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S11 | Instagram comete racismo na verificação de conta de drag queens?

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Todas as drags brancas da décima primeira temporada de RuPaul’s Drag Race já receberam o selo de conta verificada no Instagram, enquanto isso praticamente nenhuma das drags negras ainda recebeu o selo azul, exceto Honey Davenport. Curioso não?

Tenho reparado isso há dias, mas achei que poderia ser alguma demora da rede, em verificar as contas das novas rainhas para poder conceder a elas o selo de verificação. Mas após constatar que todas as rainhas brancas da S11 já possuem suas contas verificadas e quase nenhuma negra ainda tem o o selo azul, achei bem problemático, quiçá racista da parte do Instagram na forma que conduz sua verificação. Afinal todas as drags da temporada já comentaram via twitter que solicitaram que suas contas fossem verificadas nas mídias sociais que fazem parte.

E não é uma questão de “mas as drags brancas tem mais seguidores que as negras”, porque Yvie Oddly e Soju possuem mais seguidores que várias drags brancas por exemplo, como Scarlet e Nina West, e ainda assim não receberam o selo azul de autenticidade. Confira a seguir o número de seguidores das rainhas brancas da temporada, assim como as contas que já foram verificadas.

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E analisando até mesmo o cenário drag nacional, Silvetty Montilla ainda não tem conta verificada, enquanto Penelopy Jean possui.

Então fica evidente que há dois pesos e duas medidas na hora que o Instagram verifica quem merece ou não seu selo de conta verificada, privilegiando assim as pessoas brancas. Eu fiz essa denúncia inicialmente no Twitter e teve seguidor vestindo a carapuça e dizendo que “Eu n escolher seguir uma queen negra não faz de mim racista”.

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E dando uma breve resposta a indignação do seguidor acima, nós vivemos numa sociedade que foi construída em cima do racismo institucional, então para um negro ter reconhecimento ele precisa trabalhar dez vezes mais que uma pessoa branca, pois negros sempre são desprezados e seu trabalho colocado em xeque. O mesmo rola em Drag Race, as drags negras precisam trabalhar muito mais para sequer ter metade dos seguidores de uma queen branca que as vezes nem é tão talentosa quanto. Sem contar o padrão de beleza socialmente aceito que sempre coloca drags brancas no topo da cadeia de adoração. Então não seguir uma drag negra, não torna a pessoa automaticamente racista, mas só reforça o racismo institucional que sempre deixa negros em segundo plano.

Isso até lembra uma postagem que Bob The Drag Queen fez ano passado, falando sobre o comportamento racista do fandom de Drag Race, pois até então, tirando mama Ru, nenhuma drag negra proveniente do show tinha ainda um milhão de seguidores, diferente de várias drags brancas que já tinham seu milhão (leia aqui).

Então fica aí a denúncia e o desejo de saber os parâmetros de concessão do selo de autencidade do Instagram. Pois é evidente que a rede social trabalha com com dois pesos e duas medidas na hora de verificar as contas das drags!

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Saullete é preto, gay e comunicólogo que criou a Draglicious com o intuito de compartilhar com outros fãs seu amor pela arte drag e por Drag Race. Além de informar e entreter seu público, Saullete levanta discussões relevantes para amantes da arte drag e para a comunidade LGBT.

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