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Crítica

A essência tímida e talentosa de Kameron Michaels

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Eu já vou começar dizendo que eu pensava que a Kameron Michaels seria eliminada na primeira semana. Ela entrou no workroom e eu disse “tchau”. Olhando bem superficialmente, eu a julguei menos preparada do que as outras, e que bom que ela me surpreendeu! Eu gosto quando me fazem mudar de opinião. Assim que ela pisou na runway com aquele look de penas pretas, eu me rendi completamente e fui obrigada a admitir que ela era boa sim e que tinha potencial pra ir muito longe na competição.

Nos primeiros episódios podíamos vê-la arrasando nos desafios, mas quase não a víamos comentando o jogo com a mesma frequência que as outras. Entendemos. Uma queen de poucas palavras. Uma pessoa que está focada em fazer o seu trabalho sem se envolver em dramas de reality show. Kameron realmente fez um jogo diferente e arriscado, mas se pararmos pra pensar, o que os jurados analisam é o desempenho no desafio e não no workroom, sendo assim é estratégico permanecer no jogo por essas vias, não permitir que o estresse da convivência cause distração e então avançar semana após semana conquistando consequentemente a atenção do público. Kameron não se forçou a ser sociável em nenhum momento pra tentar agradar suas colegas ou os fãs do programa, pelo contrário, mostrou que uma pessoa introspectiva pode ter total domínio do palco e ser uma lipsyncher assassin.

Kameron canta, dança, tem presença de palco, e é praticamente a Barbie e o Ken num corpo só, dentro de seu próprio estilo body builder.  Ela esteve no bottom três vezes seguidas e conseguiu voltar (fato raro em temporadas comuns), fez uma Cher excelente, trouxe o verso mais marcante na música American do desafio final e manteve o pé no chão durante toda a competição.

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Talvez todo mundo que é tímido e reservado tenha se identificado com o que aconteceu no último Untucked quando Kameron foi acusada de “não se importar com as outras participantes, ser antipática, falsa e não merecedora da coroa. Agir de uma maneira quando presente e de outra maneira nas redes sociais.”. Sabemos que é comum projetarmos nossa personalidade muito mais virtualmente do que pessoalmente, no nosso espaço, no nosso momento. E isso não deveria ser motivo pra alguém ser atacado por um grupo. Mas muito debochada, Kameron tem feito disso um meme e postado alguns vídeos tagarelando com outras queens ou passando por elas e cumprimentando, o que prova que ela assumiu o controle de um momento horrível e converteu para piada. Maturidade é tudo!

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Kameron arrasou como jogadora e arrasou ainda mais como uma pessoa que manteve o profissionalismo acima de qualquer drama. Volto a reforçar: as quatro finalistas merecem a coroa, e mesmo que cada um de nós tenha uma preferida, vamos todos combinar de respeitar as outras?

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*Os quatro posts sobre as finalistas tiveram o único intuito de exaltar o melhor em cada uma.

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Giulianna Palumbo tem 25 anos, três livros publicados e uma paixão imensa por cultura pop. Escreve porque sente que se não tirar as palavras de si, elas a sufocarão. Ama literatura nacional e pode ser facilmente encontrada em festas drag ou comendo coxinha em bares do centro.

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