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Assista ‘Dinastia Drag’, nova competição drag na Amazônia

Produzido no Pará pelo coletivo NoiteSuja, Dinastia Drag apresenta quatro Casas Drag concorrentes, numa competição inédita em toda América Latina, que exalta a arte drag e produções artísticas da Amazônia. Com apresentação de Tristan Soledade e S1mone.

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🕓 4 min de leitura

Foi lançado em 12 de janeiro o mais novo reality show drag brasileiro. Produzido no Pará pelo Coletivo NoiteSuja, com patrocínio da Natura, o programa “Dinastia Drag” vai coroar e premiar com 10 mil reais a Casa Drag mais icônica na Amazônia, reunindo cinco famílias de artistas LGBTQIAP+ na competição.

A apresentação é feita pelas drags Tristan Soledade e S1mone no NoiteSuja, que pode ser acessado aqui.

As gravações dos episódios iniciaram em agosto, com a participação de 16 drags paraenses no Teatro Estação Gasômetro, em Belém. O programa promete uma viagem às referências e vivências amazônidas, totalmente conduzidas pela arte drag na Amazônia em desafios pensados no contexto da região.

Idealizado pelas drags paraenses Tristan Soledade e Brigitte Liberté, o reality show “Dinastia Drag” tem patrocínio da Natura, por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Pará (Semear). Há mais de 20 anos a Natura mantém um compromisso com a Amazônia, desenvolvendo negócios e produtos que promovam a economia da floresta em pé, além de fomentar iniciativas de valorização da cultura, da ciência e do conhecimento que integra pessoas, florestas e cidades de forma sustentável.

Maruzo Costa, produtor cultural que faz a drag Tristan Soledade e é diretor geral do projeto, explica que o reality é mais uma realização do Coletivo NoiteSuja que vai mostrar artistas paraenses em situações inusitadas, figurinos extravagantes e que representam a cultura do estado. Os episódios vão mostrar a desenvoltura de artistas drag na atuação, dança, dublagem, canto e em outras diversas linguagens artísticas.

“Recebemos várias inscrições, tanto de grupos que já têm histórico de atuação nas noites de Belém, quanto de grupos que se formaram para participar do programa. Priorizamos a forma como elas souberam se vender para a produção e analisamos o potencial de cada uma, individualmente, para pensar nas possibilidades de participação, na corrida pelo título”, detalha.

“O resultado foi um elenco extremamente diverso entre si, com sangue nos olhos para mostrar ao público como se faz arte drag de qualidade, de forma única e com muito respeito à trajetória de cada adversário ou adversária”.

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Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding, afirma que “a Natura apoia iniciativas diversas que geram impacto positivo na Amazônia há mais de 20 anos. Acreditamos que a cultura é um vetor de desenvolvimento. Entendemos a arte como uma ferramenta fundamental para construir um mundo mais bonito, resgatando identidades e saberes, valorizando a pluralidade e promovendo novos imaginários”.

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Universo drag e a multiplicidade artística na Amazônia

Maruzo Costa explica que o reality show busca “pensar as múltiplas possibilidades de mostrar ao mundo a potência da arte drag produzida na Amazônia, o que sempre foi uma meta do Coletivo NoiteSuja”.

“A paixão por reality shows e o envolvimento com a cultura das ‘Haus’ (como são chamadas as famílias drag) sempre foram pontos que nos causam curiosidade. As ‘Haus’, ou Casas, são formadas por artistas LGBTQIAP+, drags ou não, com o intuito de fortalecer um laço, unir forças para produzir juntas e/ou minimamente sobreviver mais tranquilamente em uma sociedade com suas violências diárias”, explica.

A inspiração vem de outros programas, como RuPaul’s Drag Race, Legendary, Dragula, e também o documentário Paris is Burning, que mostra a cultura do voguing nos Estados Unidos, marcada pela formação de Casas entre artistas LGBTQIAP+. O “Dinastia Drag”, segundo Maruzo, agora quer mostrar ao mundo a riqueza e diversidade do cenário artístico drag na Amazônia, principalmente no Pará.

“Esse cenário paraense já vem há alguns anos mostrando a sua singularidade, a sua forma única de se fazer arte e, principalmente, a sua força. O reality vai mostrar exatamente como esses artistas desenvolvem seu trabalho, partindo da nossa territorialidade, em busca do título de maior dinastia drag. Elas irão defender o legado da sua Casa, dentro do nosso contexto amazônico, com nossas características, inspirações e referências”, pontua.

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Produção e registro histórico

Maruzo conta ainda como vem sendo o desafio de produzir um reality show totalmente novo, trazendo a competição inédita entre Casas Drag, sendo a primeira produção do tipo em toda a América Latina.

“A cada projeto novo do Coletivo NoiteSuja são novos desafios. Produzir um programa como esse custa muita energia e há um cronograma intenso a cumprir. Estamos produzindo desde o começo de 2021, passando por várias etapas, desde idealização do projeto, criação do roteiro, desafios, direitos autorais de músicas utilizadas em cada desafio, são muitas noites de trabalho e intensa dedicação para que, já num outro processo, as participantes selecionadas recebessem tudo bem explicado e alinhado”.

A ideia do reality é que cada grupo defenda o legado de sua Casa, mas “para além disso, é uma oportunidade de registro histórico do que é produzido na Amazônia no que tange o universo drag”, diz Maruzo.

“O audiovisual é nossa principal ferramenta para mostrar e eternizar o que o Coletivo NoiteSuja vem desenvolvendo. São práticas que contribuem para a história da arte que é produzida em nossa região, como foi o II Festival NoiteSuja, que foi uma oportunidade importantíssima de levar ao mundo as vozes que ecoam a trajetória da arte drag na nossa cidade, Belém. Por isso, no ‘Dinastia Drag’, além da premiação e coroação, iremos deixar registrado na história da arte o que a Amazônia guarda”, conclui.

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Sobre o coletivo ‘NoiteSuja’

O coletivo NoiteSuja iniciou em 2013 em Belém do Pará, idealizado pelos multiartistas Matheus Aguiar e Maruzo Costa, agentes multiplicadores da arte drag e de outros fazeres artísticos da comunidade LGBTQIA+ amazônica. Após quatro anos de experiências em casas noturnas, em 2017 realizaram o “1º Festival NoiteSuja” no Teatro Margarida Schivasappa, pelo Edital Pauta Livre; e em 2019, duas edições do “Atraque: Ato Político-Cultural Contra LGBTIfobia” nos Teatros Gasômetro e Margarida Schivasappa. Já realizaram exposição fotográfica no Casulo Cultural; mostra de vídeos no Sesc Boulevard; encontros em espaços públicos, como Ita Center Park e Praça da República; duas edições do espetáculo “Filhas da NoiteSuja”, pelo Edital Pauta Livre em 2021 e 2022; e mais de quarenta eventos para a comunidade paraense. Em 2021, reuniram 17 artistas no “II Festival NoiteSuja – Identidades Transformadoras”, divulgando arte drag, dança, performance, música e teatro, além de pautar a diversidade e a acessibilidade.

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