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All Stars 5

Shea Couleé dedica sua vitória no All Stars 5 às mulheres pretas

“Quando olho para mulheres negras, vejo Deus”, Shea Couleé fala sobre sua trajetória e vitória no All Stars 5, igualdade, homenageia as mulheres negras que ajudaram a torná-la vencedora e arrependimento na forma que lidou com Alexis sobre a campanha falsa de eliminação.

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Shea Couleé é a mais nova rainha coroada de RuPaul’s Drag Race All Stars, e assim que viu sua coroação, ainda incrédula, cedeu entrevista para a EW, colada à televisão, incapaz de se afastar do brilho sedutor de sua série favorita.

“Estou além da lua… No momento, estou de pé na minha sala, assistindo Untucked. E chorando”, disse a rainha pelo telefone, enquanto celebra seu espaço recém-conquistado no Hall da Fama de Drag Race absorvendo os minutos finais do show que amplificou sua voz, lhe deu uma coroa e depositou um prêmio de 130 mil dólares em sua conta bancária depois de sua incrível corrida no AS5.

“Surgindo em uma cena que emprega os mesmos preconceitos raciais que vemos no mundo, me fez duvidar de mim e de meu trabalho como artista por causa da minha cor”, revela a competidora da 9ª temporada – a terceira rainha negra a conquistar um título de Drag Race em 2020, acompanhando a campeã Jaida Essence Hall e a Miss Simpatia Heidi N Closet, na 12ª temporada – antes de enfatizar o significado oportuno de sua vitória coletiva em meio a protestos em andamento de Black Lives Matter [vidas negras importam] na luta pela igualdade racial nos Estados Unidos e mundo à fora.

“Drag Race é tipo atravessar o espelho. É um país das maravilhas. Estou muito agradecida por ter tido a chance de não apenas competir uma vez, mas voltar pela segunda vez como uma versão mais compreendida de mim mesma e mostrar ao mundo exatamente quem eu sou”.

À seguir, confira a entrevista completa de Couleé para Entertainment Weekly, que se abre sobre sua trajetória de aceitação e recuperação após o trauma da derrota na 9ª temporada, porque a representatividade para rainhas racializadas é importante em 2020, seu amor inabalável por mulheres pretas e como ela foi para o desafio final usando “sandálias de Jesus”.

Acho hilário que você esteja assistindo Untucked logo depois de vencer.

Sim! Acabei de entrar na outra sala, porque estava filmando minha reação na sala de jantar, e Untucked ainda está rolando. É tão insano. Chegar neste lugar é tudo o que eu sonhei por quase uma década. Parece um belo sentimento de realização que todo o trabalho duro e sacrifício valeram a pena.

O que você fez assim que ouviu a RuPaul falar seu nome na TV?

Eu desmaiei. Eu estava tipo, tudo bem, vou ter que assistir isso de novo, porque ficou muito nebuloso. As lágrimas brotaram. Eu não conseguia mais ver a tela. Parece um círculo tão completo, pois me deparei com RuPaul’s Drag Race quando estava em um ponto baixo nos meus vinte e poucos anos, e isso me tirou de um lugar de tristeza e me inspirou a querer fazer drag. Estar aqui quase 10 anos depois, como vencedora mostra que representatividade e programas como esse são muito importantes, porque ajudam a dar esperança e significado às pessoas que se sentem perdidas.

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Admirei como você tem usado sua plataforma para mudanças. Especialmente seu discurso no Black Lives Matter, há pouco tempo, você disse que era “alguém considerado de valor porque sou talentoso, mas meu valor não deve ser embrulhado em meu talento”. O que você quer que essa vitória comunique às pessoas além do reconhecimento de talentos?

Eu quero que eles reconheçam minha humanidade. Sou o produto de gerações de indivíduos que trabalharam duro. Minha avó trabalhava como empregada doméstica. Seus pais colhiam algodão no Mississippi. Eles trabalharam duro para garantir que eu, como um de seus descendentes, cumprisse meu potencial e atingisse o sonho americano. Quero servir como exemplo de que você pode vir de origens humildes para se tornar realeza.

Você falou sobre as mulheres negras em sua vida e sua importância para o seu drag durante a final, incluindo sua mãe, que inspirou seu vestido rosa. Por que é importante para você manter enaltecer as mulheres pretas agora e sempre?

Em minha mente, quando olho para mulheres negras, vejo Deus. Elas são tão poderosas, bonitas, glamourosas, vulneráveis, fortes e maravilhosas. Elas contribuíram tanta para a cultura pop dos Estados Unidos que faz sentido que eu me dedique humildemente a enaltecê-las e dar-lhes glória, porque é isso que elas merecem.

Apenas neste ano, Drag Race teve três rainhas negras com títulos: Jaida venceu a 12ª temporada e Heidi venceu a Miss Simpatia. Falando sobre a importância da representatividade, porque isso nunca aconteceu antes, você pode pensar na época em que era uma drag novinha começando e como seria ver três rainhas pretas recebendo consecutivamente prêmios pelo maior concurso queer do mundo impactaria sua trajetória?

Isso me deixaria sem medo. Isso me faria não duvidar de mim ou do meu lugar no mundo drag, porque surgir em uma cena que emprega os mesmos preconceitos raciais que vemos no mundo, me fez duvidar de mim e do meu trabalho como artista por causa da minha cor. Drag Race é como atravessar o espelho. É um país das maravilhas. Sou muito grata por ter tido a chance de não apenas competir uma vez, mas voltar pela segunda vez como uma versão mais compreendia de mim mesma e mostrar ao mundo exatamente quem eu sou.

Você contribuiu para moldar essa mudança no mundo real, especialmente as mudanças na cena drag de Chicago nas últimas semanas. Por que você acha que demorou tanto tempo para que essa mudança acontecesse, principalmente em Chicago?

Houve uma enorme mudança cultural com o assassinato de George Floyd que ficou evidente que os brancos precisam fazer é ouvir as experiências dos negros. Com a palavra e a capacidade de colocar o microfone na conversa, senti que era necessário ser o mais aberto e honesto em relação às minhas experiências, para que pudéssemos denunciar injustiças e ajudar a remediá-las e criar justiça reformadora. Isso é importante. Quero que as próximas gerações saibam que são valiosas e que podem denunciar injustiças sem serem punidas.

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Você ajudará a tornar isso mais fácil para tantas pessoas em uma escala maior. Porém, em um nível pessoal, você estava aberta para lidar com questões como a tristeza por seus familiares falecidos e a derrota na S9 para Sasha. No All Stars 5, você estava competindo de uma forma que essas emoções estavam menos ligadas à sua performance como artista?

Era hora de trabalhar minha saúde mental e me curar dessas experiências. Era importante eu fazer isso antes de voltar. Eu queria saber que estava em um lugar muito melhor, e foi incrível voltar e sentir isso, apesar de ter lidado com essas tragédias pessoais enquanto também lidava com meus sonhos se tornando realidade e o equilíbrio louco que aconteceu em 2017, permitiu-me entrar nessa experiência e ser eu mesma mais do que fui na primeira vez. Eu acredito que tudo acontece por uma razão. Eu acredito que o tempo de Deus está sempre certo, e este é o meu tempo. Eu posso, plenamente, entrar no meu momento, estou pronta para isso.

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Fico feliz em saber que você está em um lugar melhor. Vamos mudar para este episódio: sua roupa final, a peruca azul parecia muito semelhante à peruca vermelha de Sasha no final da temporada 9. Isso foi coincidência?

Curiosamente, foi uma coincidência! Esse visual foi inspirado em um vestido que Bob Mackie fez para Cher. Havia um capacete que deveria acompanhá-lo, mas eles não conseguiram terminar a tempo. Por coincidência eu tinha uma peruca azul como reserva. É tão engraçado. porque é tão profundo na competição que você nem pensa nessas coisas. Agora, eu fico tipo, puta merd*! É tipo uma versão pisicna da peruca de Sasha.

É como fogo e gelo. Eu pensei que era isso que você estava querendo [transmitir]!

[Risos], oh meu Deus, imagine Sasha e eu em uma turnê de patinação no gelo: Fire & Ice!

Sua dublagem final foi incrível com aqueles [passos] robóticos. Parecia muito calculado e temático. Por que você interpetou as letras de Janelle Monáe daquele jeito?

Eu sou uma grande fã de Janelle Monáe. Eu acompanho a carreira dela desde “Many Luons”, The ArchAndroid e Electric Lady. Há esse tema abrangente de sua personagem, Cindi Mayweather, sendo um androide que se apresenta para a classe alta. Eu queria começar o número com a ideia de que eu era uma bela andróide de programação e voltando à vida no momento da música.

Você está me dando calafrios. Outra coisa que amei: a revelação desta semana de que a India pode ter sido quem estava “mal informada” sobre toda a situação da campanha da Alexis. Saber das informações que você conseguiu neste episódio fez com que se arrependesse da maneira como tudo aconteceu com Alexis?

A única coisa de que me arrependo é tirar conclusões precipitadas e deixar afetar meus sentimentos. Ainda mandei a India para casa, porque sabia que não tinha todas as informações. Eu me arrependi de aceitar a palavra da India e não entender que o que ela estava revelando foi dito após a votação, porque o que ela me contou estava sem contexto e me levou a acreditar que isso aconteceu antes da votação, e essa é uma história totalmente diferente. Eu ainda tenho um amor louco por ambas as meninas.

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Acho que vamos terminar com: o que você mais se orgulha desta temporada e o que você quer fazer com a plataforma e a visibilidade que você tem com este título?

Tenho mais orgulho da minha integridade como concorrente. Pude demonstrar que você pode competir contra as pessoas e ainda ser uma pessoa gentil, amorosa, genuína, doce e generosa. Caras legais terminam por último, mas garotas legais ganham coroas.

E elas fazem isso enquanto aprendem a coreografia usando “sandálias de Jesus”.

Olá! Ok, olha, nós filmamos de manhã cedo e eu não estava pensando em fazer coreografia quando peguei essas sandálias e saí correndo do hotel. Fiz o melhor com o que tinha! [Risos]

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Saullete é preto, gay e comunicólogo que criou a Draglicious com o intuito de compartilhar com outros fãs seu amor pela arte drag e por Drag Race. Além de informar e entreter seu público, Saullete levanta discussões relevantes para amantes da arte drag e para a comunidade LGBT.

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