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II Festival NoiteSuja reúne performance drag, arte e música

Com tema “Identidades Transformadoras”, a programação nos dias 26, 27 e 28 de março inclui palestras, bate-papos e apresentações artísticas, pautando a diversidade e a acessibilidade.

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🕓 4 min de leitura

Sarita Themônia (Foto por Kazu)

O “II Festival NoiteSuja – Identidades Transformadoras” vai reunir 17 artistas paraenses LGBTQIA+ da arte drag, da dança, da performance, da música e do teatro em um evento virtual e gratuito, pautando a diversidade e a acessibilidade.

A programação será transmitida nos próximos dias 26, 27 e 28 de março, sempre às 20h, com interpretação em Libras e legendas em português, pelo canal do Youtube do coletivo NoiteSuja – movimento que surgiu em Belém, descrito pela drag queen paraense Shayra Brotero como “corpos que se unem em ‘megazord’, formando muitas vozes em um só corpo, na luta para reivindicar vários dizeres”.

Para Matheus Aguiar, um dos produtores do festival, o evento quer promover formação, encontros e articulações, debatendo temas ligados à LGBTQIA+fobia, racismo, misoginia e gordofobia, a partir de identidades subjetivas e como elas se constroem e se transformam através da arte.

“A gente tem pensado esse tema durante toda nossa trajetória enquanto movimento, para dizer que drags não servem somente ao entretenimento. São corpos múltiplos, negros e negras, mulheres, pessoas gordas, periféricas, etc. Então, esse festival é como se fosse um memorial para o público poder assistir quando quiser e saber mais sobre essas identidades, como elas se transformam, principalmente através da arte drag, que é a forma em que nós, enquanto coletivo, conseguimos comunicar nossas subjetividades, urgências, enfim, a nossa diversidade, que é essencialmente amazônida”, conta Aguiar, que é produtor cultural, designer e dá vida à drag queen S1mone.

“O festival então foi pensado para ser divertido, mas também fazer pensar, expor que a nossa visão de mundo, enquanto população LGBTQIA+, não precisa ser só de dor, mas também de micro revoluções e transformações que nos fazem sentir completos no fazer artístico-cultural e representados na sociedade”, ele comenta.

Maruzo Costa, produtor cultural que encarna a drag queen Tristan Soledade, conta que a produção em meio à pandemia de Covid-19 distancia presencialmente o público cativo dos ‘rolês’ NoiteSuja, que costumam tomar conta de boates e até espaços públicos de Belém (PA), como a Feira do Açaí, o Parque de Diversões ITA na época do Círio de Nazaré, entre outros. Mas, ele acredita também que, dentro das atuais condições de distanciamento social necessário, o ambiente virtual pode levar o movimento de drags “Themônias”, como se autodenominam, para muito além.

“Produzir esse festival com uma boa estrutura está sendo muito gratificante. Eu costumo dizer que todos os nossos eventos, não importa o tamanho, a quantidade de investimento, eles sempre envolvem o mesmo empenho, a mesma paixão. Então, esse é o momento de produzir também, mas envolver outras ações para depois, buscar alcançar sempre mais pessoas. Quem conhece o que é NoiteSuja sabe qual é o nosso propósito, de que nunca foi só sobre a gente, é sobre todos”.

O festival é premiado pelo Edital de Artes Visuais – Lei Aldir Blanc Pará, da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult) e Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, além de contar com patrocínio de Associação FotoAtiva e apoio da Comissão de Diversidade Sexual e População LGBTI da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB/PA); da deputada federal Vivi Reis (PSOL); e do restaurante Veg Casa.

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Xirley Tão (Foto por Kazu)

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Programação

Com apresentação da drag ‘Themônia’ Pandora Rivera Raia, os três dias de programação envolvem palestras, bate-papos e apresentações artísticas, em vários formatos. A cada dia também participam as idealizadoras do festival, as drags S1mone e Tristan Soledade, fazendo comentários para o público.

Na sexta-feira, dia 26,  o primeiro dia de festival inicia com painéis e palestras de atores sociais que fazem parte da trajetória do coletivo NoiteSuja. Shayra Brotero conversa sobre o tema “Processos da identidade negra através da arte drag”; Skyyssime sobre “A territorialidade no fazer Drag na Amazônia”; Sarita Themônia sobre “O descartável na arte Drag”; e Xirley Tão trata sobre “Teatro e comicidade na arte Drag”.

Já no sábado, dia 27, as atrações são Allyster Fagundes, que fala sobre “A arte Drag no ciberespaço”; Flores Astrais que aborda “O corpo travesti na arte Drag”; Gigi Híbrida relata sobre “Moda e produção sustentável na Amazônia”; e Brigite Liberté sobre “Corpo mulher – Corpo Themônia”.

E no domingo, dia 28, a programação oficial encerra com apresentação do bailarino Marco Antônio; show de discotecagem, performance e pirotecnia da drag Yndjah Báh; o show de performance corporal e dublagem das drags Bunny das Coxinhas e Pandora Rivera Raia; além de show musical de Helena Ressoa e de MC PokaRoupas.

II Festival NoiteSuja – Identidades Transformadoras

Datas: 26, 27 e 28 de março

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Hora: 20h

Transmissão: on-line e gratuita pelo canal do Youtube, clique aqui.

Sarita Themônia (Foto por Kazu)

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Sobre o coletivo ‘NoiteSuja’

O coletivo “NoiteSuja” iniciou em 2013 em Belém do Pará, idealizado pelos multiartistas Matheus Aguiar e Maruzo Costa, agentes multiplicadores da arte drag e de outros fazeres artísticos da comunidade LGBTQIA+ amazônica. Após quatro anos de experiências em casas noturnas, em 2017 realizaram o “1º Festival NoiteSuja” no Teatro Margarida Schivasappa, pelo Edital Pauta Livre; e em 2019, duas edições do “Atraque: Ato Político-Cultural Contra LGBTIfobia” nos Teatros Gasômetro e Margarida Schivasappa; apresentando artistas drags e da música em espetáculos gratuitos. Já realizaram exposição fotográfica no Casulo Cultural; mostra de vídeos no Sesc Boulevard; encontros em espaços públicos, como Ita Center Park e Praça da República; e mais de quarenta eventos para a comunidade paraense.

Bunny das Coxinhas (Foto por Kazu)

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