então fora de Drag Race vimos Shangela conquistar seu espaço no mundo do entretenimento, lançando musicas divertidíssimas como “WERQIN’ GIRL”.

Ou até mesmo fazendo aparições em séries consagradas como Glee.

A partir disso vimos que o destino de Shangela era ser grande e era só questão de tempo ela ter todo reconhecimento que merecia. Mas confesso que ainda tinha esperança de vê-la com sua coroa de Drag Race.

Então o elenco do All Stars 3 foi anunciado e dentre as queens figurava Shangela. O fandom foi a loucura, “finalmente Shangela vai ganhar sua merecida coroa”. E nisso acreditamos por quase todo AS3.

Shangela voltou com tudo para a competição. Suas habilidades de maquiagem melhoraram muito e seus looks eram incríveis. Seu talento para o humor estava ainda mais afiado. E o carisma que nos fez apaixonar por ela não tinha mudado nada.

Era consenso entre os fãs do show que se BenDeLaCreme não vencesse a temporada, Shangela que levaria a coroa. Tanto que a rainha foi ovacionada quando passou pelo Brasil em fevereiro de 2018, sendo chamada de Winner por toda plateia que compareceu na Werq The World em São Paulo (leia aqui).

Entretanto nossos planos de ver Shangela coroada foram cancelados, quando enfiaram aquele péssima reviravolta de voto de júri na final do AS3 que tirou Shangela do top2.

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Pós Drag Race: Oscar e Beyonce

Bem, nessa altura tudo parecia perdido para a queen… mas só dentro de Drag Race mesmo. Shangela continuou trabalhando e foram aparecendo oportunidades incríveis para ela. A queen fez a maior turnê mundial que uma RuGirl realizou até hoje, visitando 180 cidades diferentes mundo a fora (leia aqui). Shangela também fez participação especial numa música do recente álbum de Ariana Grande, thank u, next, falando a frase de abertura da trilha NASA.

Contudo, uma das maiores oportunidades de Laquifa foi a participação no filme de Lady Gaga e Bradley Cooper, A Star Is Born. Shangela, assim como Willam, foi muito elogiada por sua participação. Daí em diante Laquifa virou a nova queridinha dos EUA, tendo varias reportagens especiais sobre ela em portais de notícias e programas de TV. Então foi natural que Lady Gaga arrastasse Shangela consigo para varias premiações que seu filme estava concorrendo. E Shangela fez bonito, sempre aparecendo montada nos tapetes vermelhos e esbanjando simpatia.

O auge foi sua participação surpresa no Spirit Awards, em que fez uma divertida apresentação musical para as celebridades presentes (leia aqui).

Jenifer Lewis e Shangela no tapete vermelho do Oscar 2019.

Aí chegamos na noite mais aguardada do cinema (leia aqui), o Oscar 2019. Shangela agraciou o evento com sua presença ao lado de Jenifer Lewis. E quando nossa amada rainha apareceu no tapete vermelho só pudemos celebrar e muito, pois vê-la alçar vôos tão altos nos deixa muito orgulhosos, por tudo que ela viveu, por toda sua evolução que acompanhamos de perto!

E não parou por aí, pois Shangela, na noite de 28 de março, apresentou um medley de músicas de Beyonce na frente da própria diva, no GLAAD Awards (leia aqui), sendo aclamada de pé por todos presentes, incluindo Queen Bey. Uma lenda reconhece outra, não é mesmo?

Shangela agradece sua jornada

Na minha PRIMEIRA performance drag como Shangela, eu apresentei “Single Ladies” de Beyonce. Dez anos depois, fui abençoado em homenagear a verdadeira BEYONCE em uma performance de tributo completa. Eu não posso expressar o quanto estou grata por este momento. Tem sido uma jornada e tanto, certo? Eu aprecio vocês ficarem ao meu lado e espero que vocês continuem inspirados em correr atrás de seus sonhos! Não há um caminho certo… você só tem que pensar positivo e TRABALHAR para que você esteja pronto quando chegar o momento de brilhar. Obrigada GLAAD por uma noite mágica, obrigada a todos os meus amigos que contribuíram com seu talento, e agradeço a Beyoncé e Jay Z por suas lindas palavras de amor e união. O futuro parece poderoso e brilhante ☀️

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Por que Shangela nos fascina tanto?

Eu ouso falar que além de todo carisma que ela transborda, Shangela tem a trajetória de superação que a gente ama e se identifica. Uma pessoa que veio do nada que sempre se jogou nas oportunidades que lhe apareceram e hoje posa ao lado de grandes figuras do mundo do entretenimento.

Seja ao lado de Bradley Cooper, Jenifer Lewis, Lady Gaga, Ariana Grande ou Beyonce, Shangela provou que há um imenso mundo além de Drag Race, basta a rainha se aventurar e tentar a sorte. Perder Drag Race não é sinônimo de fracasso. O show é uma plataforma e cabe às queens usá-la da melhor forma possível, assim como Shangela tem feito.

Além disso, seus passos tem sido muito importantes para abrir portas para que outras drags, de RuPaul ou não, consigam brilhar no showbizz e mostrar seu talento para uma audiência maior e mais popular. Afinal Shangela é a prova viva de que drag queens podem tudo. São artistas incríveis que não cabem em caixinhas do que podem ou não fazer. Então a Shangela eu dedico minha eterna admiração e gratidão, por ser uma incrível representante LGBT que tem levado a arte Drag para lugares que antes não tinha tamanha visibilidade. Halleloo!

Para mim a lição que fica da vida de Shangela não é sobre meritocracia, pois antes de ser uma drag queen, a rainha é um homem negro gay que atende pelo nome de Darius Jeremy Pierce. E sabemos muito bem como na nossa sociedade racista esse papo de meritocracia é pura falácia, ainda mais para uma pessoa negra que precisa trabalhar dez vezes mais que uma pessoa branca para ter o mínimo de reconhecimento. A trajetória de Shangela é sobre perseverança e acreditar em si mesmo. Por mais que a vida lhe diga não, precisamos acreditar em nós mesmos e continuar dizendo SIM para nossos projetos e sonhos, pois um dia quem sabe, conquistamos tudo que desejamos!

Shangela no lançamento de A Star Is Born em Londres.

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Saullete é preto, gay e comunicólogo que criou a Draglicious com o intuito de compartilhar com outros fãs seu amor pela arte drag e por Drag Race. Além de informar e entreter seu público, Saullete levanta discussões relevantes para amantes da arte drag e para a comunidade LGBT.

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Babados

Miss Fame expõe Justin Bieber por explorar artistas LGBTs

“Se você solicitar meus serviços, pague meu cachê. Eu tenho contas a pagar”, Miss Fame criticou a equipe de Justin Bieber e a indústria no geral por explorarem a mão de obra de artistas LGBTs, não os pagando de forma justa.

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Depois de receber uma oferta para aparecer em um novo videoclipe da equipe de Justin Bieber, Miss Fame que é famosa por suas habilidades maquiagem está se impondo e enviando uma mensagem para a indústria do entretenimento em geral: nos abordem de forma justa ou nem se deem ao trabalho.

Miss Fame, que passou pela S7 de RuPaul’s Drag Race, usou seus stories no Instagram (em 13 de novembro) para expor publicamente Justin Bieber e sua equipe por uma tentativa preguiçosa de conseguir “pinkmoney”, sem realmente investir em artistas LGBTQ+.

A rainha começou postando uma captura de tela de uma conversa entre o que parece ser a equipe de Bieber e a dela sobre as filmagens de um novo videoclipe para o cantor em Los Angeles.

O e-mail afirma que a equipe de Bieber estava disposta a pagar apenas 500 dólares – que a Miss Fame aponta não ser suficiente para cobrir o custo de seu voo – para que ela aparecesse no novo vídeo. Eles afirmam que ela seria a única drag queen a aparecer no vídeo imediatamente após uma declaração sobre ter uma rainha como segunda opção.

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Os dois stories de Miss Fame que se seguiram criticaram a indústria de maneira mais genérica por tokenizar pessoas queers e aproveitar a inclusão como uma estética e não como uma missão.

“Para a equipe do Justin Bieber: Se você quiser envolver o artista LGBTQIA + em um videoclipe do JB, sugiro uma compensação/cachê respeitável pelo nosso tempo e talento. 500 dólares não cobrem o vôo para LA e não se oferecer para pagar pelo cabelo e visual dá a entender que vocês esperam que tudo esteja incluído [nos 500 reais]. Nós merecemos construir nossas vidas através de nossa arte, assim co o Bieber acumulou uma fortuna de 265 milhões de dólares. É o mínimo que vocês deveriam fazer. Não posso pagar meu aluguel com a ‘honra’ ou ‘experiência’. Rejeito respeitosamente a oferta”.

A rainha rejeitou respeitosamente a oferta e ainda dedicou outro stories para direcionar sua mensagem a todas as marcas que tentam exatamente a mesma coisa:

“Você não tem permissão para tokenizar meu talento, minha homossexualidade não é tendência. Meu tempo é precioso assim como o de vocês. Respeite as pessoas e celebre o que elas contribuíram. Se você solicitar meus serviços, pague meu cachê. Eu tenho contas a pagar. Isto é direcionado a todas as marcas, grifes e industrias que estão tentando passar uma boa imagem para conseguir nosso pinkmoney, mas na verdade não investem em nós… para aqueles que aceitarem a “oportunidade” de trabalhar com o Justin Bieber, eu espero que eles façam valer a pena financeiramente sua participação. Lembrem-se eles está indo muito bem $$$, você merece o mesmo”.

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Miss Fame então compartilhou outro stories recomendando aos seus seguidores a comprarem sua linha de maquiagem, em que parte do valor das vendas é revertido para uma instituição de caridade LGBT.

Para apoiar a drag maquiadora diretamente, visite MissFameBeauty.com e compre sua linha completa de produtos de maquiagem.

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Crítica

O quê Drag Race significa para as meninas adolescentes que o amam?

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Drag queens estão mudando o mundo e meninas adolescentes não conseguem parar de assistir RuPaul’s Drag Race.

Lilly Henley, 16 anos, e sua irmã Evelyn, 14, assistiram a RuPaul’s Drag Race junto com seus pais nos últimos três anos. A cada semana, eles se reúnem em torno de sua televisão em Michigan, mandando mensagens de texto para quem não consegue, para ver como uma RuPaul ruiva percorre a passarela ao ritmo de seu próprio hit Cover Girl.

“É um ritual familiar”, disse Lilly ao HuffPost (original aqui).

Quando eles não estão assistindo ao show, estão imitando seus momentos mais emblemáticos – fazendo maquiagem, organizando sessões de fotos improvisadas e se exibindo pela casa com suas próprias personalidades performáticas. Evelyn disse:

“Eu tenho esse alter ego quando penso que sou tudo isso e um saco de batatas fritas. Tipo, eu acho que sou Beyoncé. Eu vou apenas andar pela casa e ficar tipo okurrr!”.

“Meninas adolescentes têm a capacidade de amar as coisas muito muito intensamente”, disse Jinkx Monsoon ao HuffPost em março. Como vencedora da quinta temporada de RuPaul’s Drag Race, Monsoon saberia. Desde sua estreia em fevereiro de 2009, o reality show inovador – no qual drag queens competem em desafios variados e criativos para o título de America’s Next Drag Superstar – seguiu os passos de sensações culturais como The Beatles e The OC em reunir uma fã base de adolescentes.

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Talvez seja óbvio por que hordas de jovens mulheres se reuniriam em volta de jovens galãs púbicos com caras de bebê de boy bands e da TV. O fato de adolescentes adorarem e se identificarem com pessoas gays e de corpo masculino personificando figuras femininas pode ser um pouco mais inesperado.

“É muito interessante para mim que grande parte da minha base de fãs não seja somente meninas adolescentes, mas meninas adolescentes heterossexuais”, disse Monsoon, comparando as jovens que adoram drag queens às garotas heterossexuais obcecadas pelo falecido David Bowie.

“Elas estão descobrindo a própria sexualidade e há algo não ameaçador em uma pessoa de corpo masculino que brinca com sua feminilidade. Isso os faz parecer um pouco mais acessíveis e um pouco menos ameaçadores do que os caras estereotipados podem ser. Recebo muitos comentários dizendo: ‘Eu tenho tanta paixão por você, mas sei que você é um cara gay, então isso nunca acontecerá’!”.

Paixonites de lado, Drag Race, rotineiramente, lida com questões centrais para a existência adolescentes das meninas: chegar a um acordo com a maleabilidade da identidade, lutando contra a pressão para se encaixar e, mais importante, descobrindo a importância do auto-amor. Como RuPaul diz: “Se você não se ama, como diabos você vai amar alguém?”.

E também: a maquiagem. As drags competidoras estão encarregadas de formular e executar uma visão completa da cabeça aos pés para cada desafio. Para Lilly, observar as transformações serviu como uma introdução hipnótica ao mundo dos cosméticos. “Mas eu sei que é para mim, não para mais ninguém”, disse ela.

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Essa é a magia que RuPaul continua a servir semana após semana, a perfeita dose de Reality de TV com drama mesquinho e emoção crua, brigas exageradas e irmandade de boa-fé, desafios bizarros e o objectivo primordial de amar a si mesmo.

O show “me ensinou que outras pessoas vão julgá-lo”, disse Lilly.

“E você vai se julgar mais duro do que qualquer outra pessoa. Mas você precisa olhar para além disso, porque você é quem você é e precisa deixar as pessoas a conhecerem”.

É claro que nem todos os super fãs de Drag Race do subconjunto feminino, adolescente, se identificam como heterossexuais. Rosemarie Allicock, agora uma estudante queer de 21 anos na Delaware Valley University, assiste obsessivamente a RuPaul desde os 12 anos e em uma “fase emo”.

“Eu fui insegura insegura por toda a minha vida. Eu sempre fui a criança gorda. Todos sempre achavam que minha irmã que era bonita e, conforme eu crescia, as únicas pessoas que me disseram que eu era bonita eram minha família. Assistindo esses caras se vestirem como mulheres, eu pensei: ‘Eu também posso fazer isso’”.

Em particular, Allicock se identificou com Aja, uma rainha latino-americana nascida no Brooklyn que competiu na 9ª temporada. “Ela é uma rainha alta e morena que gosta de coisas obscuras”, explicou Allicock.

“Eu também gostava de coisas sombrias quando estava assistindo. Eu morava em um dos bairros mais pobres da Filadélfia, onde, como um garoto negro, você deve agir de uma certa maneira. Mas não é assim que eu fui. Então, isso foi algo que eu poderia me conectar”.

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Allicock também se conectou com a maneira como Drag Race pintou o gênero como um espectro amplo, em contraste com as definições de gênero de sua “casa realmente tradicional”. Ela disse:

“A ideia de que os homens podem ser suaves e as mulheres podem gostar de praticar esportes, essas são ideias que eu não via muito. As mulheres fizeram isso; caras fizeram isso. Nós fomos muito à igreja, e sempre me disseram que ser homossexual é errado. Levei muito tempo para me sentir confortável comigo mesmo. O show me ajudou a entender que masculinidade e feminilidade são apenas uma mentalidade”.

Hoje, Allicock é a presidente do clube feminista de sua universidade, participa do GLOW – uma liga de luta livre de mulheres – e assiste a protestos políticos com seu irmão. Ela duvida que seria uma pessoa tão aberta sem a influência de Drag Race.

“Drag Race definitivamente me moldou na pessoa que eu sou”, concluiu Allicock.

Alguns super fãs adolescentes de drag queen seguem os passos de seus ídolos na tela, tornando-se versados ​​na arte de fazer drag. Pegue Sophie Orenstein, de 16 anos, também conhecida como Katastrophe Jest, uma drag queen genderqueer que usa os pronomes them/they (em português seria o equivalente aos pronomes eles/elas, no caso gênero neutro, que não temos oficialmente, mas usamos no formato elx). Orenstein recebeu um curso intensivo de identidade de gênero de sua rainha favorita, Monsoon, ela declarou:

“Toda a minha vida nunca me senti como uma menina ou um menino. Então comecei a assistir Drag Race e vi Jinkx [Monsoon], que é genderqueer. Eu não tinha ouvido falar desse termo antes e é isso que eu sou. Encontrar pelo menos uma pessoa com quem você pode se identificar é tão importante e Jinkx foi para mim”.

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Orenstein vive com um distúrbio de ansiedade chamado tricotilomania que a compele a arrancar os cabelos e as sobrancelhas quando está estressada. Por causa da condição, ver drag queens, que muitas vezes usam perucas e não têm as sobrancelhas, ostentando suas belezas foi especialmente empoderado para a jovem.

Agora Orenstein faz drag sob o nome de Katastrophe, “porque eu sou um desastre, e Jest por causa da minha mãe drag Shirley U Jest”. Ela se identifica orgulhosamente como uma drag queen “genderqueer, bissexual e judia” e sente que finalmente encontrou seu nicho. Orenstein continuou:

“O show mudou minha vida porque agora não tenho medo de ser quem eu sou. Drag Race me ensinou a não me importar, e eu posso ser fabulosx, não importa o que aconteça… Você nunca saberia que eu sou a mesmo criação confuso com o próprio gênero que estava sentadx na sala perguntando se as pessoas achavam que eu parecia esquisitx.

Foi o encontro com Jinkx Monsoon, sua RuGirl favorita, que ajudou Orenstein a ter coragem para contar para a própria mãe que é genderqueer.

“Era tão estranho ver em carne e osso essa pessoa que você admira tanto e ver que ela é real”, disse Orenstein. Depois de comparecer aos shows de drag de Monsoon por anos, as duas dois agora são amigas íntimas. Monsoon reforçou:

“A adolescência é quando as pessoas se sentem mais como párias. Eles estão tentando encontrar o seu lugar no mundo. Eu acho que, para muitas dessas crianças que estão explorando sua sexualidade e gênero, Drag Race é como o vídeo ‘It Gets Better’ [Vai melhorar]”.

Katastrophe Jest (centro) com Jinkx Monsoon (direita) e Major Scales (esquerda) em janeiro de 2018.

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Adolescentes, especialmente meninas adolescentes, são frequentemente pintadas com traços largos, injustamente categorizados em seus fandom como fúteis, dramáticas ou superficiais. Na maioria das vezes, tais julgamentos são feitos por pessoas que não são – e nunca foram – adolescentes. Como Tavi Gevinson disse em 2013: “As adolescentes viram muito assunto na mídia e na cultura pop, mas raramente têm uma plataforma para falar por si mesmas”.

Hoje, publicações como Rookie e Teen Vogue, e plataformas digitais como Twitter e Tumblr, deram às garotas adolescentes um microfone. Cinco anos após o chamado à batalha de Gevinson, as mulheres jovens estão na vanguarda das principais cruzadas políticas e culturais da atualidade.

Drag Race tornou-se uma fonte improvável de força para mulheres jovens que se sentem subestimadas e negligenciadas. Tal como os seus fãs devotos, as concorrentes de Drag Race enfrentam críticas, julgamentos e discriminação. No entanto, no programa, elas têm espaço e recursos para produzirem a si mesmas, se nomearem e contarem suas próprias histórias. O programa oferece um sabor inebriante de um futuro despojado de papéis rígidos de gênero e categorizações binárias, em que as pessoas podem ser elas mesmas sem pedir permissão.

Para as meninas adolescentes, à beira da idade adulta e ainda internalizando as exigências impossíveis impostas às mulheres desde antes de poderem falar, essa idéia de liberdade é igualmente sedutora. Jinkx disse:

“Nós vivemos uma espécie de vida de fantasia. Eu vejo isso atraindo um público mais jovem”.

E então meninas adolescentes fazem o que fazem melhor. Eles expressam sua adoração e devoção a Drag Race sem ironia ou autoconsciência. Elas se espalham com um gosto que beira o culto religioso. Como Harry Styles explicou em uma entrevista de 2017 com a Rolling Stone:

“Meninas adolescentes fãs – elas não mentem. Se elas gostam de você, eles estão lá. Elas não ‘se fazem de legais’. Eles gostam de você e dizem a você. O que é irado”.

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Monsoon está ciente da excepcional lealdade da ala jovem do fandom de Drag Race. Jinkx, se fosse capaze de abordar os fãs de uma só vez, diria simplesmente “obrigada” e pedir-lhes que olhassem além do próprio show para a história queer que possibilitou sua existência. Monsoon conclui:

“Lembre-se que drag não é apenas uma forma de entretenimento e nem apenas uma forma de arte. Na nossa comunidade, ela [arte drag] vem com uma longa, rica e épica história, e Drag Race apenas te introduz a isso. Eu adoraria que meus fãs adolescentes dessem um passo extra para aprender sobre quanto tempo nós lutamos por esse tipo de representação na mídia”.

Artigo escrito por Proscilla Frank para o HuffPost.

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Crítica

Porque Booke Lynn Hytes e Nina West deveriam apresentar Drag Race Canada

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Ainda não foram revelados detalhes sobre a versão canadense de Drag Race, mas eu como ávido fã do show gostaria de ver Brooke Lynn Hytes e Nina West dividindo a apresentação do programa e acredito que essa seja a aposta de RuPaul.

Durante a décima primeira temporada de RuPaul’s Drag Race tivemos um dos desafios mais divertidos de toda história do show: Diva Worship, em que duas equipes deveriam criar suas igrejas que iriam adorar suas respectivas divas, Britney Spears e Mariah. Um time foi um fracasso total, o de Mariah, enquanto o de Britney foi simplesmente PERFEITO! E muito do sucesso desse grupo se deu pela química das apresentadoras do “show gospel”, Nina West e Brooke Lynn Hytes, que conduziram muito bem o programa garantindo boas risadas. Ao fim do desafio o sentimento era de “quero mais”. O resultado não podia ser outro e Nina West venceu o desafio semanal graças à sua liderança.

Depois na reta final da S11, Brooke e Nina trabalharam mais uma vez juntas, no show de mágica. O que garantiu outra vitória na competição para Nina que arrasou ao lado de Brooke e Shuga Cain, graças mais uma vez a maravilhosa química de trabalho entre West e Hytes.

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Então, avançando no tempo chegamos no anúncio de que Drag Race Canadá se tornará realidade e diferentemente de Drag Race UK que tem Michelle Visage e RuPaul na bancada de jurados, a versão canadense será composta inteiramente por artistas oriundos do próprio país.

Contudo, vários rumores apontam que Brooke Lynn Hytes terá algum envolvimento com esse show, especialmente após cancelar vários eventos para “filmagens de Drag Race” (leia aqui).

Então o terreno já está pronto, Brooke Lynn pode ter algum grande papel na versão canadense de Drag Race que ainda não sabemos do que se trata.

Ai no último fim de semana, 14 e 15 de setembro, rolou o Creative Arts Emmys que premiou Drag Race em três categorias (leia aqui) e para surpresa dos fãs do show mama Ru levou consigo para o evento Brooke Lynn Hytes e Nina West, algo inédito até então. Pois nos últimos anos RuPaul compareceu ao evento apenas com os produtores de RPDR.

A presença das rainhas da S11 no evento pode ser algo básico, elas simplesmente foram lá representar as competidoras da décima primeira temporada. Porém pode representar também o desejo de RuPaul de mostrar a executivos de TV as possíveis apresentadoras de Drag Race Canadá, dando assim maior visibilidade à dupla. Caso seja a segunda opção, nos resta apenas esperar o anúncio da dupla à frente da competição drag canadense.

Brooke Lynn Hytes, Kim Kardashian e Nina West nos bastidores do Creative Arts Emmys 2019.

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Porque Brooke e Nina deveriam apresentar Drag Race Canadá

Há alguns dias postei no twitter que achava que Brooke Lynn sozinha não conseguiria apresentar o Drag Race Canadá, pois ao meu ver, falta a ela jogo de cintura e carisma para comandar um programa do porte de Drag Race. Mas se adicionarmos Nina West na equação tudo muda e assim como Drag Race Tailândia, teríamos a frente do show duas grandes rainhas que se complementam no comando da competição drag.

Se analisarmos os quatro quesitos para mama Ru escolher a super drag anualmente temos Carisma e Originalidade, que Nina West representa espetacularmente. E depois Coragem e Talento que definem bem Brooke Lynn Hytes. Então temos aí uma dupla incrível para apresentar Drag Race Canadá, com uma canadense nativa a frente do show. E com a devida preparação, apoio da produção e boa direção farão um ótimo trabalho.

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Se isso vai acontecer só o tempo dirá, nada do que está escrito aqui foi retirado do Reddit ou baseado em qualquer boato que esteja rolando nas comunidades de RuPaul’s Drag Race. Esta análise foi baseada, puramente, nas minhas observações dos últimos fatos do show e com um pouco de minha experiência assistindo Drag Race há anos.

Qualquer que seja a bancada de jurados escolhida para apresentar Drag Race Canadá, serão profissionais competentes. Mas se a dupla principal de apresentadoras for Brooke Lynn Hytes e Nina West será um passo ousado da World Of Wonder, produtora de RPDR, em dar esse voto de confiança as rainhas que passaram pelo show. Além disso, provarão que RuPaul’s Drag Race poderá sobreviver no futuro sem sua anfitriã que dá nome ao show, se quiserem que o legado de RuPaul perdure por anos a perder de vista.

Brooke Lynn Hytes e Nina West no tapete vermelho do Creative Arts Emmys 2019.

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Crítica

S11 | Silky é vilã, protagonista ou ambos?

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O episódio do Snatch Game da décima primeira temporada de RuPaul’s Drag Race deixou uma coisa clara: Silky Nutmeg Ganache é uma participante fascinante e talentosa, mas o show nos deixa confuso sobre torcemos por ela ou a desprezarmos, porque Drag Race está nos servindo simultaneamente duas mensagens muito diferentes.

Depois do Snatch Game, que foi renomeado para Snatch Game at Sea para que rolasse uma integração com o patrocinador do episódio, os jurados aclamaram Silky. Mama Ru declarou:

“Você quer falar sobre a qualidade de estrela? Aquela criança tem isso. Toda vez que o Snatch Game acontece, fico ansiosa para ter aquele tipo de entrega e desempenho de alguém, e consegui ter isso com a nossa Silky Ganache”.

No entanto, a edição não tratou-a como Nossa Silky Ganache. A queen foi constantemente retratada como agressiva, ressentida e rancorosa.

Vamos falar primeiro sobre a resposta deles ao desempenho da SilKy no Snatch Game. Os jurados criticaram Vanjie por ser ela mesma em vez de sua personagem, Danielle Bregoli, embora os jurados convidados também tivessem achado Vanjie hilária.

Eu acho que a mesma crítica deveria se aplicar a Silky, que tirou mais proveito da oportunidade, mas estava apenas interpretando a si mesma.

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Os jurados, porém, com Silky agiram de forma contrária, adorando-a. Seu desempenho como T.S. Madison era certamente divertido e cheio de energia, e fez RuPaul rir com suas respostas espirituosas. Ainda assim era apenas Silky, não uma representação ou personagem reconhecível.

Eu posso entender porque os jurados convidados, as estrelas de Veep Tony Hale e Clea DuVall, acharam sua performance cativante: Silky foi engraçada, e ela brilha em improvisar e responder no momento ao que quer que esteja acontecendo.

Mas a T.S. Madisonde Silky não era Little Edie de Jinx Monsoon ou BenDeLaCreme como Maggie Smith. Não passou nem perto.

Tanto que a revelação na passarela de Brooke Lynn Hytes, assim como sua performance e de Yvie no lipsync for your life que são as partes desse episódio que serão lembradas por anos.

Mas é Silky quem esteve constantemente e repetidamente no centro das atenções.

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A CONFUSA EDIÇÃO DE SILKY EM DRAG RACE

Não há diferença perceptível entre Silky no Snatch Game, na passarela ou nos depoimentos e entrevistas. No entanto, há uma diferença na forma como o show e os jurados estão respondendo a ela.

Durante as críticas do episódio oito (Snatch Game at Sea), enquanto os jurados elogiavam outras drags, a edição continuava mostrando Ganache com olhar de desdém em seu rosto. Os editores de reality shows usam rotineiramente tomadas de reação que são de momentos completamente diferentes para reforçar a narrativa que estão criando.

Mas se essas eram as reações reais de Silky ao elogio de suas manas drags ou se elas foram tiradas de contexto, o resultado na tela foi claro: Drag Race estava dizendo aos espectadores que Silky não estava feliz com suas colegas rainhas sendo elogiadas. Olhem como ela parece desapontada que alguém sendo celebrado!

Era tão óbvio e havia tantos cortes para ela que fomos convencidos de que ela não ganharia o Snatch Game, que a edição estava preparando a bomba para tornar a sua decepção mais difícil. Mas não, Silky ganhou.

E então a edição forçou ainda mais Sua vitória foi imediatamente seguida de um corte para seu depoimento, onde não obtivemos uma reação de comemoração, mas uma réplica amarga:

“Estou passando por cima de Miss Yvie Oddly com meus 5 mil dólares. Como vai você?”

Claro, isso resolveu o conflito Silky Vs. Yvie existente durante o episódio, mas aquela cena aparecendo imediatamente teve o efeito de diminuir sua vitória, e fazê-la parecer transparentemente amarga mesmo apesar de sua vitória.

“Arrasando contigo como uma bola de demolição”. Silky carregando Miley Cyrus no primeiro episódio da S11.

Quando a 11ª temporada de RuPaul’s Drag Race começou, fiquei imediatamente encantada com Silky e sua inteligência, e a achei uma das melhores personagens de uma temporada que parecia não ter muitas concorrentes que ficaram ofuscadas ao fundo.

Silky imediatamente declarou sua intenção de fazer seu próprio show no primeiro episódio, um bordão que usou repetidamente, e a força de sua personalidade sugere que esse é um resultado provável.

“Estou cansada da falsidade. Estou cansada da palhaçada”.

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Mas com o passar dos episódios, os comentários de Silky nos depoimentos foram ficando mais agressivos. Claro, o que estamos vendo é o que a edição está compartilhando conosco, mas o tempo de suas entrevista foi usado cada vez mais para menosprezar outras rainhas.

Houve alguma ironia em sua reação ao comentário de Yvie durante o Untucked, quando Oddly insinuou que Silky não tinha talento de verdade: ela foi magoada por tal julgamento áspero, e ela respondeu com mais julgamento áspero.

Silky não está sozinha em julgar suas colegas concorrentes, é óbvio. E os shades podem ser muito divertidas se houver a sensação de que a pessoa que está o fazendo também está disposta a ser gongada pelas demais drags.

Mas Drag Race não está nos dando nada que se assemelhe à autodepreciação de Silky. O episódio do Snatch Game começou com o oposto: um foco na auto-absorção de Silky. Segundos no episódio, a primeira entrevista foi para Silky, que disse: “Ra’Jah foi eliminada, e eu me sinto tão mal, mas eu tenho minhas próprias lutas agora”, e depois passou a detalhar suas queixas e conflitos .

“Não é bom me ver?” Silky fazendo a Oprah no musical do Trump.

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Talvez Silky usou intencionalmente esses depoimentos para fazer audições e apresentações, não para ser introspectiva ou para tentar se humanizar. Essa parece ser uma estratégia que você pode usar se seu objetivo for fazer seu próprio programa.

Talvez este seja apenas o personagem que foi construído pela edição. Mas por que, se os jurados a amaram tanto, o programa faria hora extra para transformá-la em uma vilã nada amável? Os jurados amam Silky e a produção não a suporta, então eles a estão punindo na edição?

Como Drag Race da RuPaul está tentando nos apresentar Silky Nutmeg Ganache? O programa está intencionalmente tentando minar as respostas dos jurados a ela com a edição? Ou acha que suas performances no palco e nas entrevistas são igualmente divertidas?

Ela deveria ser alguém que amamos, alguém por quem estamos incomodados ou alguém que amamos ser incomodado? Será que tudo isso é para vermos a possível queda de Ganache na grande final da S11?

“Eu estava tentando ser a porra de uma integrante da equipe”.

Fato é, durante o episódio 12 da S11 assistimos a uma Silky agradável de conviver que não vimos nos 11 episódios anteriores, se essa foi a tentativa da edição de fazer a redenção da queen chegou muito tarde, pois infelizmente o “ranço” contra ela já estava instalado e um episódio não seria suficiente para redimi-la. Agora nos resta esperar ver como Silky será pintada no Reunited, pois essa será sua última chance de redenção na temporada, pois a final é tão corrida que não há espaço para tal.

Então respondendo ao título: Silky é vilã, protagonista ou ambos? Acredito que os dois, pois a rainha conseguiu para si o máximo de atenção da S11, seja dos jurados, que a veneraram, seja dos editores que fizeram de tudo para pintá-la como desagradável e encrenqueira. Para o bem ou para o mal, Silky foi a vilã protagonista da temporada e estou no aguardo para ver o que sua personalidade cativante vai lhe reservar de trabalhos futuros. Espero que seu possível programa solo se realize, pois quanto mais drags no mundo do entretenimento melhor!

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Obs: Gostando ou não de Silk, ela assim como qualquer drag não merece ataques de ódio, se não curte a rainha a ignore!

Artigo escrito originalmente por Andy Dehnart para o portal Reality Blurred e adapatado para a Draglicious.

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Crítica

S11 | RuPaul’s Drag Race está manipulando seu público

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Foi legal enquanto durou. Após as escolhas mais chocantes do último episódio, acho que descobri o problema desta temporada: estamos sofrendo gaslighting da produção de Drag Race, América! Esses são os fatos. Aviso de spoiler a partir daqui.

Para ficarmos todos na mesma página, vejamos como a wikipedia define gaslighting: É uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Em outras palavras, tal ação tem o intuito de fazer uma pessoa duvidar da própria sanidade através do uso de manipulação psicológica.

Substitua “manipulação psicológica” por “produzir e editar” e você tem exatamente o que Drag Race fez conosco durante o 11º episódio da S11. O episódio deixou todos nós atolados, não necessariamente porque essas eram as escolhas erradas (toda a arte é subjetiva, henny), mas porque tais decisões estavam totalmente em desacordo com a história que a temporada está tentando passar – especificamente neste episódio em si!

Em vez de serem roteirizados por uma sala de escritores, reality shows como o Drag Race são “roteirizados” por produtores e editores. Ninguém está dizendo a essas rainhas exatamente o que dizer, apesar de você saber que os produtores preparam as drags para receberem perguntas bem íntimas, especialmente se já chegamos ao episódio três, por exemplo, e uma rainha sem destaque ainda não falou sobre sua trágica história de vida. Mas os produtores e editores sabem quem são as estrelas e identificam as histórias que desejam seguir. Isso destrói um pouco a ilusão, ao saber que você está assistindo artistas se apresentarem em um cenário mais parecido com o de um filme tipo O Show de Truman do que com as Olimpíadas? Faz, mas só se você perceber.

Drag Race está em seu melhor ambiente quando é controlado como O Show de Truman, mas parecendo-se com as Olimpíadas. Mas agora a narrativa se tornou tão descontroladamente inconsistente que faz os espectadores se sentirem loucos. No episódio 11 (da S11), pareceu que Brooke conquistou sua vitória no lugar de Vanessa Vanjie Mateo, pareceu que Nina caiu no bottom 2 no lugar de Yvie Oddly, e pareceu que Silky Nutmeg Ganache de alguma forma recebeu o shantay mais desleixado da história do show.

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Deus sabe que todos nós amamos diferentes rainhas por diferentes razões, e as preferências dos jurados são cristalinas, quantas vezes Michelle Visage implorou a uma rainha alternativa para fazer um visual glamouroso, apenas para elogiá-las quando elas finalmente rompem com sua estética assinatura para agradar a melhor amiga de Ru? A noção de um show de competição construído em torno da arte é meio maluco, só para começar. Drag Race exige que as rainhas sejam muito boas em coisas bem específicas, por isso drags fantásticass como Trixie Mattel e Jasmine Masters foram mal em suas temporadas iniciais devido a dificuldade em se enquadrarem em formatos específicos de representação de suas artes.

É aqui que entram os editores do programa. O trabalho deles é organizar todos esses pequenos defeitos antes do julgamento, estabelecendo os critérios da semana, forçando comentários obscuros com efeitos sonoros carregados ao fundo. Sim, isso significa que os espectadores sabem quem vai estar no topo e no bottom, porque são sempre as pessoas que mais tiveram tempo de tela no episódio. É assim que esses shows fazem sentido. É assim que eles contam uma história durante uma competição.

Isso não aconteceu no décimo primeiro episódio da season 11. Todas as regras que a competição mostra que os espectadores sabem subconscientemente procurar, porque nossos cérebros são treinados para reconhecer padrões, foram quebradas. O show foi editado de uma forma muito clara, mas entregou um resultado exatamente oposto.

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Com base na edição e no roteiro principal da temporada, Vanjie merecia ganhar. Ponto. A história está aí: a rainha que saiu precocemente e inesperadamente se tornou uma fábrica de memes ambulante, retornou para outra temporada, começou no topo, depois atingiu uma série de bottoms, culminando em várias dublagens consecutivas. A edição nos deu aquele conto de azarão, especialmente pelos desfiles com looks questionáveis. Rainhas são criticadas em desafios de transformação por não transformarem seu parceiro num clone. Não uma irmã, um clone. Vanjie e Ariel Versace eram idênticas ao ponto em que eu não conseguia distingui-los a princípio. Este foi o momento de Vanjie brilhar e Brooke conseguiu a vitória.

Conversa séria: Brooke e Plastique Tiara também pareciam perfeitas, mas esse não era o episódio delas. Sabendo que Brooke ia ganhar, deveríamos ter visto muito mais Brooke e Plastique trabalhando juntas, ou pelo menos algumas cabeças falantes na sala de trabalhos se sentindo intimidadas por essa dupla poderosa. Nós não tivemos nada disso. Pelo contrário, Vanjie foi roubada da vitória que parecia tão essencial para a narrativa desta temporada, que depois disso se tornou incerta de qualquer maneira.

Ainda mais sem noção foi a decisão de colocar Nina no bottom 2, em vez de Yvie. Como Brooke, Nina ficou apagada por quase todo episódio – algo que quase sempre indica que uma rainha estará salva. Em vez disso, tivemos que suportar uma disputa acalorada entre os rivais mais agressivos da temporada, Yvie e Silky, um passo que garantiu narrativamente que iríamos vê-los levando sua briga para o palco. Além disso, Silky e Yvie eram as duas rainhas mais lembradas quando Ru fez a pergunta obscura, mas essencial: “Quem deveria ir para casa hoje à noite?” A temporada inteira foi construindo para um final entre Silky e Yvie, e com as duas finalmente no bottom 3, em um episódio em que elas apenas atacaram uma a outra e todo o elenco as expôs no palco, nós finalmente veríamos o embate.

Não foi o que rolou. Em vez disso tivemos Nina.

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Arte é subjetivo, e nesse caso a edição poderia ter forçado exageradamente porque Nina merecia ter caído no bottom 2 em vez de Yvie. Contudo, o show não fez tal artimanha. A edição não mostrou o modo como Nina fez a maquiagem de Shuga Cain, ninguém criticou as perucas da dupla na sala de trabalho, nós nem tivemos um comentário confessional do tipo “você está em perigo, garota”. O episódio inteiro foi construído em torno de Silky Vs. Yvie. E o embate delas nos foi negado.

Então fod*s! Tivemos Nina Vs. Silky dublando “No Scrubs” do trio TLC. Depois de tanto falar sobre como ela “está super pronta para dublar”  e como ela queria enfrentar Yvie num lipsync, finalmente conseguimos ver a grande vadia Silky fazendo o trabalho dela. Ganache provou que era tudo papo furado ao entregar o que deve ser a pior dublagem na história de todo o show até o momento: sua roupa se desfez; houve uma revelação de peruca sem graça; a rainha abraçou a parede dos fundos para um efeito dramático que flopou… E depois rolou um desajeitado split no palco.

Nina não foi ótima, mas ela não foi tão ruim assim. Ela sabia as letras e serviu de carão. Ela não entregou Cirque du Soleil, mas fez uma dublagem bem típica das primeiras temporadas do show. Quando Ru respondeu às duas performances com um “Meh”, a primeira vez que rolou isso em Drag Race, fez todo sentido. Não houve gaslighting ali. Um duplo sashay teria feito total sentido. Eu até aceitaria um sashay duplo e um shantay surpresa para Plastique por ser a parceira de Brooke…

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Mas não, Silky pôde continuar no jogo. Imagine se Valentina tivesse um shantay depois do seu chocante momento “I’d like to keep it on please” [eu gostaria de deixar, por favor]. Foi quase isso que rolou. Nós apenas assistimos a rainha mais bagunceira da temporada mais uma vez recusar críticas, perder um desafio, estragar um lipsync, e ainda permanecer na competição, porque o show tem predeterminado quem eles querem como as quatro finalistas.

Nos foi mostrado um episódio que narrativamente exigiu uma vitória de Vanjie e um duelo de dublagem entre Silky e Yvie (imagina que épico seria?!). Mas os produtores parecem mais contentes em manter isso para a grande final, mesmo que isso signifique quebrar a lógica interna do programa. Me entristece dizer que, neste momento, Drag Race precisa admitir que se tornou um reality show essencialmente bagunçado sobre pessoas queer gritando umas com as outras, ou que antes de mais nada é uma celebração do melhor que as drags tem a oferecer como forma de arte. Porque neste momento está tentando ser ambos e isso significa que o público e os produtores estão assistindo a dois shows diferentes.

Artigo escrito originalmente por Brett White para o portal Decider e adaptado para a Draglicious.

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Babados

S11 | Instagram comete racismo na verificação de conta de drag queens?

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Todas as drags brancas da décima primeira temporada de RuPaul’s Drag Race já receberam o selo de conta verificada no Instagram, enquanto isso praticamente nenhuma das drags negras ainda recebeu o selo azul, exceto Honey Davenport. Curioso não?

Tenho reparado isso há dias, mas achei que poderia ser alguma demora da rede, em verificar as contas das novas rainhas para poder conceder a elas o selo de verificação. Mas após constatar que todas as rainhas brancas da S11 já possuem suas contas verificadas e quase nenhuma negra ainda tem o o selo azul, achei bem problemático, quiçá racista da parte do Instagram na forma que conduz sua verificação. Afinal todas as drags da temporada já comentaram via twitter que solicitaram que suas contas fossem verificadas nas mídias sociais que fazem parte.

E não é uma questão de “mas as drags brancas tem mais seguidores que as negras”, porque Yvie Oddly e Soju possuem mais seguidores que várias drags brancas por exemplo, como Scarlet e Nina West, e ainda assim não receberam o selo azul de autenticidade. Confira a seguir o número de seguidores das rainhas brancas da temporada, assim como as contas que já foram verificadas.

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E analisando até mesmo o cenário drag nacional, Silvetty Montilla ainda não tem conta verificada, enquanto Penelopy Jean possui.

Então fica evidente que há dois pesos e duas medidas na hora que o Instagram verifica quem merece ou não seu selo de conta verificada, privilegiando assim as pessoas brancas. Eu fiz essa denúncia inicialmente no Twitter e teve seguidor vestindo a carapuça e dizendo que “Eu n escolher seguir uma queen negra não faz de mim racista”.

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E dando uma breve resposta a indignação do seguidor acima, nós vivemos numa sociedade que foi construída em cima do racismo institucional, então para um negro ter reconhecimento ele precisa trabalhar dez vezes mais que uma pessoa branca, pois negros sempre são desprezados e seu trabalho colocado em xeque. O mesmo rola em Drag Race, as drags negras precisam trabalhar muito mais para sequer ter metade dos seguidores de uma queen branca que as vezes nem é tão talentosa quanto. Sem contar o padrão de beleza socialmente aceito que sempre coloca drags brancas no topo da cadeia de adoração. Então não seguir uma drag negra, não torna a pessoa automaticamente racista, mas só reforça o racismo institucional que sempre deixa negros em segundo plano.

Isso até lembra uma postagem que Bob The Drag Queen fez ano passado, falando sobre o comportamento racista do fandom de Drag Race, pois até então, tirando mama Ru, nenhuma drag negra proveniente do show tinha ainda um milhão de seguidores, diferente de várias drags brancas que já tinham seu milhão (leia aqui).

Então fica aí a denúncia e o desejo de saber os parâmetros de concessão do selo de autencidade do Instagram. Pois é evidente que a rede social trabalha com com dois pesos e duas medidas na hora de verificar as contas das drags!

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Babados

Cardi B patenteia “okurrr” e gera revolta

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Uma das marcas da rapper Cardi B é o uso da expressão “Okurrr”,que nós fãs de RuPaul’s Drag Race sabemos que não é sua invenção, mas que na boca de Cardi se tornou um fenômeno. Mesmo assim a rapper decidiu patentear a expressão a fim de lançar produtos com a marca “Okurrr” e lucrar em cima.

O slogan tornou-se essencialmente sinônimo de Cardi B durante sua rápida ascensão à fama global. Durante uma aparição no The Tonight Show em 2018, ela explicou que soava como se fosse um “um pombo gelado em Nova York”. A expressão atingiu seu ápice como fenômeno viral quando foi utilizada durante um comercial da Pepsi no Super Bowl 2019.

De acordo com registros on-line, o pedido de patente foi feito sob a empresa da estrela, Washpoppin, Inc. em 11 de março. Parece que a rapper pretende registrar o bordão “Okurrr” para usar em “produtos de papel, copos de papel e posters”, como é descrito no pedido. Outra solicitação de patente foi encaminhada anteriormente, em 25 de fevereiro, para a expressão “Okurr” com um “r” a menos para “roupas, como camisetas, moletons, moletons com capuz, calças, shorts, jaquetas, calçados, chapelaria, chapéu e boné, blusas, bodysuits, vestidos, macacões, leggings, saias, suéteres, roupas de baixo”.

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Laganja Stranja

Quando descobriu que a expressão “Okurrr” seria patenteada por Cardi B, Laganja (S6 de Drag Race) usou seu twitter para comentar o fato, e a rapper ofereceu para a Queen a chance de aparecer em um comercial dos futuros produtos, confira os tweets a seguir.

Pobre Ganja! Sempre uma dama de honra nunca uma noiva 😂🙌🏻 Cardi B é uma inteligente mulher de negócios!

Derrick: Eles vão agir como se Shocantelle não existisse?

Luke: Isso é o que eu tenho dito! Mas Laura provavelmente pegou isso de outra pessoa também. A conclusão é que pedir direitos autorias por uma palavra é insano e não deveria ser permitido.

Minha mãe estava realmente chateada com isso: ‘link da matéria’ mas obrigada People por darem a mim os devidos créditos!! Para vocês saberem, eu não criei a palavra e nem Cardi. Mas não odeie o jogador, odeie o jogo! Muito respeito por Cardi B 💯🙌🏻

Por favor, posso fazer a minha queda icônica no comercial para sua linha de produtos #Okurrr?!? Cardi B CONFIE E ACREDITE QUE AS RAINHAS VÃO ADORAR, além disso você estará tornando meu sonho realidade!! Eu já fui ridicularizada por usar essa palavra, e agora você pode me ajudar a completar esse ciclo 🙏🏼💯

Porra, você será a primeira que eu chamarei, mas primeiro você tem que me ensinar como fazer uma queda sem eu quebrar meu quadril.

Eu te ajudo RAINHA!! Obs: Eu, literalmente, acabei de ter um sobressalto e joguei meu telefone longe quando meu amigo me disse que você respondeu!! Vamos fazer isso acontecer, a comunidade queer não está pronta para isso!! E para ser honesta, eu também não estou!! Te amo!!

Ongina: Viva! Não vejo a hora disso rolar.

Laganja: Valeu pelo apoio.

A própria Cardi B respondeu ao meu tweet!! Então, podemos, por favor, parar com os comentários negativos?!? Ela não roubou nada… A palavra #okurrr originou-se na cena do ballroom, mas Cardi foi inteligente o suficiente para capitalizar em cima disso!! Créditos para ela, MAWMA!!

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Origem

A expressão “Okurrr” se originou nos ballroom há décadas, é possível ouvi-la no documentário Paris Is Burning, lançado em 1991. Em 2010 uma cabeleireira chamada Shontelle fez um comercial para TV falando “Okurrr”. Então em 2014, Laganja falou “Okurrr” pela primeira vez na S6 de RuPaul’s Drag Race. E posteriormente em 2016 as Kardashian passaram a adotar a expressão em seu vocabulário. Cardi B foi usar a expressão com maior frequência somente em 2018.

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Motivo da revolta

Quando Laganja falou “Okurrr” em Drag Race foi, simplesmente, um LGBT usando uma expressão popular em sua comunidade. Mas quando Cardi B, mulher cisgênero heterossexual, resolve patentear essa expressão é um movimento muito revoltante, pois ela se apropria indevidamente de uma palavra originada de uma comunidade marginalizada, formada essencialmente por LGBTs negros, latinos e pobres, para benefício e lucro próprio.

Cardi B não está ligando para devolver à comunidade original parte do lucro do que conseguir com a patente de “Okurrr”. A rapper enfatizou que não tem problema na sua atitude, pois pessoas brancas fazem isso o tempo todo.

“Enquanto eu estiver aqui vou garantir toda a grana possível (…) Vocês precisam se preocupar com suas próprias coisas e parar de cuidar das coisas dos outros”.

E Cardi B tem razão nesse sentido, o que ela está fazendo nada mais é que o que as pessoas brancas sempre fizeram ao se apropriar da cultura e criação de outras minorias (latinos, negros, etc). Assim Cardi B prova que não tem empatia pela luta alheia, pois ela ao desfrutar da posição social que ocupa atualmente mais o privilégio da sua heterossexualidade e cisgeneridade, subjuga uma comunidade que diante dela é uma minoria, os LGBTs.

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Palavras não deveriam ser patenteadas

Muitos acham que é só uma palavra, então não tem problema algum. Na verdade tem todo problema, pois esse é um verdadeiro exemplo de apropriação cultural, quando alguém poderoso pega elementos originados numa cultura minoritária a fim de transformar aquilo num produto mercantilista visando tirar o máximo de lucro possível com tal produto, e não se enganem bordão também é cultura!

Essa patente é o erro, pois Okurrr” faz parte da cena ballroom, que é LGBT, há décadas. O bordão nunca foi da Cardi, ela está se apropriando de algo que não tem direito.

Dessa forma toda herança e luta da cena ballroom que acompanha a expressão “okurrr” é apagada visando unicamente o aumento da fortuna de Cardi B. Isso é tão revoltante, pois mostra como nós, LGBTs, seguimos desamparados social e juridicamente, já que os elementos que são importantes para nossa identidade são usurpados por pessoas héteros que se apropriam deles com o único fim de fazer dinheiro.

E não se pode considerar exagerada as reações de várias pessoas queer contra a atitude da rapper, pois isso pode abrir um precedente perigoso que ameaça outras expressões identitárias da comunidade LGBT, que correm o risco de serem apropriadas por pessoas que sequer fazem parte do nosso meio. Imagina se decidirem patentear expressões como: the shade, sasha away, shantay you stay, hey sis e muitas outras? Por isso mais do que nunca é preciso haver união dos LGBTS para se apoiarem e ajudarem, pois se nem nos ditos “aliados” pode-se confiar, imagina naqueles que só nos usam visando lucrar em cima de nossa luta e identidade, okurrr?

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S11 | Silky Ganache, por que matastes seu fandom?

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Quando rolou o anúncio oficial da décima primeira temporada de RuPaul’s Drag Race pelo canal do YouTube da VH1, o desânimo abateu o fandom do show, pois o que vimos ali eram drags, aparentemente, fracas, pouco polidas e com um semblante de derrota que nos fez imaginar que a S11 seria a pior temporada até então, superando até mesmo a chatice da S7.

Contudo, se teve uma drag que nos deu um pingo de esperança para acompanhar a nova temporada foi Silky Nutmeg Ganache com sua personalidade barulhenta e carisma arrebatador, todos nós vibramos ao conhecê-la, a taxando imediatamente de Miss Simpatia da temporada. Então a S11 estreou e tudo mudou…

As drags que até então julgamos, precipitadamente, de fracas e preguiçosas mostraram ter personalidades fortes e uma baita vontade de vencer, Silky não foi diferente, mas aí veio a surpresa, a rainha é talentosa e está sedenta pela coroa, mas atrelado a isso temos uma persona drag muito barulhenta que em poucos episódios conseguiu se tornar uma das participantes mais insuportáveis e irritantes da história do show, jogando por terra a legião de fãs que conquistou na fatídica entrevista da VH1.

Já tivemos todo tipo de drag chata a passar pelo programa: Phi Phi barraqueira; Mimi iludida que acha que drag é esporte de contato; Eureka barulhenta; Tyra is a complete bitch (ao lado de Raven) e por aí vai… Mas não me levem a mal, Silky é outro patamar de chatice e insanidade.

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Oh Miley!

Se no primeiro episódio Ganache irritou vários fãs do programa ao revelar ser muito escandalosa e fazer com que Miley Cyrus desse atenção quase que exclusivamente para ela, nos episódios seguintes a situação não melhorou muito. Já no segundo episódio a queen comprou briga com o grupo rival, pelas queens terem falado mal dela para Ru, o que a deixou zangada (com razão) e pronta para mostrar que ela era melhor que suas “rivais” e iria vencer. A vitória não veio, mas ao menos foi salva e com destaque melhor que o outro time, que teve que engolir suas palavras, de que a queen era irritante, mas elas estavam erradas?

O ápice, até agora, foi o surto de Silky no Untucked do terceiro episódio, quando foi confrontada por Yvie querendo saber porque ela estava fora de sintonia com seu time não colaborando com o trabalho em equipe. A rainha veio com uma desculpa esfarrapada de que aquele desafio iria contra suas crenças religiosas, até assumir que seu problema foi a escolha de Britney Spears como diva da Igreja, já que Ganache não é fã da cantora, por isso preferia “homenagear” Whitney Houston…

Isso por si só foi motivo para Ganache ter surtado e dado um show digno de pena, que me faz questionar até agora qual o intuito da rainha com sua passagem por Drag Race? Porque essas atitudes mimadas, em que não aceita ser contrariada e sempre faz algo polêmico atrás de tempo de tela mais prejudicam que ajudam sua imagem aqui fora.

Como se não bastasse monopolizar a atenção de todos os jurados convidados que pisam no Untucked, Silky sempre protagoniza algum barraco, inventando algum drama para aparecer. Isso com certeza rende tempo de tela, mas também fragiliza cada vez mais as impressões que a queen deixa para o grande público.

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Nós, fãs de Drag Race, nos tornamos exigentes com o show e suas rainhas. Queremos sim, que as drags nos proporcionem muito shade, confusão e diversão, mas também ansiamos por bons desempenhos nos desafios semanais e desfiles memoráveis no palco principal. E até o momento Silky só tem servido o primeiro: barraco e confusão. E até mesmo seus fãs mais ferrenhos, estão pulando fora de sua fã base. Então a pergunta que ressoa no fandom de Drag race é:

Até quando suportaremos Silky e sua personalidade?

Porque se ela continuar fazendo apenas a louca irritante, torceremos para que seu sashay away seja em breve. Pois Ganache, por mais que aja como a estrela máxima da temporada, não é a única drag do elenco da S11. E pelo que vimos até agora dessa temporada, ali há drags talentosíssimas que nos trarão muito divertimento, que a sede de atenção de Silky nos impede se assistir: Yvie e suas esquisitices; o casal Broojie; a comédia de Nina West; o meme ambulante que é Vanessa Vanjie; a perfeição de Plastique; a elegância de Akeria… Fato é, drags com enredos maravilhosos que merecem tempo de tela não falta, mas ter que suportar Silky e sua personalidade, até aqui, irritante, tem testado e muito a paciência do fandom que quer outros enredos para acompanhar.

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E para piorar fora de Drag Race, Silky acumula mais polêmicas, seja fazendo piada xenofóbica com Mercedes, seja sendo acusada de assédio sexual (leia aqui).

Portanto, a não ser que a história de Silky enverede pelo caminho de sua redenção na temporada, daquela drag chata para a drag humilde, que aprendeu a controlar sua necessidade de ser os centros das atenções e evoluiu com as críticas dos jurados, mesmo que Ganache chegue à final, só acumulará antipatia e perseguição. Afinal, sabemos como o fandom de Drag Race adora destilar ódio e Silky com o material que forneceu para a edição e seu comportamento problemático aqui fora plantou um alvo bem grande na própria testa. Por isso ao fim da temporada ela apenas vai conseguir que o público a deteste.

Eu, particularmente, torço de verdade para que uma redenção de Silky esteja à caminho, afinal é inegável que a queen traz bom entretenimento para Drag Race. Mas seu “entretenimento” vem às custas, até o momento, de uma personalidade barulhenta e irritante, que no fim da S11 pode até garantir mais tempo de tela para ela do que para qualquer outra drag. Contudo, ninguém vai querer saber dela no pós-show por conta da impressão que deixou, o que prejudicará e muito sua carreira drag.

Lembre-se sempre: Drag Race é um programa de TV para nos entreter, logo drag queen nenhuma merece receber ódio ou qualquer tipo de ataque/ameaça nas redes sociais ou mesmo pessoalmente. Sejamos fãs melhores!

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Crítica

O que um homem hétero pode aprender assistindo RuPaul’s Drag Race

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Eu já fui um daqueles caras que ofendia os amigos chamando de “viadinho”, é sério, se você é hétero e nasceu antes da década de 90 você provavelmente já foi ou continua sendo um babaca desses. Esse conceito de masculinidade é tão tóxica quanto frágil, daqueles que se quebra com uma simples demonstração de afeto ou mesmo com um elogio, como pudemos ver recentemente com o Nego do Borel.

Quando você reproduz esse pensamento vive preso em uma máscara de macho que lhe impede de se tornar um grande homem, mas a narrativa machista/patriarcal ocupa um espaço gigante na sociedade e acontece de muita gente viver em lugares onde ela é uma bolha impenetrável, pois o preconceito afasta essas pessoas de conhecer qualquer pessoa que possa ser taxada de “gay”.

Eu vivi a adolescência em espaços assim, que me cegaram a ponto de não perceber o drama de meus próprios parentes que fazem parte da comunidade LGBT. Dizem que a vida ensina, mas isso é uma grande farsa, é bem possível passar a vida sendo idiota e preconceituoso se ninguém te chamar e dizer “cara você está sendo babaca”.

Eu comecei a escrever o Estilo Black em 2013 e comecei a me envolver com assuntos que eram estigmatizados para um homem hétero: a moda. O público que construí aqui ajudou a desconstruir meus velhos conceitos, quando estamos próximos a gente pode perceber a vida que se esconde por trás dos estereótipos, suas histórias e suas dores, isso foi importante no meu aprendizado. Estar na linha de frente do confronto racial também me construiu. Talvez vocês que estejam lendo não tenham essa noção, mas se você começa a produzir conteúdo com foco na beleza negra em um país que finge não ser racista é opressor – eu não sabia disso, mas comecei a perceber o tamanho da opressão vigente e isso me fez pensar também em como era difícil a vida de outros grupos sociais “minoritários”.

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Enfim, alguns anos atrás eu percebi que o que me torna mais homem não é o quanto eu evito parecer gay, isso é uma besteira sem fim. Aliás, desde que decidi blogar sobre moda eu estava envolvido com aqueles programas que são indispensáveis para você não passar feio, tipo Esquadrão da Moda e Project Runway que maratonei todos na Netflix ao lado de minha noiva, foi quando terminei America’s Next Top Model que a própria Netflix me sugeriu um programa que seria parecido, o RuPaul’s Drag Race.

Nunca tinha ouvido falar e minha experiência com qualquer participação de uma Drag na TV era dos tempos em que o Silvio Santos levava algumas para fazer perguntas constrangedoras, sempre ressaltando a diferença com os héteros.

Algumas Drags são rainhas da comédia e isso é bem diferente de ridicularizar suas vidas

Essa é uma das principais diferenças da forma com qual a TV retrata Drags. Na década de 90, por aqui, era muito comum você ver personagens que ridicularizavam as Drags – o que acontecia principalmente quando um homem hétero atuava como um personagem gay nas novelas ou quando uma Drag participava de um programa que virava motivo de chacota.

Quem nunca assistiu alguma apresentação Stand Up da Shangela não sabe o que é a comédia. Ela manda muito melhor do que vários nomes famosos brasileiros e tem uma atuação impressionante que rendeu participações em vários filmes e em seriados como Glee.

Outras que se destacaram na comédia são Jinkx Monsoon e Bianca Del Rio que é um fenômeno a parte. Bianca tem um talento para escrever piadas e um timing para reproduzi-las consolidados em mais de 10 anos de carreira no teatro. Após a participação em Drag Race ainda estrelou dois filmes com seu nome. (Tem na Netflix, não são grandes produções mas vale pra passar a tarde e rever algumas Drags que fizeram sucesso juntas).


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A orientação sexual não faz de ninguém uma pessoa melhor nem pior

Se você é um homem hétero e branco isso vai ser um choque, mas você não é melhor nem pior que ninguém. Só que o mundo te bajulou, fez você acreditar que tinha uma moral ilibada (quando foram pessoas como você que no passado promoveram guerras e genocídio de outros povos para poder ditar as regras do que seria “moral”)  e então você se acostumou a olhar para pessoas LGBT e atribuir promiscuidade aos seus comportamentos. A verdade é que pessoas são boas e ruins independentemente se são gays, lésbicas ou héteros. Não podemos esquecer que homens héteros no mundo todo assassinaram milhões de pessoas quando estiveram no poder.

Se você se permitir, vai encontrar histórias de uma humanidade tão elevada em Drag Race que apenas as pessoas mais insensíveis no mundo não vão se comover. Uma dessas é a história de Latrice Royale, que já foi presidiária, entrou em Drag Race e exibiu um coração tão grande que caiu nas graças do mundo todo e hoje se tornou uma empresária dona da Latrice Royale Inc que gerencia a carreira internacional de várias artistas drags.

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As drags de RuPaul conseguem te sensibilizar de várias formas, algumas vezes elas exibem amizades tão verdadeiras, dessas que falta no mundo moderno das grandes capitais. São pessoas que conseguem manter círculos íntimos que atuam como uma proteção emocional rara, nem precisa de muitas demonstração, parecem ser aquelas que sempre estarão lá pensando umas nas outras. Claro que também rola muita inveja, cobiça e vergonha. É disso que pessoas são feitas – algumas como a Gia Gunn, tem mais 😜

Drags sabem se divertir 

A maior parte das histórias das Drags que passam pelo programa de RuPaul compartilha alguns episódios bem tristes: rejeição da família, morte de amigos, uma vida difícil nas ruas, abusos… Sabe é bem difícil. Muita gente que eu conheço está tão longe de viver essa realidade e desiste da sua própria alegria por qualquer coisa que a abale.
As rainhas Drags passam por coisas tão intensas, que elas compartilham nos bastidores, e mesmo assim conseguem criar a ilusão de um mundo tão divertido. Esbanjam alegria e fazem dublagens memoráveis. Conseguem encontrar uma felicidade contagiante no programa e seguir em frente com seus sonhos. Se você pensou que é forte porque é hétero, pensou errado demais. Não tem como não lembrar da força que Ongina teve por se empenhar tanto em uma campanha para ajudar pessoas com HIV, ela desabou após a vitória revelando que era uma dessas pessoas em um dos momentos mais marcantes para mim.

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Não é fácil manter a alegria em momentos difíceis. É por tudo isso que RuPaul’s Drag Race se tornou um dos programas mais celebrados pela internet. Vale ressaltar o sucesso comercial de RuPaul Charles que já soma uma fortuna de mais de 7 Milhões de Dólares provando o valor para a indústria do Entretenimento. Sua inteligência para os negócios é invejável, além de promover parceria com várias marcas e personalidades ele amarra o programa com lançamentos de singles e seus próprios produtos.

Eu poderia escrever por horas sobre o que nós podemos aprender nesse programa, só que estragaria a surpresa de você aprender assistindo todas as temporadas e os Spin-offs Alls Stars – inclusive o mais recente teve um final polêmico

Imagem promocional do All Stars 4.

Assistir todos os episódios não me transformou em um cara desconstruidão, é besteira pensar isso e besteira maior me dar qualquer aplauso por isso. Mas sem dúvida me conectou com pessoas fantásticas que eu não me permitia antes. Só assim eu aprendi que ser um grande homem significa lutar para que o mundo seja melhor não só para mim, mas para todas as pessoas fantásticas que a gente puder, indiscriminadamente.

Esse meu post é um convite para você abandonar a máscara de macho alfa e deixar o mundo ver quem você é e o que você pode verdadeiramente fazer para que ele seja melhor. Como disse um grande pensador:

“Se você não consegue amar a si mesmo, como diabos vai amar outra pessoa?” – RuPaul


Texto escrito por Ale Santos e postado originalmente aquiAcompanhe o EBlack no Facebook.

Ale Santos é conhecido como “o cronista dos negros no Twitter”. Para saber mais sobre ele, leia aqui. Se quiser seguir Ale nas redes sociais, siga seu Instagram e seu Twitter.

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Latrice Royale faz desabafo ao celebrar aniversário

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Latrice Royale, competidora de RuPaul’s Drag Race (S4, AS1 e AS4), usou suas redes sociais para fazer um desabafo sincero ao celebrar seu aniversário de 47 anos. Confira a seguir.

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Esse é meu aniversário de 47 anos, 26 deles fazendo arte DRAG!!! Agora eu acho interessante que TODOS os meus trabalhos na vida real tenham sido desmerecidos. Eu tenho trabalhado para ajudar a formatarmoldar, inspirar e fazer mudança para a melhor dentro de NOSSA COMUNIDADE! Não consigo acreditar em quantos de vocês, pessoas chamadas inteligentes, deixaram um programa altamente produzido com um toque de realidade jogo mudar completamente a sua percepção de mim! Isso me faz perceber o quão quebrados realmente estamos! Eu não sou aquela que tem vergonha de mim mesmo, eu sei verdades que alguns de vocês nunca saberão! Então, se você é do tipo que mantém o ódio fluindo, apenas saiba quem você é como ser humano. Para aqueles de vocês que estão mantendo o amor vivo, precisamos abafar o ódio! O Amor sempre vence… Agora de volta à minha programação regular. 😘 Eu amo vocês!

O aniversário da Latrice foi na terça-feira, 12 de fevereiro.

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