Especial Lady Bunny | Pt2: Conheça seu “gêmeo mau”

Três décadas depois de aterrissar em Nova York com RuPaul, Lady Bunny reina como a rainha suprema de Nova York, mesmo quando uma geração mais nova morde seus calcanhares.

Modo Noturno

Uma semana depois, um imperceptível homem de 56 anos se materializou em um café West Village e disse: “Sou o gêmeo mau de Bunny”. A voz era instantaneamente reconhecível, mas pouco mais: cabelos grisalhos na altura dos ombros, testa enrugada, lábios nus. Em sua camiseta preta de punk-rock e tênis, ela parecia mais uma professora de violão de meio período do que uma rainha disfarçada.

Pouquíssimas pessoas me reconhecem por causa do drag. E eu gosto disso, porque se você está levando sua roupa para a lavanderia, você não está sempre com vontade de parar.

Raro registro de Lady Bunny sem maquiagem. Ela é o homem loiro de camisa xadrez.

Mesmo fora do palco, no entanto, seus amigos a chamam de Bunny, em vez de seu nome de nascimento, Jon Ingle. Ela também prefere ser abordada por um pronome feminino, mesmo que ela hesite a cerca do que ela vê da nova geração de LGBTs hipersensíveis a cerca dos rótulos de gênero.

>  S11 | Nina West e Silky criticam gordofobia dos fãs de Drag Race
>  Pabllo Vittar vai dar voz à personagem de Super Drags

Estávamos a poucos quarteirões de distância de seu apartamento de aluguel estabilizado na Greenwich Avenue, onde ela vive por mais de duas décadas. “É tipo um episódio de Acumuladores Compulsivos”, disse ela sobre seu apartamento, em que vive sozinha sem companheiros de quarto, amantes ou animais de estimação. “Eu não sou orientada a relacionamentos”.

Embora nunca tenha conquistado a fama de RuPaul (ou buscado por ela), Bunny permaneceu onipresente: passando por festas durante a New York Fashion Week, em turnê de shows de cabaré e DJs em todo o mundo, inclusive na festa de 40 anos da Van Cleef & Arpels em Paris e uma exposição com tema de disco no Faena Art Center em Buenos Aires. Ela atualmente toca em Disco Sundays at the Monster, um clube gay em Greenwich Village (NY).

Festejando com DiLove, à esquerda, e Todd Oldham no Bryant Park em 1994.

Ser Lady Bunny é seu emprego em tempo integral e tem sido há pelo menos 20 anos.

Felizmente, consegui diversificar e dividir meu tempo entre apresentações, shows e alguns shows de atuação aqui e ali. Então eu nunca fico entediada.

Ela também se beneficiou dos holofotes globais de RuPaul’s Drag Race. Lady Bunny foi recentemente convidada para fazer um show em Cardiff, no País de Gales, que ela reconhece que nunca teria acontecido sem o efeito RuPaul.

>  AS4 | Vaza trecho do quinto episódio
>  Alyssa Edwards tem novo projeto vindo aí: diretora de acampamento

E ainda assim ela tem dúvidas sobre o que Drag Race forjou. A rainha declarou sentando-se em um banco do parque nas proximidades:

“Se todas essas pessoas estão adotando o drag, elas precisam se envolver com a subcultura de drag e perceber que nem todo mundo está tentando ser um mentor como Mama Ru. Alguns de nós são odiosos e dementes”.

Ela também se preocupa que a arte drag esteja perdendo sua vantagem subversiva.

Eu me diferencio do drag que existe hoje. Ru usa uma flor no cabelo, então todo mundo usa. Eu não quero ser como outra pessoa.

Eu preferiria ver uma rainha toda cagada que espalhou glitter por todo o rosto e dentes pretos que aparecesse e arrasase em um número, do que uma que gastou cinco horas com a maquiagem nos cosméticos mais caros, mas não tem nada a mostrar no palco.

Continua aqui.

Especial Lady Bunny

Pt1: Ela ainda é a rainha mais shady

Pt2: Conheça seu “gêmeo mau”

Pt3: Go-Go Boy por 40 dólares

Pt4: Reaproximando de RuPaul

Pt5: Eu sou o Wigstock

Wigstock: o festival drag de New York está de volta

DEIXE UMA RESPOSTA

Conecte com




Please enter your comment!
Please enter your name here