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Review | The Boulet Brothers ‘Dragula Resurrection

As Boulet Brothers retornaram para mais um Halloween cheio de monstros e drag queens, dessa vez, valendo uma vaga na próxima temporada, saiba tudo o que aconteceu no incrível Resurrection.

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🕓 6 min de leitura

Como prometido, as rainhas do Halloween, as Boulet Brothers, retornaram para salvar nosso feriado de 2020. O ano marcado pela pandemia e uma série de adiamentos de shows de TV pode ter atrasado a quarta temporada do programa apresentado pelas rainhas, The Boulet Brother’s Dragula, mas não as parou. Pela primeira vez temos um prequel do programa indo ao ar, descrito pelas apresentadoras como a maior experiência drag que vivenciaríamos na TV, e a melhor produção que elas já fizeram. Se acertaram, conseguiram cumprir com tantas promessas e prepararam o terreno para a quarta temporada você confere a seguir.

Antes de expressar qualquer opinião, é importante ressaltar que o formato escolhido e talvez até mesmo o projeto em si é uma reação direta à pandemia. Segundo as Boulet, todas as medidas de segurança foram tomadas e o filme é ambientado nessa realidade de 2020, a pandemia é citada por diversas vezes e serve até de inspiração para um dos looks. Essa decisão é importante pois mostra uma realidade onde é possível produzir conteúdo com segurança e seguindo protocolos.

Um especial de Halloween com duas horas de duração, parte filme, parte documentário e parte competição. O projeto do Resurrection, num primeiro vislumbre, pode parecer confuso e um pouco diferente das competições de drag convencionais e até mesmo da sua própria nave mãe: Dragula. Porém, com escolhas muito bem feitas e uma direção cheia de personalidade feita por Nathan Noyes, o mesmo diretor da terceira temporada. Sim, Nathan foi acusado pelos diversos buracos e pontas soltas que a terceira temporada deixou, como floorshows frenéticos demais, uma ambientação nada favorável para um look se destacar e introduções fracas comparadas às outras temporadas com orçamentos menores. Mas em seu retorno ele se mostra muito mais confortável e firme em suas decisões.

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Podemos facilmente descrever o Resurrection como uma mistura bem feita de ingredientes de qualidade. As três roupagens incorporadas, filme, competição e reality, acontecem simultaneamente, de forma natural em um casamento orgânico com tudo o que já vimos durante as três temporadas. E aqui que encontramos outra peça que qualifica o especial: uma grande homenagem à Dragula. O retorno de participantes e a escolha dos desafios serem tirados cada um de uma temporada passada, sendo eles: o floorshow das bruxas da primeira temporada, da cidade fantasma da segunda temporada e dos vampiros, retirado da terceira, nos faz mergulhar em flashbacks, momentos e desafios já consagrados pelo programa. Esses fatores citados ditam a ordem dos acontecimentos, que se desenrolam de forma decente e organizada, principalmente por ter uma matriz de documentário muito forte, colocar os desafios entre os depoimentos fez com que cada ciclo tivesse seu começo, meio e fim bem definidos sem deixar a energia cair.

Nesta altura, chegamos em um ponto importantíssimo para a existência desse spinoff, podendo ser equiparado às montações e maquiagens horripilantes, as histórias de cada personagem e a revelação do artista atrás da obra consegue roubar os holofotes e se centralizar como, talvez, o principal objetivo dessa ressurreição acontecer: ‘conheçam melhor quem vamos trazer de volta, só assim será possível entender o motivo de tal personagem voltar à tv’. E bem, isso é trabalhado de forma poética, sem as intrigas e dramas planejados pela produção, sem a propagação de esteriótipos da ‘drag barraqueira’ ou coisas do tipo. São pessoas normais contando sobre os problemas de sua vida e como a arte fez parte do processo de cura e evolução pessoal. Isso fica muito claro em duas participantes específicas, Priscilla, nos contando sobre a transição e a importância de darmos lugar para artistas trans, e Kendra, relatando sua experiência recente em que sofreu um acidente em uma apresentação que envolvia fogo. A parte documental aqui se firma como um diferencial muito bem trabalhado, sendo o único filme do mundo em que é possível ver um zumbi cozinhando.

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Agora, analisando os desafios, looks e performances, é possível afirmar que todas mereciam um pedacinho da coroa (caso alguma estivesse em jogo). Todas as concorrentes conseguiram brilhar e servir um visual memorável em pelo menos uma das categorias. O que sem dúvidas dificultou a escolha das Boulet Brothers, além da qualidade dos artistas presentes, foi a grande diferença entre eles. Disparidades de estilos e de recursos, o que é brilhantemente demonstrado quando Saint fala sobre usar materiais baratos em sua montação de bruxas e a câmera, logo em seguida, corta para Victoria construindo uma prótese super elaborada e cheia de detalhes com todos os seus aparatos de efeitos especiais. É claro, isso não desqualifica ou menospreza o trabalho de ninguém ali dentro, sabemos que para as juradas o ponto principal a ser julgado é a coesão.

Fechando a tríade de pilares da produção temos um ar cinematográfico que desde o primeiro segundo do especial se mostra impecável, como a cena inicial em que a Swanthula vampira participa de uma orgia na mansão Boulet e a escolha do estilo ”found footage” para fazer as transições de forma orgânica, uma vês que o Resurrection foi gravado em diversas cidades e dentro delas em diversas locações, o que envolve muitos cortes. O cuidadoso trabalho de ambientação se mantém durante todo o episódio e explode no lipsync de “In The Next Life”, música de outro grande nome do Halloween contemporâneo, Kim Petras, que se encaixa perfeitamente com a proposta e as batidas eletrônicas já canonizadas nos floorshows passados. Outro momento marcante é a forma em que anunciam quem venceu, voltando as raízes ‘filth’ e teatrais de Dragula.

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Sendo assim, é possível observar que o grande feito do The Boulet Brother’s Dragula: Resurrection não foi trazer uma competidora de volta a vida, nem de longe salvar o Halloween dos fãs. Mas sim, encontrar de vez o seu estilo único e assertivo de produção. Foi preciso sair do palco escuro e dos moldes pré estabelecidos ditados por outros realitys para que Dragula chegasse ao seu ápice, basicamente, ter a oportunidade de fazer algo diferente de tudo o que já foi visto. Os problemas do palco enfumaçado que escondia os figurinos se transformaram em uma ambientação que conversa e completa com a história que o artista está contando – como o fantasma trans manifestante de Priscilla – A montagem rápida e cheia de cortes se transformou em um encontro harmônico entre diferentes propostas de visuais e cenários. E o principal, algo que as Boulet fazem questão de deixar claro e que o formato ajuda a evidenciar: não é sobre quem é melhor ou pior, muito menos sobre quem vai ganhar. Este episódio único nos deu, de fato, um formato fechado que acontece independente de wins, bottoms e exterminations. Você pode ter amado uma participante e sua trajetória nessas duas horas de programa e o fato dela ter ganhado ou não é indiferente, pois, dessa vez, vimos tudo o que todas tinham para apresentar.

The Boulet Brother’s Dragula: Resurrection cumpre com tudo o que prometeu, um show diferente de tudo o que já vimos e, sem dúvidas, uma das melhores experiências envolvendo drags na televisão. E claro – SPOILERS A PARTIR DAQUI – temos a primeira winner negra do programa. Saint conseguiu superar as demais se mantendo fiel ao seu estilo e servindo coesão em todos os looks e ainda acrescentando uma camada fashion. Tivemos ainda duas surpresas nessa final, a santificação de Victoria, que se viu evoluída o suficiente para perceber que não seria justo ela competir contra uma nova leva de monsters na próxima temporada, sobre isso, as Boulets comentam que Vic deveria competir contra campeões e vencedores, quem sabe, em um all stars. E para aqueles que ficaram até o final, viram que Dahli não estava morta, na verdade, foi a única que recebeu uma visita das Boulet enquanto desempacotou a sua fita. O que isso indica ainda é incerto, Dahli se mostrou uma competidora muito forte, se apropriando de materiais e maquiagens nada convencionais, ela estar viva pode significar tanto sua volta na próxima temporada junto a Saint, quanto uma participação em um possível all stars. Mas essa pulga atrás da orelha foi o suficiente para nos fazer querer assistir mais das rainhas do Halloween.

THE BOULET BROTHER’S DRAGULA: RESURRECTION MERECE 5 COROAS.

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