Tatianna fala sobre Drag Race, sua treta com Tyra Sanchez e o lançamento de seu primeiro álbum

Modo Noturno

Se alguma vez houve uma porta-voz poderosa do All Stars, essa é a Tatianna.

Depois de aparecer na super subestimada segunda temporada de RuPaul’s Drag Race – que contou com sua infame briga com a vencedora Tyra Sanchez – a sensação drag voltou para o All Stars 2, que a levou direto ao hall da fama das fanfavorite (drags favoritas do fandom do reality), uma conquista mais lucrativa do que levar para casa a própria coroa.

Sem desperdiçar uma oportunidade, o álbum de estreia de Tatianna, T1, foi recentemente lançado, em que ela serve batidas prontas para boate, letras ferozes e, é claro, o estranho segmento de spoken word (declamação). Ah, e ela também tem um perfume saindo. Werk!

Para celebrar seu primeiro álbum entrando nas paradas e adiantando sua aparição no DragWorld 2018 em Londres no final deste ano (uma espécie de DragCon), conversamos com a ex-participante de Drag Race para falar sobre seu amor pela música, drag virando mainstream e as choices (escolhas) de Tyra Sanchez…

GayTimes: Você estará na Drag World UK este ano – o que há sobre as convenções drag que as tornam tão populares?

Tatianna: Eu sinto que tem muito a ver com drag se tornando algo muito mainstream, o que eu acho ótimo. O fandom é louco, eles são muito fanáticos, e eles têm sentimentos muito fortes sobre muitas coisas diferentes, e é tão bom que drag possa evocar uma paixão dessas pelas pessoas. Além disso, quantas vezes você consegue entrar em um centro de convenções cheio de drag queens de todas as formas e tamanhos?

GT: Tyra Sanchez foi recentemente banida da DragCon em Los Angeles por seus comentários inapropriados nas redes sociais – por que é importante para as rainhas Drag Race serem bons modelos para seus jovens fãs?

Tatianna: Bem, acho que qualquer um diante dos olhos do público deve tentar ser tão bom quanto possível e um bom modelo. Não é nosso trabalho, por si só, fazer isso, mas é melhor se o fizermos. Eu acho que da maneira como as coisas estão no mundo agora, precisamos de positividade, e nós definitivamente não devemos deixar a grosseria rolar. As drag queens são supostamente divertidas! Elas deveriam tirar sua mente de todo o drama. E também, uma parte muito grande do fandom é de crianças. Uma grande quantidade de fãs que chegam a essas convenções tem 10, 11, 12 anos, e por isso sempre queremos ter certeza de que lhes proporcionamos um espaço seguro. Especialmente quando eles chegam a uma convenção de drags – esse deve ser o lugar mais seguro.

GT: Sinta-se à vontade para passar se você não quiser comentar, mas qual foi sua reação à situação com Tyra?

T: Ah, não, está tudo bem, eu quero dizer, tecnicamente, tem a ver comigo – embora eu ainda não entenda bem o porquê – mas a razão pela qual ela foi banida é porque ela se recusou a pedir desculpas por fazer ameaças, tipo, eu não sei, me bater ou algo assim. Não tenho certeza de qual foi a ameaça especificamente. Mas quando soube que ela havia sido banida, eu fiquei tipo: “Sabe de uma coisa? Eles lhe deram a oportunidade de apenas pedir desculpas e denunciar a violência, e você não “. Então, quando eles a baniram, foi tipo: “Bem, tudo bem, a escolha foi sua e você a tomou”.

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GT: Choices (escolhas)…

T: Certo? Choices (escolhas), droga. Então, acho que eles tomaram a decisão correta a esse respeito. Novamente, com as coisas que estão acontecendo agora, não podemos aceitar qualquer tipo de ameaça à toa. As pessoas ameaçam essas coisas, e então elas realmente as fazem. Não podemos correr o risco de alguém ameaçar um grupo de pessoas ou uma convenção e pensar: “Ah, eles não estão sendo sinceros sobre isso”, e então acontece e estamos tipo, “Droga. Nós poderíamos ter feito algo”.

GT: Do lado de fora, parece que voltar para o All Stars foi uma jogada brilhante para você. Mas como alguém que viveu isso, como você diria que isso mudou sua carreira?

Participar do All Stars transformou completamente minha carreira. Há uma grande diferença na quantidade de pessoas que assistem o programa de 2010 a 2016, por isso a minha carreira não chegou nem ao próximo nível, mas sim aos próximos três níveis. Eu fui capaz de viajar e conhecer tantas pessoas diferentes de lugares distintos, e eu tive oportunidades que eu nunca teria tido sem isso, como o meu novo álbum que acabou de sair – toda essa situação eu nunca teria conseguido realizar sem o All Stars. Então estar nele me tornou muito mais conhecida e acessível para as pessoas, o que, claro, agradeço.

GT: Houve uma grande diferença entre sua primeira e segunda aparições no programa. Você notou uma mudança entre as duas experiências, especialmente com a maneira como as coisas funcionavam nos bastidores?

T: Tipo, a maneira como as coisas funcionavam no set era a mesma. Você se levanta e vai de manhã cedo. Acho que nossas horas foram um pouquinho mais curtas para o All Stars – na segunda temporada nós ficamos no set por um pouco mais de tempo. Quando se tratava de ficar em reclusão, isso era diferente, porque na segunda temporada só tínhamos que ficar dentro do hotel, podíamos ir aos quartos uns dos outros e assistir TV juntos, o que quiséssemos. Mas no All Stars era tipo, “Não, você fica no seu quarto, você não deve deixá-lo e se precisar de algo, você coloca uma nota embaixo da porta, que alguém faz as rondas e lê qualquer pedido que você tenha”. Então foi um pouco diferente. Mas foi bom, de certo modo, desconectar de tudo.

GT: Você consideraria voltar para outro All Stars no futuro?

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T: Já me perguntaram isso antes e, a essa altura, eu não sei. Eu sinto que o All Stars 2 foi ótimo, e eu tive uma maravilhosa experiência, então uma parte de mim não gostaria de… não arruinar aquilo, mas mudar aquela vibe. Mas o outro lado pensa: “Uma oportunidade é uma oportunidade” e, especialmente, no último ano e meio, tenho dito “sim” para qualquer oportunidade que surja em meu caminho. Porque as coisas nem sempre acontecem duas vezes – ou neste caso três vezes. Então não tenho certeza do que diria. Eu definitivamente pensaria sobre isso. Nada está fora de questão!

GT: Você mencionou anteriormente como Drag Race está se tornando muito mainstream agora – você acha que isso é 100% uma coisa boa?

T: Eu realmente não vejo os [lados] negativos. Eu vejo outras pessoas falando como isso é negativo, mas eu não vejo dessa maneira. Quero dizer, para nós que somos drag queens – se você está em Drag Race ou não – nós colocamos tudo em nossa drag para nos sentirmos como uma estrela, para nos sentirmos como a coisa mais fabulosa que já andou na Terra, e ter um show como esse sendo mainstream só faz isso mais tangível para todos. Então eu acho ótimo. Seja mais mainstream! Coloque na rede de televisão.

GT: Para quem você está torcendo na 10ª temporada?

T: Ooh Certo, vamos ver quem restou. Eu estou torcendo para Miz Cracker, ela é hilária. A Eureka está indo muito bem nesta temporada e eu sinto que ela realmente aprendeu sozinha em um ambiente competitivo. E ela se sente mais leve do que em sua temporada original, então eu estou realmente gostando de vê-la. A aparência de Aquaria é incrível! Eu gostaria de ser tão magra para conseguir fazer tudo aquilo.

GT: Você está ótima como você é.

T: Bem, quero dizer, eu sou um dedo do meio sólido, e ela é um mindinho.

GT: Quanto de ser bom em Drag Race é sobre ser uma grande drag queen, e quanto é fazer um bom entretenimento para TV?

T: Eu acho que são partes iguais, com toda a honestidade. Não é um concurso. Eu diria que é um programa de televisão com aspectos de pompa. Você tem que ser divertida, porque eles estão fazendo um programa de televisão para entretenimento. Então você pode parecer incrível, ou você pode se sair bem em um desafio, mas se você não tem aquela faísca que chama a atenção de todos que assistem em casa, você não vai conseguir. Você tem que ser capaz de se conectar, e às vezes é difícil conectar-se através da filmagem de um reality show, porque você está passando por um monte de emoções, de estar estressada e com medo. Então, sim, eu acho que são partes iguais.

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GT: Seu álbum de estréia saiu agora, o que é muito empolgante. Como foi esse processo criativo?

T: É uma situação bem legal! Eu passei o último ano trabalhando nisso, comecei a gravar em maio passado e demorou um pouco porque eu estava em turnê e escrevendo enquanto estava na estrada e, então, eu voltava para casa e gravava e voltava para a estrada e escrevia mais . Eu escrevi nove das 11 faixas, então isso é muito legal. E eu tenho dois featuring no álbum, um com Salvadora Dali que é uma artista incrível da minha cidade natal, Washington, e eu tenho outro featuring com Cazwell, que é um bom e velho rapper  de Nova York, e isso foi excitante já que ele trabalhou em Drag Race no passado.

GT: A música era algo que você sempre quis fazer? Ou esse empreendimento veio depois de Drag Race?

T: A música é algo que eu sempre quis fazer desde que era criança, só não achei que fosse possível. Porque eu gostava de atuar, sempre fui grande em coreografia e shows de talentos, mas geralmente com movimento não tanto com a minha voz. Eu tinha realmente gravado uma música ou duas por conta própria, apenas brincando com softwares de música antes mesmo de ter participado de Drag Race, então era algo em que eu estava me envolvendo. E então eu participei da segunda temporada e eles nos fizeram cantar ao vivo e eu fiquei tipo “Oh, eu posso fazer isso. Eu certamente posso fazer isso em um cenário de estúdio de gravação, em um ambiente controlado”. Mas sim, logo depois disso eu lancei alguns singles, mas esse foi um momento diferente e foi só por diversão. Desta vez estou levando isso muito mais a sério. Eu tive dois videoclipes, filmar é muito divertido, nunca pensei que seria capaz de fazer isso.

GT: Essa parece ser a parte mais divertida disso…

T: Ah, sim, tornar visual algo que você escreveu, e ter essa ideia em sua mente se juntando com tudo e virando realidade é bem legal. Eu estou meio que verificando minha lista de desejos do que eu quero fazer na vida agora. Tipo, “Oh, um álbum, um videoclipe, uma turnê”. Eu quero fazer todas essas coisas.

GT: O que mais está na sua lista de desejos?

T: Uma coisa que está para acontecer – algo que nunca pensei que aconteceria – é que estou lançando um perfume nas próximas semanas. É chamado Choices, naturalmente, e eu fiz isso em conjunto com Xyrena, que trabalhou com a Trixie Mattel, Willam e Pearl em suas fragrâncias. Estou muito animada com isso.

Entrevista concedida a GayTimes, postada originalmente aqui.

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