Tragédia Contra LGBTs em 2016

Modo Escuro

O ano praticamente acabou e não podemos nos esquecer das tragédias sofridas por nossa comunidade LGBT. É lindo dar close na balada, fazer pegação, torcer muito por alguma queen em Drag Race, eu adoro tudo isso e recomendo. Mas tanto ódio, intolerância e preconceito é preciso ser lembrado, para que tenhamos consciência de que nossa luta é contínua e não podemos deixar de exigir que nossos direitos humanos sejam garantidos.

Aqui uma breve recapitulação de atos de LGBTfobia que arrasaram conosco em 2016, claro que não conseguiremos relatar tudo, mas demos destaque alguns casos que foram noticiados:

1 MASSACRE NA BOATE PULSE

Em junho, o norte-americano Omar Mateen, de 29 anos, entrou na boate LGBT Pulse em Orlando, na Flórida, matou 50 pessoas e deixou 53 feridos no maior tiroteio da história dos Estados Unidos.2 ESTUDANTE É ENCONTRADO MORTO EM CAMPUS DA UFRJ

O estudante de Letras Diego Vieira Machado, de 30 anos, foi encontrado morto no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão. A vítima foi encontrada sem roupas e com marcas de espancamento em todo o corpo. Amigos de Diego afirmam que o crime teve motivação homofóbica. O estudante, negro, bolsista e natural de Belém do Pará, era conhecido por enfrentar o preconceito.

3 JOVEM É AGREDIDO EM VAN NA VOLTA DE FESTA

Em maio, também no Rio, Jonathan Alves dos Santos, de 21 anos, denunciou a agressão sofrida em uma van que o buscou de uma festa e o levaria para casa. O jovem afirmou que ouviu xingamentos homofóbicos de outros passageiros, foi atirado de dentro da van e levou socos e chutes. A vítima teve o nariz quebrado e sofreu outros ferimentos. “Foi tudo muito rápido. Eles me chutaram muito, rasgaram a minha camisa. Me chamavam de ‘viado’ e outros xingamentos homofóbicos. Fui salvo pelo cobrador da van, que me separou deles”, disse.

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4 HOMENS ESPANCAM TRAVESTI E SUA IRMÃ NO RIO

Em setembro, três homens foram presos por espancar gravemente uma travesti e sua irmã em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Segundo a Polícia Civil, as vítimas, que não tiveram os nomes divulgados, estavam em uma lotação quando um dos agressores começou a fazer comentários homofóbicos e agressivos. A travesti reagiu e passou a discutir com o homem. Em seguida, os dois teriam se agredido. Para se defender, a travesti tomou a faca do agressor e o feriu. Em resposta, os outros dois acusados se juntaram e passaram a espancá-la “covardemente”, com socos, chutes e pedaços de pau, conforme relatou o delegado.

5 CASAL DENUNCIA AGRESSÃO E OMISSÃO DA POLÍCIA EM CENTRO NORDESTINO

Em junho, um casal de homens denunciou ter sofrido homofobia e agressão na entrada de um Centro de Tradições Nordestinas (CTN) de São Paulo. As vítimas teriam sido acusadas de terem roubado um casaco e, em seguida, foram agredidas pelos presentes e pelos seguranças. Uma das vítimas declarou que a jaqueta era dele e que havia sido comprada nos Estados Unidos. “Enquanto apanhava, consegui ouvir os seguranças dizendo que eu era gay e ladrão. Por isso, tinha de morrer mesmo”, contou Caio Irineu Tomaz da Rocha, de 24 anos, uma das vítimas. A Polícia Militar que estava no local não teria impedido a ação e teria orientado o casal a ligar para o 190. Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da PM instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos policiais.

GRUPO É AGREDIDO POR GUARDAS EM TERMINAL DE ÔNIBUS

Em outubro, quatro jovens (três rapazes de 21 e a irmã de um deles, de 30) acusaram integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de homofobia e agressão, em um terminal rodoviário de Sorocaba, no interior de São Paulo. Dois dos rapazes, que formavam um casal, teriam discutido entre si e os guardas teriam intervido.

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ADVOGADO GAY É AGREDIDO EM BAR NO ITAIM BIBI, ZONA NOBRE DE SÃO PAULO

Também em junho e em São Paulo, um advogado estava em um bar de karaokê com amigos quando foi agredido por outro cliente que estava no local. À polícia, a vítima afirmou que estava com o seu namorado e um grupo de amigos quando passou a ser agredido e ofendido por palavrões de cunho homofóbico como “bicha, viado, casal gay”.

AMBULANTE É ASSASSINADO APÓS DEFENDER TRAVESTI

O ambulante Luiz Carlos Ruas, de 54 anos, foi espancado até a morte por dois homens após defender uma travesti na noite do Natal, na estação Pedro 2.º do metrô, na região central de São Paulo.

Esses são alguns casos que viraram notícia neste ano e sabemos que muitos outros ocorreram e sequer foram noticiados ou denunciados. É necessário que não deixemos essas tragédias serem esquecidas, pois elas fazem parte de nossa história, de nossa luta. É preciso saber por que lutamos e para quem lutamos, além de reconhecer quem lutou por nós. Isso nos fortalece em nossa caminhada, por mais dolorida que ela se torne em alguns momentos. Felizmente 2016 já está acabando e torço para que 2017 nossa comunidade LGBT celebre mais e sofra menos.

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