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Academia de Drags S1: Laurie Blue

Há mais mistérios entre o salto alto e a escada do que sonha nossa vã filosofia e Laurie Blue sabe bem disso. Confira por onde anda a drag queen que foi a segunda eliminada na S1 de Academia De Drags.

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🕓 6 min de leitura

Se você está lendo essas linhas que eu arrisco aqui, então torna-se necessário começarmos esta matéria reforçando nosso pacto de sinceridade: por um triz ela não ficou incompleta, admito. O motivo você vai entender melhor no próximo parágrafo.

Ao conceber o especial “Academia de Drags”, encarei o desafio de entrevistar as oito participantes da primeira temporada individualmente, porém, uma delas, em especial, foi a mais difícil de encontrar: Laurie Blue.

Perguntei para Yasmin, Gysella, Lavynia e nada. Nenhuma das pessoas contatadas por mim sabia do paradeiro de Laurie. Sem e-mail, telefone ou perfil atualizado em rede social. Quando consegui alguma pista, era uma conta desativada no Instagram.

No final do processo de pesquisa e apuração, entrei em contato com o @academiadedrags, no Twitter, por desencargo de consciência. Lá eles me instruíram a procurar, no Instagram, pelo @nacaximafb. Fui desesperançoso e encontrei a figurinha que faltava para completar meu álbum do Academia de Drags.

Nascido no dia cinco de maio de 1992, em Unai, Minas Gerais, mas radicado desde criança em Brasília, Nathan Nagashima, 28 anos, é o taurino com ascendente em capricórnio por trás da Laurie Blue, drag queen do tipo que, enquanto você vem com o primer, ela já passou o iluminador.

Laurie foi criada em setembro de 2011 e, a época, não conhecia RuPaul. Quem lhe inspirou, como drag, cantora e artista, foi ninguém menos do que Dimmy Kieer, com a icônica faixa “Bixa Linda Mona Luxo”.

Além desta drag lendária, ela gosta de escutar Pabllo Vittar e o álbum “Colorir Você”, de Pedro Quevedo. Coldplay, Dua Lipa e Meghan Trainor também entram em suas playlists. Meghan interagiu no Facebook com Laurie quando ela se montou de… Meghan.

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Entre um cover e outro e os primeiros passos como drag, Laurie também foi candidata a Miss Plus Size Gay Distrito Federal, na Victoria Haus, em 28 de junho de 2013. Mas a grande aventura viria no ano seguinte, ao integrar o elenco da season 1 do Academia de Drags.

Neste web reality show, Laurie não teve muita sorte. Logo no primeiro episódio, ao lado de Rita Von Hunty, estreou o bottom e o primeiro duplo Shantay do programa. No segundo episódio, foi salva. No terceiro, perdeu a dublagem contra Musa, garantindo seu lugar como segunda eliminada.

Uma curiosidade extra ronda a relação de Laurie com o Academia: Xantara Thompson, irmã de temporada, já era sua conhecida de Brasília, cidade na qual conheceram-se em um concurso antes do reality. Ambas chegaram a apresentar-se juntas, colhendo frutos do programa.

Elenco da primeira temporada de Academia de Drags.

Assista a primeira temporada completa de Academia de Drags aqui.

>  Pearl revela porque RuPaul foi responsável por seu comportamento apático na S7
>  As vencedoras de RuPaul's Drag Race refletem suas jornadas desde a vitória (pt1)

Após passar pelo Academia, Laurie, além de ser, por um período considerável de tempo, a única drag DJ atuando em Brasília, também começou a expandir sua persona drag, estreando como atriz, no palco do Teatro Dulcina, em 26/11/15. No Youtube, no canal “No Sofá com Laurinha”, registrou diversos quadros diferentes com convidados especiais.

Como autêntica big girl orgulhosa de si mesma e do próprio corpo, ela aproveita o momento para levantar uma pauta importante de ser discutida:

“Vamos falar um pouco de gordofobia e principalmente ‘Fat Suit’? Vamos sim. Fat Suit, pra quem não sabe, é o ato de usar enchimentos, máscaras de látex e técnicas de maquiagem para viver um personagem gordo. A prática não é nova e a maioria conhece de grandes filmes como “Vovó… Zona” e “O Professor Aloprado”. Eu como uma pessoa gorda afirmo a vocês que é SIM GORDOFOBIA! O fato de ‘homenagear’ um gordo como um ator/atriz magro se vestindo de gordo não é homenagem. Por que não contratam artistas gord@s? Eu digo pra vocês o porque. Porque personagens ‘gordos são para entreter’. Sempre engraçados, fazem chacota de si mesmos, grande parte desastrados e, claro, romanticamente solitários. Temos que ter voz e gritar NÃO A GORDOFOBIA! Ela existe, infelizmente”.

Sua militância também contempla pessoas vivendo em situação de rua. No ano de 2016, em parceria com diversas drag queens, Laurie recolheu agasalhos em lugares como a Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília.

Segundo Laurie, o projeto nasceu porque uma pessoa do seu grupo de amizades e que trabalhava com ela no backstage da boate, faleceu. Isso fez ressurgir a vontade de fazer algo pelas pessoas.

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“Além de ajudarmos, também estamos mostrando que a drag queen está além dos palcos. Ela pode estar no palco brilhando, fazendo show e divertindo plateias, mas também pode estar na rua mostrando que é um ser humano, e que isso independe de sexualidade ou de qualquer outra coisa”, disse ao Portal da Band.

Infelizmente, mesmo com toda essa movimentação e feitos, Laurie aposentou-se, temporariamente, dos shows e palcos na Wow Project, em três de dezembro de 2016, encerrando, ali, cinco anos como drag. No ano seguinte, 2017, sai do Brasil para viver na Argentina. Em 2018, apesar de estar feliz em outro país, sofre um ataque xenofóbico e homofóbico, no meio da rua e no ponto de ônibus, uma experiência traumatizante.

Antes que você, isso, você, você mesmo, pense que a Laurie Blue saiu de cena definitivamente, eu já aproveito para te convidar a ler a entrevista abaixo com ela, mas primeiro passo a palavra para a própria, afinal, o texto todo é sobre Laurie: “Não tô morta, só tô de férias”. Confira:

Seis anos de Academia de Drags. Quando você volta sua memória no tempo e pensa nessa experiência, como você a analisa? Como ter feito parte da primeira fornada do programa influenciou na sua vida pessoal e profissional?

Influenciou em muita coisa no sentido de hoje pensar totalmente diferente daquela época. Se eu fosse voltar no tempo eu teria me dedicado um pouco mais em fazer as coisas. Profissionalmente me deu uma visibilidade muito grande no meio drag.

Dublagem no primeiro episódio com Rita. Como foi aquele momento? O que se passava na sua cabeça?

Foi muito tenso. Eu sabia a música e tal, mas por ser um pouco tímido e desajeitado na época, eu morria de medo de cair do salto e era muito inseguro com o meu corpo.

Laurie Blue e Rita Von Hunty na primeira temporada de Academia de Drags.

>  YBK | Yala
>  Glitter | Primeira temporada completa (parte 3)

Como você foi parar no Academia de Drags?

Acho que eu vi em alguma rede social sobre o Academia de Drags, fiz o vídeo e entrei, rs!

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O que ninguém sabe até hoje sobre a primeira temporada?

Não sei [risos], acho que não sabem que tudo foi gravado em 7 dias seguidos.

Acha sua eliminação justa no segundo episódio? Musa mereceu ficar?

Na verdade não, eu só fui eliminada porque a pessoa que era pra ser eliminada estava imune no dia.

O azul das suas roupas nos dois primeiros episódios foi coincidência ou proposital?

Foi coincidência. O Laurie Blue, na verdade, é o sobrenome da Adele, vem disso. O nome da Adele, da cantora, é Adele Laurie Blue.

Quais foram seus dois momentos preferidos na competição?

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A entrada e o dia da festa na Blue Space com todas reunidas.

E a Silvetty Montilla?

Eu sempre fui MUITO fã da Silvetty, acho ela um ser humano INCRÍVEL.

O que te levou a se mudar para a Argentina e trabalhar numa área totalmente diferente?

Eu sempre quis ser médico, quando tive a oportunidade de vir pra cá estudar não pensei 2 vezes. Mudei em 2017, ainda não me formei. Estou no segundo ano de medicina.

Pretende voltar a fazer drag um dia?

Sim, pretendo voltar a fazer drag, mas meus planos agora são outros. Eu preciso focar mais nos estudos, nessa vida de gamer que eu tô fazendo live no Facebook. Eu não tenho nada, eu não trouxe nada pra cá. Não trouxe peruca, maquiagem, nem nada. Tenho algumas que eu comprei aqui, mas não é nada de demais.

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*Nota do repórter: Laurie se montou em 29 de março de 2019, em Buenos Aires, Argentina.

>  Drag Queens denunciam documentário "Livre Estou"
>  Agnus Gay, A Primeira Parada LGBT de São Paulo (1997)

Quais drags você indicaria para o Academia de Drags 3?

Naomi Leakes, Carrie Myers e Pikineia.

Durante um tempo você foi a única drag DJ de Brasília. Se sente precursora? Uma lembrança boa dessa época?

Melhor época, eu era o espelho de muita gente, principalmente das drags gordinhas que não tinham espaço no cenário.

Voltaria para o Academia 3?

Pagando bem, que mal tem [risos].

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Confira as redes sociais da rainha, voltada para o universo gamer: Facebook, Instagram e YouTube.

Se você não conhece ou gostaria de rever a primeira temporada completa de Academia de Drags clique aqui. Para ler mais sobre Academia de Drags clique aqui. Em breve publicaremos a próxima parte deste especial! 

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