The Vixen fala com Shea Coulée sobre os fãs racistas de Drag Race e a vida na América de Trump

Nos dez anos em que RuPaul's Drag Race vem arrasando na TV, nunca houve uma rainha como The Vixen.

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Durante sua temporada na décima temporada do show, a artista de Chicago entrou em conflito com rainhas como Aquaria e Eureka O’Hara e, como resultado, “levantou o véu” sobre a forma como as drag queens de cor são tratadas pela base de fãs. Desde que passou pelo programa, ela recebeu muitos elogios de fãs e ex-participantes de Drag Race, e tem sido referida como uma das rainhas mais influentes no história do show. Aqui, The Vixen fala com a finalista da temporada nove, Shea Couleé, sobre seu aclamado show Black Girl Magic, o racismo no fandom de Drag Race e como a mídia “nos” treina para não confiar em pessoas de cor.

Shea Coulée: Vamos começar casual. Como você descreveria quem é The Vixen?

The Vixen: The Vixen é uma deusa super-heróina de Wakanda.

SC: Sim! Por que você escolheu o nome “The Vixen”, e o que isso simboliza para você?

TV: O dicionário irá dizer-lhe que “vixen” significa mulher “briguenta” [risos]. Mas também é o nome de uma raposa fêmea. Ela apenas incorpora todas essas coisas, e há até mesmo um herói da DC chamada The Vixen, e ela é uma supermodelo durante o dia e uma princesa guerreira africana à noite. Então, continua funcionando!

SC: Isso é como uma marca.

TV: Né?? Eu não poderia ter pedido uma construção melhor de marca. É divertido evoluir com o nome e encontrar mais coisas com as quais me identifico.

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SC: O que você diria que é o maior equívoco que o fandom de Drag Race tem sobre você?

TV: As pessoas quase esperam que eu seja malvada, o que está longe da verdade. No show, eu era muito vocal sobre minhas emoções. Se eu não gostar de algo, você saberá sobre isso. Shea, você sabe disso por me conhecer, eu sou mole e fico super emotiva, especialmente sobre irmandade. Eu acho que o show mostrou muito do meu lado zangado, ou quando eu era apaixonado por algo, e isso não significa que eu sou difícil de trabalhar, e isso não significa que eu não vou ser legal com você. Nos meet & greet, as pessoas sempre ficam chocadas sobre o quão amigável e aberta eu sou. Eu fico tipo “Eu não assusto uma vadia!”

SC: [Risos] Olhando para trás, quais são seus pensamentos sobre a 10ª temporada?

TV: Eu sinto que fui muito aberta e inovadora para os fãs. Isso puxou muito a cortina e eu acho que as pessoas começaram a pensar em nós como pessoas. As rainhas de Drag Race são tratadas como uma mercadoria, “deixa eu tirar uma foto”. Os fãs nem param para falar com você, eles só querem tirar uma foto. Eu acho que a 10ª temporada mostrou muita história, coragem de verdade, e nós levantamos o véu. Nós não somos apenas estas Glamazons, nossas vidas são muito interessantes e todas nós viemos de origens muito diferentes, então eu acho que isso deu às pessoas um olhar para o lado humano das drag queens.

SC: Eu acho que de muitas maneiras, você realmente levantou o véu em como as rainhas de cor são tratadas no programa pelo fandom. Entendemos como é surgir em nossa própria comunidade em Chicago, de forma que a comunidade pode ser realmente segregada, e devo dizer que tomei conhecimento de seu ativismo, eu diria há três anos quando fizeram o comentário “Southside Trash” [lixo sulista]. Você se importaria de falar sobre isso e um pouco do passado, porque levou a tantas coisas boas, como Black Girl Magic.

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TV: Houve um barman que disse que o “Southside Trash” [lixo sulista] arruinou o Parada do Orgulho LGBT em Chicago. Ele também passou a dizer que lésbicas e garotas heterossexuais arruinaram a Parada, e basicamente declarou que apenas homens gays brancos eram bem-vindos. Isso foi um gatilho instantâneo para mim o que me levou a usar o “Southside Trash” nas minhas camisetas, e para as pessoas que não sabem, o Southside [região sul] de Chicago é predominantemente preto. Então o que o cara estava realmente dizendo era que os negros não são bem-vindos ao à Parada Gay. Eu cresci como um jovem gay negro que só se sentia seguro se expressando no Northside  [região norte] da parada do Orgulho LGBT. Foi triste, porque esse era o único lugar que íamos, para sermos negros e gays. Foi triste não me sentir bem, mas realmente acendeu um fogo em mim e eu comecei a fazer performances mais políticas e ser mais sincera sobre essas coisas, porque isso afetou a mim e às pessoas que eu amava. No aniversário de Dida Ritz, onde ela tinha todas as drag queens pretas para fazer uma sessão de fotos, foi a primeira vez que todos estivemos juntos no mesmo lugar. Isso realmente despertou a idéia em todos nós que queríamos trabalhar juntas. Então, quando Shea voltou de Drag Race, eu corri até ela e disse: ‘Eu tenho esse show, Black Girl Magic, eu realmente preciso de você para ser parte dele!’ Você pulou no projeto, e nós fizemos algumas apresentações lendárias que realmente falavam para a nossa comunidade e foi aberto para as pessoas brancas em nossa comunidade, e isso no fez nos sentirmos apreciadas de uma nova maneira. Agora é um show mensal em Chicago que tem inspirado por todo país mais shows que focam em pessoas de cor.

SC: Absolutamente. Eu quero voltar para a 10ª temporada, agora que nós sabemos um pouco do seu passado. Nós focamos em como você levantou o véu sobre o tratamento das rainhas de cor pelos fãs, mas como você se sente sobre sua edição no programa?

TV: As edições são sacanas. Logo no início da temporada, o show me deu um enredo bem redondinho. Você pode me ver feliz e triste, e eu acho que quando o show começou a preparar minha eliminação, eles mostraram menos dos aspectos bons e mais mau. É o trabalho deles, porque eles tem que justificar suas eliminações, mas eu acho que isso definitivamente é prejudicial para todos nós e para nossas carreiras quando o show cava o túmulo para nós. Muitas rainhas voltam para casa, com a percepção de que são péssimas artistas ou má drag queens, quando a verdade é que talvez tenham tido um dia ruim. Eu acho que minha edição definitivamente levou a alguns equívocos, mas eu recebo muitas mensagens dos fãs dizendo que eles reassistirma a temporada, e eles consideram isso mais como um grão de sal, por terem me conhecido pessoalmente. Não sei dizer o que a edição pretendia fazer, mas acho que estou fazendo um bom trabalho para mudar a mente das pessoas.

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SC: Você falou sobre o Reunited, e todos nós vimos o clipe de você saindo do set. A única garota que conheço, na história da Drag Race, foi embora! Eu adoraria ouvi-la resumir seus sentimentos naquele momento e por que você escolheu sair.

TV: Isso é o que eu chamo de recuperar minha mente. Eu fui para o Reunited, querendo celebrar as coisas boas que aconteceram a partir da minha experiência. Fui votada nas listas “mais influentes” por causa das coisas que falei no programa, e recebi muito amor e apoio da comunidade por abordar tais questões. Essa parte da minha experiência foi realmente ofuscada durante a entrevista, e ficou muito claro que seria uma caça às bruxas. Eu não mereço isso, e não precisava ficar por perto.

SC: Houve algo que você disse antes de sair, onde as pessoas estavam falando sobre como você lidou com Eureka. Você disse: “Todo mundo fica me dizendo como reagir, e ninguém está dizendo a ela como agir”.

TV: Na maior parte do tempo, em vez de corrigir ações que precisam ser corrigidas, tentamos silenciar as pessoas que foram vitimadas, porque é quase mais fácil dizer a alguém para ficar quieto do que dizer a alguém para se comportar. É triste, porque é preciso muita coragem para as pessoas defenderem alguém, especialmente em questões que não as afetam diretamente. As pessoas têm medo de fazer isso ou se sentem desconfortáveis ​​com isso, então acabamos silenciando as pessoas que precisam da nossa ajuda.

SC: Eu acho que na maioria das vezes isso tende a acontecer com as rainhas de cor, porque as coisas sobre as quais estamos falando são racismo dentro do fandom e da comunidade drag. Sendo este um espetáculo centrado em identidades queer, você acha que os fãs teriam uma saída mais inclusiva. No entanto, eles não tem. O que você diria que são alguns dos maiores desafios que rainhas de cor enfrentam vivendo em uma America do Trump?

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TV: Kennedy Davenport disse bem: “A luta é real!” As pessoas não percebem que drag é sobre identidade, e então rainhas de cor, quando começamos a apresentar nossa persona drag, a primeira coisa que você vai notar é que nós somos de cor. Neste país, com essa mídia, somos ensinados a não confiar nos negros. Vemos filmagens nos noticiários todos os dias, vemos estereótipos que não nos representam como uma comunidade e ensinam as pessoas a favorecer as rainhas brancas e as pessoas brancas em qualquer situação. Então, se houver uma discussão, você já está treinado para não acreditar na pessoa de cor. Mesmo quando se trata de passarelas, você pode ter alguém como Willam usando um par de jeans e uma camiseta branca, e parecer um anúncio da American Apparel, mas se Dida Ritz fizesse a mesma coisa, ela seria rotulada como “favelada” ou “não polida”. É literalmente a mesma roupa, mas a percepção da América é tão grande contra nós.

SC: Absolutamente. Esta entrevista é para a edição de outubro da Gay Times, que sai durante o Black History Month [Mês da História Negra] do Reino Unido. O que a BHM significa para você pessoalmente?

TV: É muito importante, porque quando você nasce nos EUA, você é ensinado que você vem de uma comunidade desprivilegiada que foi vendida como escrava. Isso é algo que aprendemos em uma idade muito jovem. Agora, quando eu chego à BHM todos os anos, tento me concentrar mais em de onde viemos e nas coisas incríveis que fizemos, e não apenas nas tragédias que nos aconteceram ao longo da história. É importante ensinar, especialmente às crianças de toda a BHM, que somos grandes e podemos fazer grandes coisas, e não somos definidos pelas coisas horríveis que aconteceram conosco.

SC: Concordo. 100%. Isso tudo foi realmente incrível. Estou tão feliz por você e tão orgulhosa, e muito feliz em chamar você de irmã. Fico feliz em ver o que o futuro reserva para a The Vixen.

TV: Muito obrigada. Você sabe que eu te amo e fico feliz por termos feito essa entrevista juntas. Você, mais do que qualquer uma, tem uma percepção tão grande sobre mim e meu crescimento, e você tem me ajudado tanto a chegar a esse ponto. Eu te amo garota, estou tão feliz que fizemos isso.

Via Gay Times

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