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Drag Queens

Who’s That Queen? Spankie Jackzon

Eu estava pronta para a 1° temporada de Down Under, mas acabei perdendo”, conta Spankie Jackzon, vencedora da S2 de House of Drag.

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🕓 8 min de leitura

Existe um mundo inteiro cultural, linguístico, político e alguns bons milhares de quilômetros entre Brasil e Nova Zelândia? Sim, mas isto não deveria calar o boca a boca sobre House of Drag, programa do qual vem a minha entrevistada de hoje desta Who’s That Queen?

No ano passado Spankie Jackzon participou da segunda temporada deste reality show, cuja estreia ocorrera em primeiro de fevereiro de 2020, com apresentação das, agora Rugirls, Anita Wigli’t e Kita Mean.

E nesta edição recauchutada de House of Drag, que contou com o acréscimo de 12 artistas no elenco e pouco mais de dois meses de transmissão, Spankie, parafraseando seu próprio nome, começou a espancar suas oponentes a partir do episódio quatro, Dining With The Stars, onde, seguindo a cartilha de competições do gênero, o plot twist foi servido à mesa. Neste caso, a revelação de que ela era uma das três drags novas que fariam parte do programa, ao lado de Lilly Loca e Miss Geena.

Na sequência, Spankie nocauteia suas concorrentes ao vencer o desafio principal logo em sua chegada. Daqui para frente ela vive sete semanas nas quais venceu três vezes e também esteve entre as duas piores três vezes. Resumidamente, seu caminho até o pódio de chegada. No Instagram, em quatro de abril deste ano, uma análise sobre tal feito:

“Neste dia, há um ano, ganhei a segunda temporada de House Of Drag enquanto a cidade estava no estágio quatro de lockdown. Um momento muito agridoce para mim, sem comemorações, depois de esperar tanto tempo para a notícia sair. Todos os shows planejados secaram e parecia como fogos de artifício que nunca dispararam. Ao refletir sobre o ano passado, tive o privilégio de ter entretido o país em alguns dos Best Kept Secrets da Nova Zelândia e em cidades pequenas. Para me apresentar para os locais que de outra forma nunca teriam conhecido uma drag queen e espalhar uma mensagem de amor, aceitação e viver a vida fabulosamente. Eu quero agradecer absolutamente a todos pelo amor e apoio avassaladores que recebi de todas as esferas da vida que se conectaram a mim durante o programa. Realmente foi um dos melhores momentos da minha vida. Mesmo com o choro feio! Amo todos vocês, tenho tanta sorte de poder fazer o que escolhi fazer. Como eu disse antes, não estou inteira a menos que Spankie Jackzon esteja fumando um cigarro e agitando o leque!”

De fato, verdade seja dita: o saldo para Spankie, após House of Drag, é valoroso, duplamente falando. De um lado, ela calou a boca de seus detratores lá do início da carreira, que lhe diziam que não tinha futuro como drag. Do outro, provou a si mesma, de uma vez por todas, que sua jornada estava traçada e era, como desconfiava, sendo uma rainha. E esta mesma rainha, assim como toda boa majestade, estava (e está) disposta a aprender.

Primando pela diversidade, o casting de House of Drag inclui rainhas AFAB, basicamente, mulheres cisgênero, algumas não-binárias, que fazem drag ou drag king. Na época da exibição da temporada isto gerou polêmica porque algumas drags se disseram contra a participação de Lilly Loca, por exemplo, uma mulher cis que performa gênero tanto como rei quanto como rainha.

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A respeito disto Spankie admitiu à imprensa que aconteceram muitas discussões exaustivas fora das câmeras sobre o assunto e também afirmou que já compartilhou do pensamento que era contrária às rainhas AFAB, entretanto, ao se aproximar delas e aprender com suas vivências, conseguiu desconstruir-se e hoje em dia sua visão sobre elas mudou radicalmente, a ponto de, veja só, caro leitor, eu ter que repetir a pergunta do primeiro parágrafo deste artigo. Who’s That Queen?

Blair Macbeth nasceu no dia quatro de novembro de 1984, em Palmerston North, Nova Zelândia. Aos cinco anos de idade começa a dançar e arrisca seus primeiros passos no ballet, dança de salão, hip hop, rock e dança contemporânea, entre outras.

Aos dez anos passa a também cantar, exercitando este lado na escola, em musicais que faziam parte da programação do ano letivo. Nesta fase ele fez o ensino médio em Manawatu. É neste momento que apresenta, em drag pela primeira vez, um show no Feilding Little Theatre. Mas espera aí! Blair era menor de idade. E sua mãe e pai?

Rochelle e Don Macbeth são, além de pais de Blair, seus amigos e apoiadores. Tanto que, no episódio quatro, a roupa usada por Spankie é inspirada em sua mãe. Após vencer o programa, ela saiu para jantar com ambos pra comemorar. Ainda no campo familiar, seus dois irmãos também não veem problema algum em seu trabalho como drag.

Esta estrutura sólida fora importante para Blair, especialmente aos 18 anos, quando ele se mudou para Melbourne, na Austrália, em 2002. O retorno à Nova Zelândia só aconteceria em 2015, devido a um problema de saúde do pai.

A forma empática como Blair conduz sua vida também acabou lhe dando importantes aliadas para a lida profissional. Em 22 de fevereiro de 2020 Lilly Loca lançou, com participações especial de Miss Geena e Spankie, o single Intruders.

E já que estamos falando de música, é justo que você saiba que Spankie é influenciada por Jamiroquai, Robbie Williams, Robin Thicke e CeeLo Green. A predileção por música a ajudou a emplacar diversos shows em Melbourne e, em paralelo, audições em realitys musicais como o Australian Idol e The X Factor Australia.

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Hoje em dia, respaldada pela experiência de alguns bons anos de carreira e um diploma em artes cênicas, Spankie tem ganas de desbravar o mundo, seja com um possível show de uma mulher só ou aparecendo mais em programas televisivos matinais. Independente da plataforma, tenha certeza: ela quer te divertir!

E o que mais deseja esta rainha? É o que você descobre logo abaixo, na íntegra, com a entrevista que fizemos. Confira!

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Olá, Spankie!

Olá!!

Preciso começar esta entrevista perguntando o seguinte: o que você achou da primeira temporada de Rupaul’s Drag Race Down Under e como é saber que o drag da Nova Zelândia está ganhando fama mundial?

Acho que tem sido fantástico ver artistas que conheço da Austrália e da Nova Zelândia mostrarem ao mundo o que temos a oferecer. Também torna a TV atraente quando você conhece as garotas que estão competindo e torcendo para que elas tenham sucesso. O drag da Nova Zelândia e Austrália são semelhantes, mas diferentes, o que é bom ver as comparações. Mas os kiwis estão definitivamente se segurando e eu não poderia estar mais orgulhosa.

Entendo. Você tentou se inscrever para esta franquia?

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Eu estava pronta para a primeira temporada, mas acabei perdendo. Acho que minhas pernas eram muito longas para caber na tela, então espero ter uma chance para a segunda temporada ou vou cortar uma perna fora.

São mais de 13 anos de experiência teatral. Como o teatro entrou em sua vida e quando você percebeu que amava atuar como ator/atriz?

Comecei a dançar quando tinha cinco anos de idade, então foi realmente uma progressão natural para mim acabar no teatro rodeado por pessoas criativas com as mesmas ideias. Crescendo em uma pequena cidade rural de Feilding não havia muito o que fazer e felizmente o teatro me encontrou. Minha primeira performance de drag de verdade foi no papel de Gavin em uma produção de teatro local de Ladies Night (pense Full Monty) com minha mãe e meu pai quando eu tinha 14 anos e o resto é história, olhe para ela agora! Sou muito grata por aquelas pessoas que ajudaram a me dar um espaço seguro para ser eu mesma e descobrir quem eu era. Quem sabe onde eu teria ido parar?

Já faz pouco mais de um ano desde a estreia da segunda temporada de House of Drag, exibida a partir de 1º de fevereiro de 2020. Quando você ouviu falar sobre o programa pela primeira vez?

Eu vi a primeira temporada quando voltei para a Nova Zelândia quando meu pai ficou doente. Eu queria tanto ter sabido sobre isso antes. Fiquei muito feliz em ver que a TVNZ, junto com Kita e Anita, criaram um espaço para mostrar, amar e desfrutar do drag da Nova Zelândia de todos os tipos.

Você apareceu em House of Drag no episódio quatro, ganhou três desafios e esteve três vezes entre as duas piores. Quando você assiste sua temporada, qual análise você faz de sua participação?

Eu sei que isso foi uma montanha russa para cima e depois para baixo! Foi definitivamente uma das coisas mais difíceis que eu fiz, ainda mais pelo impacto emocional que você não espera (eu estava bastante emocional às vezes). Eu acho que com qualquer artista você é o seu pior crítico. Penso que fiz um ótimo trabalho, eu estava entretendo, eu era real, eu me diverti. Alguns dos meus looks e maquiagem poderiam ter dado certo. Mas você tem que continuar se mexendo, evoluindo e aprendendo. E a forma como drag se transformou nos últimos dez anos foi enorme.

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House of Drag, por enquanto, tem apenas duas temporadas. Como reality show, quais foram os erros e acertos deste programa?

Eu não acho que ele cometeu algum erro. Realmente, parte do elenco poderia ter sido alterado, mas essa é apenas minha opinião pessoal. Eu conheço muitas rainhas e reis fantásticos da Nova Zelândia que fiquei surpresa em não ver. Mas eu acho que todo o programa é o que é e ser capaz de dar aos artistas kiwi a chance de brilhar foi um grande passo para o nosso pequeno país.

Uma vez vi em seus Stories do Instagram você falando sobre o lançamento do seu primeiro single, mas até onde verifiquei, ele ainda não foi lançado. O que aconteceu? Você pretende lançar uma música?

Risos! Eu lancei a música no meu Instagram, mas não sou muito boa com todo o lado técnico de colocar a faixa no Spotify ou iTunes, etc. Eu também ganhei o lockdown aqui na Nova Zelândia, então isso tornou as coisas muito mais difíceis. Estou sempre trabalhando em escrever, logo, no futuro lançarei algo, mas não tenho certeza de quando.

Se você pudesse formar um grupo pop feminino com mais quatro drag queens, quem você escolheria e por que motivo? Qual seria o nome do grupo?

Essa é uma questão muito interessante!

Tenho várias assim, haha!

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Eu teria que colocar minha irmã Chernobyl Jackzon nele, você tem que ficar com a família! Mas então eu acho que recentemente vimos algumas grandes cantoras de poder nas últimas temporadas de RuPaul’s Drag Race, portanto, eu teria que colocar Jan e Rosé no grupo, com Symone também para um pouco de sabor! Este seria o vencedor para mim, acho que nosso nome seria Lady Lumps.

Qual é o maior erro que as pessoas cometem sobre uma drag queen?

Eu acho que às vezes as pessoas pensam que drag e sexualidade andam de mãos dadas. Mas é completamente o oposto. Somos como um jogador de rúgbi ou âncora de notícias ou qualquer pessoa que trabalha com uniforme. Acontece que strass e lantejoulas apenas são os nossos. Colocamos e depois retiramos. Eu também acho que os homens na comunidade gay parecem não querer namorar homens que são artistas de drag por serem vistos como menos homem.

Um preconceito estúpido que persiste, infelizmente!

Mas eu digo a você agora que todos nós somos mais homens do que qualquer homem. Nós caminhamos em face da adversidade de frente e se você pode fazer aqueles saltos de 6 polegadas por 13 horas, então … Você é o cara!

Se você pudesse trocar de corpo com uma drag queen por um dia, estando ela viva ou não, quem você escolheria? Qual será a primeira coisa que você fará neste novo corpo?

Eu teria que dizer lendas como a fabulosa lenda neozelandesa Carmen Rupe, que realmente lutou por nós na Nova Zelândia e Austrália, nos anos 70, para sermos nós e vivermos nosso eu autêntico. É por causa de seus sacrifícios que nós, como drag queens e irmãs trans, estamos aqui hoje. A primeira coisa que eu faria no meu novo corpo é levar meus peitos para um passeio, ela tinha um peitão fantástico.

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>  DragCon NY 2018 | Destaques do 1º Dia
>  DRUK S1 | Entrevista: Divina de Campo

Deu tempo para a Rhubarb Rouge te ensinar algo sobre o Brasil?

Infelizmente, minha irmã de Palmerston North foi para casa no episódio antes de eu chegar, então realmente não aprendi nada sobre o Brasil além do fato de que ela gosta de nozes! Os homens peludos!

Ela também foi minha entrevistada aqui na coluna.

Para finalizar, gostaria de agradecer a todos que me apoiaram em minha vida. Eu nunca teria feito ou alcançado as coisas que tenho se não fosse pelo amor e apoio da minha família, amigos e fãs. Espero poder inspirar os jovens de amanhã a serem eles mesmos, viver a vida de acordo com suas próprias regras e serem reais. Ninguém gosta de algo falsificado, a menos que seja uma Louis Vuitton.

Siga Spankie Jackzon no Instagram, Facebook e YouTube.

Para ler outras entrevistas exclusivas do Who’s That Queen clique aqui.

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