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Cultura

Titãs | Resenha | Um mergulho no mundo dos heróis

🕓 5 min de leitura

Sombria e nada realista, a primeira série em live action do serviço de stream da DC Comics, o DC Universe, chega ao público internacional pela Netflix e movimenta o publico geek da internet. A aventura é baseada nas histórias e personagens da equipe dos quadrinhos originalmente criado para reunir os ajudantes dos principais heróis da editora criadora do Batman.

Com o tempo a equipe foi reformulada nos quadrinhos, agora abrigando novos personagens e vilões, um cânone consagrado e duas animações muito populares que ajudaram a tornar a equipe popular entre os não leitores. Bebendo de duas fontes atuais, o sucesso das animações e a onda de produções baseadas em quadrinhos, a DC tem sua estreia no universo dos streams com uma escolha  segura e bem produzida.

Nosso primeiro contato com o material da série aconteceu meses antes de sua estreia, uma foto vazada dos bastidores mostrava os personagens principais , alguns deles bem

diferentes das animações e HQs. Isso criou uma revolta por parte de alguns fãs e alguns casos de racismo contra a interprete da personagem Estelar, a maravilhosa Anna Diop. O fato aconteceu por conta da caracterização destoante da personagem, que originalmente possuía a pele laranja por ser uma alienígena, porém é preciso levar em conta que é uma produção dirigida para a TV e casos em que a Estelar estaria andando em público sem ser facilmente notada, como acontece em outros veículos, seriam extremamente difíceis de serem passados com naturalidade.

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Toda essa reação negativa desapareceu no primeiro episódio da série, que já podemos considerar uma das melhores da DC. Um piloto apoteótico e cheio de fan services deu o ponta pé necessário para uma estreia aclamada pelos fãs, nele somos introduzidos ao tom sombrio e violento da série, mas também ao surrealismo demoníaco da Ravena e as cenas de ação divertidas da Kory, nossa Estelar.

Quanto a atuação, os intérpretes dos personagens principais entenderam muito bem o que deveriam passar, dando destaque ao Brenton Thwaites que nos entregou um carismático Dick Grayson e um Robin revoltado com o rumo que sua jornada ao lado do morcego de Gotham o levou.

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A narrativa é focada em nos apresentar personagens e por isso tem sua história desenvolvida lentamente, uma base muito parecida com a da série ‘American Gods’, adaptação do livro de Neil Gaiman, enquanto o dorso da série é trabalhado temos episódios focados em apresentar o passado dos protagonistas e introduzir outros personagens. Dentre esses novos personagens conhecemos Columba e Rapina que possuem a missão de nos tirar da trama principal e nos afogar em dilemas humanos, que lembra diretamente o universo de ‘Watchman‘ apresentado por Zack Snyder nos cinemas, e cenas de luta corpo a corpo. Por outro lado, também entramos na mansão da Patrulha do Destino, dando um tom colorido e divertido a série, mudando totalmente o ritmo que conhecemos da história dos Titãs, esse episódio não foi nada mais que um backdoor para divulgar a próxima série do stream.

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Esses desvios no meio da série podem nos trazer uma sensação refrescante, o que é importante quando se lida com uma sensação de tensão por muito tempo, em contra partida uma vez que eles acabam não acrescentam muita coisa, o que não é exatamente um grande problema e sim uma característica particular da produção.

O que funciona na série

A forma com que as histórias se cruzam nos coloca no universo dos heróis, sem medo, de uma forma fantástica. O papel da Estelar foi escrito para ser badass e isso funciona, temos nossa queridinha e a internet já está muito curiosa para ver mais da Kory. No geral, todos os personagens são muito bem feitos e conceituados, como que a Ravena usa seus poderes, os dilemas que o Dick enfrenta e como eles usam outros personagens como Jason Todd e Donna Troy para uma experiência imersiva do mundo dos quadrinhos.

O que não funciona

Além de ser a primeira temporada, a série também é a primeira produção do stream ‘DC Universe’, por isso alguns episódios são grandes testes de interação e fórmulas narrativas. É compreensível querer saber onde se está pisando neste primeiro momento, mas isso custou alguns episódios abaixo da média. O personagem do Mutano precisou ser um pouco apagado em relação aos outros, é compreensível quando temos muitas histórias que um ou outro personagem fique sem sua luz, agora a série tem um grande desafio de resolver como ele se transformará de maneira prática e como ganhará o público.

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Em suma, temos uma série que cumpre seu papel em entreter e entregar algo acima das produções da CW, como ‘Flash’, ‘Arrow’ e ‘Supergirl’, que são focados para um publico jovem e contam com um apertado orçamento de TV aberta. Em Titãs, contamos com efeitos visuais bem estruturados e realizados de forma satisfatória para uma produção televisiva. Na parte do figurino é impossível não comentar sobre o uniforme do Robin e as roupas da Kory que por outro lado contrastam com os outros personagens e chamam atenção de uma forma irônica.

Desenvolvimento da maioria dos personagens, muito fan service e entretenimento garantido, a produção de encher os olhos já um grande sucesso. Alguns erros reconhecíveis puxam a série para baixo, caso ela tivesse menos episódios, evitando seus fillers, seria algo constante e denso. Os grandes desafios da segunda temporada, confirmadíssima, são resolver o final da primeira, fundar a equipe e nos dar mais personagens poderosos, quem viu a cena pós crédito já sabe o que esperar.

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Se é possível dar uma nota para a melhor produção televisiva da DC comics não poderia ser nada menos que um merecido 4 de 5 coroas!

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