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Drag Queens

Who’s That Queen? Jessica Wild

“Gostaria que mais pessoas da nova geração pudessem me conhecer. Tenho mais a oferecer”, afirma Jessica Wild nesta entrevista exclusiva para a Who’s That Queen?

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🕓 9 min de leitura

Caro leitor, pegue o seu melhor copo para shot e se prepare, porque hoje você brindará com Berri… Aça… Caqui? Berri Aça o quê? Aquele drink que você e ela amam! Isso mesmo, Absolut Vodka Berri Açaí. Um escândalo, assim como é a convidada de hoje da Who’s That Queen?

Única latina do elenco da segunda temporada de RuPaul’s Drag Race, exibida de primeiro de fevereiro à 26 de abril de 2010, Jessica Wild saiu da competição em sexto lugar, participou de oito dos seus 12 episódios e, melhor do que isto, soube se fazer ser lembrada. Mas como tudo começou?

No dia 10 de junho de 1980, José David Sierra, caçula de três irmãos, nasceu em San Juan, Porto Rico, porém, é criado em Caguas, também no arquipélago. Enquanto cresce, a fantasia de estar no palco, se apresentando como uma super estrela, passa a ser recorrente em seus pensamentos.

Ao perceber as inclinações artísticas de José, sua mãe, atenta, o matricula para fazer aulas de dança, música e atuação, experiências que, anos mais tarde, em 1999, quando ele tinha 19 anos, foram bem úteis. É aqui que drag entra em sua vida.

Certo dia, na companhia de dança da qual fazia parte, a bailarina principal faltou por motivos médicos. Todos os seus colegas pediram para que José a substituísse, porém, com um detalhe a mais: em drag. O evento, importante para a equipe, tornara-se emblemático: Jessica Wild debutou. A princípio, nesta época, para José, drag consistia em diversão e expressão artística, sem maiores pretensões.

Com sua persona drag criada, José pode romper os próprios limites, afinal, como drag queen, percebeu que poderia ser tudo que é só de uma vez: bailarina, maquiadora, atriz e cantora, algo natural para quem alimentou o sonho de ser um cantor de rock ou dançarino reconhecido, e que percebeu que drag seria a plataforma para tudo isto ao mesmo tempo. E mais.

Tempos depois, o ano de 2009 ganharia destaque no calendário afetivo de Jessica: é quando ela grava a segunda temporada de RuPaul’s Drag Race, uma experiência que lhe fez perceber que drag é, de fato, sua vocação, e que ela poderia contar com o público, como demonstrado, na época.

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Diferente de suas 11 concorrentes no programa, que entraram nele escolhidas pela produção, Jessica venceu uma votação online no site RuPaulCasting.com para fazer parte da competição. Neste ponto, Esmeralda, sua empresária na época, moveu todos os esforços possíveis para que ela ganhasse o maior número de votos, dentro e fora de Porto Rico. Na internet, a divulgação acontecia no MySpace. Aqui mora uma coincidência interessante: no ano anterior, a drag campeã desta mesma votação foi Nina Flowers, também latina, como Jessica.

Se isto por si só já é intimidador, afinal, Nina sagrou-se vice-campeã em sua temporada e nunca dublou por sua vida, imagine saber que, como foi divulgada maciçamente a campanha de Jessica para participar de RuPaul’s Drag Race, todo mundo já a conhecia, porém, o elenco da temporada havia sido divulgado seis meses antes, em setembro de 2009, o que fez com que Jessica passasse todo este período se esquivando de perguntas sobre o que aconteceu no programa. E, como você bem sabe, não foi pouca coisa, não.

O primeiro Snatch Game aconteceu nesta temporada, na qual, diferente de hoje, basicamente a maioria não sabia da importância de usar um bordão ao entrar na sala de trabalho. A tradição de escrever uma mensagem no espelho, após a eliminação, começa aqui, com Shangela. As referências eram poucas e as dificuldades, para Jessica, começavam a surgir.

Na época das gravações de sua temporada, ela não vivia sua melhor fase financeira, o que a atrapalhou. Além disto, a barreira do idioma era outro desafio constante, tão árduo quantos os desafios propostos por RuPaul.

Como nenhuma de suas colegas de elenco falava espanhol e Jessica não queria incomodar suas irmãs, ela chegou, diversas vezes, a ficar calada quando não entendia algo, o que era um gatilho para o desespero, devidamente combatido sempre que surgia.

Mesmo em meio a um cenário que parecia desfavorável, Jessica conseguiu registrar um histórico interessante, no qual só esteve no bottom uma vez, sendo sempre salva ou ficando entre as melhores. No episódio seis, “Rocker Chicks”, o primeiro da história do programa com desafio de música ao vivo, as drags tiveram que cantar um cover roqueiro de Ladyboy, de RuPaul.

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Jessica garantiu sua única vitória na competição, porém, com valor especial: ela já se apresentava com uma banda em Porto Rico antes do programa e, naturalmente, tinha altas expectativas sobre este desafio. Musicalmente, Jessica é inspirada por nomes como Madonna, Gloria Stefan, Olga Tañón, Mónica Naranjo e Thalía. Com Ricky Martin ela gostaria de gravar “Living La Vida Wild”. David Guetta é outro artista com quem colaboraria, mas voltemos ao programa, nosso assunto principal…

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Infelizmente, no episódio seguinte, o sétimo, após dublar pela primeira vez contra Tatianna, como consequência do famoso desafio do livro e do drink, Jessica é eliminada do programa e aprende que é uma pessoa poderosa, que não deve ter medo de nada e que seu coração é à prova de balas.

Uma reflexão interessante para quem conseguiu vencer, como latino, em uma indústria dominada pelo inglês. Nos Estados Unidos, Jessica não apenas repensou o que é ser drag queen, como finalmente aprendeu a língua dominante, aperfeiçoada quando morou em locais como Boston e Los Angeles.

O medo de dar entrevistas, de falar inglês nos tapetes vermelhos, ficou para trás. A Jessica de hoje, “a escolha do povo”, virou uma versão muito mais poderosa e consciente de si mesma. Esta repaginada é fruto de turnês ao redor do mundo, shows diversos e aquele elemento que só o tempo pode dar ao artista: maturidade.

Atualmente aos 40 anos e 21 como drag queen, Jessica ostenta um currículo extenso, que também inclui dois singles: “You Like It Wild”, com Ranny, de janeiro de 2011; e “Absolutely”, lançada em 2013, entre outras músicas gravadas para projetos especiais. E é justamente a música o assunto que inicia a entrevista logo abaixo, disponível na íntegra. Confira!

Você tem a oportunidade de formar um grupo pop de garotas com mais quatro drag queens. Quem você escolhe e por quê?

Para um grupo pop de garotas eu escolheria Yara Sofia, Cynthia Lee Fontaine, Alexis Mateo e April Carrión. Gostaria de um grupo bem latino com bastante sabor! Tenho um relacionamento ótimo com as meninas e sei que nos divertiríamos muito juntas como sempre fazemos. Além de que, elas dançam, cantam, sabemos como iluminar a festa. Elas são minhas irmãs Boricuas!

Na segunda temporada você venceu o desafio principal do episódio seis, de canto. Quando você avalia seu desempenho, como o analisa?

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Na segunda temporada, quando venci o desafio de cantar ao vivo “Rocker Chicks”, para mim foi como se tivesse ganhado a coroa. Fiquei muito feliz por finalmente ter a oportunidade na competição de mostrar quem realmente é Jessica Wild. Cantar e fazer show são minhas paixões. Eu estou muito satisfeita com tudo o que fiz e muito orgulhosa de fazer parte da família RuPaul’s Drag Race.

Gloria Trevi, Selena, Jennifer Lopez, Lady Gaga, Pabllo Vittar e Ricky Martin são alguns dos cantores que você escuta. Você montaria uma playlist para nós com uma música de cada um deles?

Eu amo a música. A música é minha vida! Uau, são muitas as canções que posso escolher de cada artista, mas vou dizer com qual delas me identifico mais:

  • Gloria Trevi: “Todos me Miran”
  • Selena: “Como La Flor”
  • Jennifer Lopez: “Let’s get Loud”
  • Lady Gaga: “Bad Romance”
  • Pabllo Vittar: “Flash Pose”
  • Ricky Martin: “Living La Vida Loca”

Também quero adicionar Monica Naranjo com ” Sobrevivire” porque é uma das minhas maiores inspirações.

“You Like It Wild” e “Absolutely” são seus dois singles até o momento. Como foram as gravações? Você lançará mais singles? “Absolutely” voltará para o Spotify? Nem no YouTube tem a versão completa, uma pena!

Sim, desejo lançar mais singles musicais porque a música é o que eu realmente quero me dedicar. Trabalharei nisso este ano. Embora o processo de fazer música às vezes seja complicado, eu gosto muito. Com meu single “Absolutely”, pelos direitos dos produtores, eu não acho que o terei no Spotify novamente, mas em breve lançarei novas músicas e vídeos.

Finalizando a parte musical: como surgiu o convite para fazer um dueto com Fedro in Maquillaje? Seu nome não é creditado no Spotify.

Fedro é um dos meus grandes amigos e eu o admiro muito como artista. A ideia de nos reunirmos e fazermos um dueto surgiu da nossa boa química e paixão pela música e pelo extravagante. Meu nome não aparece nos créditos, mas não tenho nenhum problema com isso. Você aprende com experiências boas e ruins. Um próximo dueto estará meu nome e muito grande. Isso eu te garanto.

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Você dança desde 1997, correto? O que mais te atrai neste universo? Quais são os três momentos da sua carreira como bailarina que você considera os maiores?

Em 1996 comecei a ter aulas de dança e aos 97 já fazia apresentações profissionais. Meu primeiro amor artístico foi o desenho e meu segundo amor foi a dança. Com a dança eu consigo expressar emoções e isso também é bom para minha condição física. Me abriu muitas portas para o teatro e a TV. Meus três maiores momentos foram quando entrei em uma das companhias de dança mais importantes de Porto Rico chamada Bailos; quando comecei como dançarina em um programa de televisão chamado “El Super Show”, e quando me tornei professora de dança nas escolas “El Instituto Creativo De Las Artes” e “Artistico”. De verdade, para falar sobre meus anos como bailarino, teríamos que fazer outra entrevista completa sobre este assunto, risos! Foram tempos lindos que me ajudaram a evoluir como artista.

Não consigo não pensar em você no All Stars 6. Também lhe marquei nas redes sociais, em posts sobre quem a pessoa quer ver no elenco, assim como fiz com Jade. Que surpresas a Jessica terá para mostrar? Você concordaria em participar?

Sim, aceitaria participar do All Stars se chegar um momento da minha vida em que eu sinta que quero. Não sou a mesma Jessica de 11 anos atrás. Como artista eu cresci muito e como pessoa também. Gostaria que mais pessoas da nova geração pudessem me conhecer e também fazer elas felizes e agradar a todos que desejam me ver de volta à competição. Tenho mais a oferecer.

Lembro de algumas publicações e comentários seus sobre o Canada’s Drag Race. Você realmente curtiu a temporada. O que e quem você destacaria?

Canada’s Drag Race tem tanto talento! Isso me lembra as primeiras temporadas de Drag Race porque as garotas agem de forma muito natural e mostram que têm fome de sucesso e de serem reconhecidas internacionalmente. Eu amo Jimbo, Scarlett BoBo, Rita Baga, entre outras. São super criativas e divertidas! Mas Priyanka me conquistou com sua personalidade, seu estilo e a maneira como está levando seu título de rainha é admirável. Ela está dando tudo!

Jessica, como você descreveria a cena drag de Porto Rico? Se houvesse Jessica’s Drag Race, quais drags certamente participariam?

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Porto Rico sempre se destacou por ter drag queens muito boas e isso é um fato real. Na ilha um show completo é sempre apresentado como se fosse Broadway, mesmo que você esteja em um bar. É muito sério. Se eu pudesse fazer um Jessica’s Drag Race seria um escândalo total! Há muitas meninas que eu adoraria ter e com muito talento, que não tiveram a oportunidade que as conheçam internacionalmente e gostaria de dar a elas essa oportunidade. Para mencionar algumas: Queen Bee, Rochelle Mon Chéri, Alyssa Hunter, Amalara Sofía, Angelina Bee, Amelia Méndez, entre muitas mais. Tenho uma longa lista. Vamos ver se lanço meu próprio show.

Infelizmente é comum ouvir relatos de xenofobia e preconceito de americanos sobre a comunidade latina em geral. Você já passou por algo assim? O que você gostaria de dizer às pessoas que pensam desta forma preconceituosa?

Sim, senti xenofobia principalmente porque o espanhol é minha primeira língua e moro nos Estados Unidos. A realidade é que estamos aqui e há muitos latinos com costumes e tradições diferentes e que é preciso aprender a respeitar. O planeta não gira apenas em torno dos Estados Unidos e as pessoas estão acordando. Os latinos estão se fazendo sentir em todas as partes do mundo!

Jessica Wild na DragCon LA 2018

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Agora mesmo, aqui no Brasil, nossa comunidade LGBTQIA + está passando por maus bocados com Jair Bolsonaro como presidente. Ele é fascista, imprudente, odeia a diversidade e saúda ditadores, além de ser amigo de Trump. Que mensagem você gostaria de enviar?

A mensagem que posso dar a qualquer ditador homofóbico é não encorajar mais o ódio. Chega de tanto ódio. Precisamos de líderes que nos respeitem a todos igualmente.

Para concluirmos: pelo que percebi nas redes sociais, sua relação com o Brasil é afetiva. Quando você veio aqui pela primeira vez, quais foram suas primeiras impressões? O que você viu aqui que te faz ter vontade de voltar ao Brasil?

Eu amo o Brasil! Sempre sonhei em me apresentar no Brasil. No primeiro dia que cheguei me apaixonei por seu povo e sua beleza. O Brasil me faz sentir muito amada. São Paulo e Rio de Janeiro são lindas e o festival latino tem sido uma das mais incríveis experiências da minha vida. A energia e o amor dos fãs brasileiros são ótimos e me fazem querer voltar e ficar para sempre no Brasil! Muito em breve voltarei, prometo.

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