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Drag Queens

The Vivienne e Baga Chipz estrelam “Morning T&T” nova webserie da Wow+

The Vivienne e Baga Chips darão vida à Margaret Tatcher e Donal Trump em nova websérie de comédia, “Morning T&T”.

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Margaret Thatcher, de Baga Chipz, e Donald Trump, de The Vivienne, foram duas das melhores personificações da primeira edição do Snatch Game de Drag Race UK. Por isso a World Off Wonder, criadora de RPDR, criou uma nova série para a dupla.

Caso você não tenha percebido, o T&T é de Donald Trump e Margaret Thatcher, seus personagens do Snatch Game. Quem diria que estaríamos animados com um talk show estrelado por Trump e Thatcher, mas aqui vamos nós! A nova série da WOW Presents + será uma “paródia da TV de café da manhã do Good Morning Britain com um toque drag”. Confira a seguir o trailer do show.

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Mas esse ainda não é o prêmio da The Vivienne por ter vencido a primeira temporada de Drag Race UK. A rainha vai estrelar sua própria websérie, The Vivienne Takes Hollywood, que chegará ao serviço de streaming da WOW em 2020. A série centrada em Vivienne a seguirá em uma viagem paga com todas as despesas a Los Angeles.

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“Morning T&T” chega ao WOW Presents Plus em dezembro e “The Vivienne Takes Hollywood” chega no próximo ano, 2020.

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Saullete é preto, gay e comunicólogo que criou a Draglicious com o intuito de compartilhar com outros fãs seu amor pela arte drag e por Drag Race. Além de informar e entreter seu público, Saullete levanta discussões relevantes para amantes da arte drag e para a comunidade LGBT.

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Drag Queens

Michelle Visage revela porque RuPaul e Pearl discutiram em Drag Race na S7

Michelle Visage, finalmente, falou sobre a famosa discussão longe das câmeras entre RuPaul e Pearl na sétima temporada de Drag Race.

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Michelle Visage avaliou a famosa discussão entre RuPaul e Pearl. Como todos sabem, há um pouco de história entre a dupla. Eles tiveram um confronto extremamente embaraçoso durante a sétima temporada (“há algo no meu rosto?”). E no ano passado, Pearl lembrou de um momento longe das câmeras com Ru que ‘quebrou seu espírito’.

Em conversa com Johnny McGovern no Hey Qween, Pearl revelou:

“Estávamos filmando um segmento, apenas conversando, conversando sobre o que quer que seja, e então a câmera foi desligada por um momento. Virei-me para RuPaul e disse: ‘Oh meu Deus, muito obrigado. É uma honra estar aqui, um prazer conhecê-lo, você não tem idéia. Apenas dando a ela tudo o que eu sempre quis dizer a ela. Ela se virou para mim e disse: ‘Nada do que você diz importa, a menos que a câmera esteja gravando’.
Isso quebrou meu espírito, e essa é a razão pela qual eu tive um pé e outro fora durante todo o tempo em que estive naquele show. Naquele momento, foi tão comovente porque eu a idolatrei. Eu a adorava. Eu senti que era tão desrespeitoso”.

O relato completo pode ser lido aqui.

>  Especial Yvie Oddly: relação com RuPaul e rumos de Drag Race
>  Revista faz ranking de drag queens e causa indignação

Michelle – que permaneceu calada sobre o assunto – finalmente abordou os comentários de Pearl durante a final da primeira temporada de Drag Race UK.

Depois que um membro da platéia perguntou às rainhas o que mais as surpreendeu em filmar o programa, Divina De Campo respondeu:

“É o fato de você não ter permissão para conversar. Se a câmera não está gravando, você não fala. Você não fala na van, não fala na sala de trabalho… não fala em lugar nenhum”.

Isso levou Michelle a complementar:

“Foi daí que veio a citação de Pearl com Ru; todo esse drama com Ru dizendo: ‘Se as câmeras não estão gravando, não conta’. Porque eles querem a mágica”.

The Vivienne entrou na conversa:

“Ru está lá para fazer um trabalho. Nós estávamos lá para fazer um trabalho. A única coisa que direi qual foi a maior surpresa é que tudo é feito de uma só vez. Se você estragar o Snatch Game, não há, ‘Oh, eu posso fazer isso de novo?’
É [direto], ‘estamos gravando. Se você estragar tudo, desculpe. Não há nada que você possa fazer sobre isso’”.

>  S10 | Comentários do 3º Episódio
>  S11E05 | Runway | Trampy Trick or Treater

Recentemente, durante um episódio da série digital Exposed de Joseph Shepherd, Katya foi perguntada se sua experiência com Ru era semelhante.

“A minha [experiência] foi pior, mas eu tenho bons modos suficiente para não trazer Ru para isso. Eu estava lá naquele dia e lembro-me muito vividamente, da sensação disso. […] Minha percepção de Ru é … assisti sua entrevista com Pearl e ela disse bem: não conheça seus heróis”.

A entrevista de Katya pode ser lida aqui.

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Cultura

Pabllo Vittar lança clipe de “Amor de Que”

Pabllo Vittar lançou seu mais novo clipe do single “Amor de Que”.

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Pabllo Vittar lançou seu mais novo clipe do single “Amor de Que“. No vídeo, a rainha se diverte com vários boys e mostra como que é um “amor de quenga”. Os looks são maravilhosos e a mensagem é simples mas poderosa: Pabllo tem liberdade na hora de decidir com quem e como se relaciona. Confira o clipe a seguir.

>  S11E05 | Runway | Trampy Trick or Treater
>  #48 | Drag Race S11E01: Whatcha Unpackin'

As filmagens foram realizadas em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. João França Ribeiro, o estilista da cantora disse sobre o clipe:

“Quisemos retratar exatamente o perfil daquela mulher brasileira que é livre, empoderada e que não vê problema em se relacionar com quem bem quiser. Também resgatamos aquela menina de interior do nordeste, o que trouxe elementos bem brasileiros, como shortinho curto, salto alto, top de croché e look jeans”.

 

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Babados

Tyra Sanchez revela porque seu filho não tem redes sociais

Tyra Sanchez não deixa o filho adolescente usar redes sociais e o fandom de Drag Race tem responsabilidade nisso.

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Desde que venceu a segunda temporada de RuPaul’s Drag Race, Tyra Sanchez e seu filho sofrem constantes ataques nas redes sociais, desde racismo a ameaças de morte. Recentemente a queen voltou a ser ativa em suas redes sociais e explicou no twitter porque não permite que seu filho tenha conta em mídias sociais, confira:

Pissy: Qual é a @ do filho da Tyra Sanchez, quero fazer bullying com ele.
Tyra: Essa é a razão exata pela qual meu filho adolescente não pode ter contas nas redes sociais, porque o criamos com autoconfiança e porque diariamente reforçamos que ele é o maior dos maiores. Alguns de vocês pais deviam tomar nota.
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>  S10 | Comentários do 3º Episódio

Infelizmente, no fandom de Drag Race há muitos fãs racistas e problemáticos que em vez de celebrarem suas rainhas favoritas preferem perseguir outras drags, principalmente as negras, e seus familiares. Eles escondem-se atrás de perfis falsos e por isso se sentem invencíveis. Torço para que Tyra e o filho, Jerome, consigam viver tranquilos, longe de tanta negatividade e ódio.

Para ler sobre outros casos de racismo em Drag Race clique aqui.

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Babados

The Vivienne não aceita se apresentar no The X Factor por falta de pagamento, mas Baga Chips aceitou

The Vivienne recusou convite para aparecer na final do The X Factor Celebrity, pois a produção decidiu não pagá-la pelo trabalho. Mas Baga topou a empreitada. Confira a seguir.

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Divina de Campo, The Vivienne e Baga Chipz.

Depois de Miss Fame recusar trabalhar com Justin Bieber devido ao baixo cachê que iriam lhe pagar, agora foi a vez de The Vivienne se recusar a se apresentar na final do reality reality britânico, The X Factor Celebrity, que vai ao ar hoje por motivo similar. A rainha foi convidada, mas sem pagamento pulou fora. Confira:

“Fiquei tão honrada por ter sido convidada a me apresentar no The X Factor esta noite. No entanto, eu decidi não ir. Até que eles percebam que as drag queens são artistas que também precisam ser pagas, eu recusarei educadamente. Todo mundo vai ser pago a não ser as drag queens? Não é aceitável!”
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A queen continuou, Cheryl e Baga entraram na conversa.

Vivienne: Eu espero que a Baga se divirta! Você vai arrasar! E que Jenny VENÇA!! A Baga teve a gentileza de me convidar para performar com ela. Mas acredito que os artistas devem ser pagos. Especialmente por empresas ENORMES.
Cheryl: Diga mais alto para as pessoas lá no fundão que ainda não estão te ouvindo!!
Baga: Estou fazendo isso para apoiar minha amiga Jenny. 💖💖💖
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Babados

Katya fala sobre season 7 de Drag Race e relação com RuPaul

Katya fala o porquê a sétima temporada de Drag Race não foi tão boa, o que ela sentiu ao passar pelo show e sua sua relação com RuPaul.

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Em bate-papo com para o canal do YouTuber Joseph Shepherd, Katya, a lendária drag que apareceu na sétima temporada e no All Stars 2 de Drag Race, foi questionada sobre sua passagem no show. Sobre sua passagem na S7, ela descreveu que entrar na sala de trabalhos pela primeira vez foi tipo:

“O pior momento da minha vida. Eu cometi um erro.
Elas pareciam podres, as meninas, pareciam podres … e algumas delas eram! Eu não estava preparada para aquela maldade, bem não era maldade mesmo, mas eu não estava preparada para ser julgada naquele nível.
Eu me dou bem com todo mundo onde moro, até os trolls, as prostitutas, os vadios podres que não tinham nada a oferecer. Mas eu não pude lidar com isso. Juro por Deus que ouvi Violet dizer: ‘Parece que precisávamos de uma rainha descartável’ ou algo assim. Eu acho que ela comentou. Foi terrível”.
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>  DRUK S1 | RuView do 3º episódio

CRÍTICAS A S7

Comentando a recepção negativa da sétima temporada, Katya opinou:

“Eu acho que o consenso geral agora entre os super-fãs do programa é que foi uma temporada de grande potencial, sem bons desafios. Foi uma temporada de talento desperdiçado”.

Até então, a sétima temporada foi a que havia reunido o maior número de rainhas da moda, mas, de acordo com Katya, suas habilidades foram desperdiçadas em:

“Desafios de atuação em que você realmente não traz muito de si, especialmente sua criatividade original. Muito disso não combinou de forma alguma. Apenas fez a temporada não ser tão boa”.
>  Especial Yvie Oddly: relação com RuPaul e rumos de Drag Race
>  #17 | Drag Race S10E08: The Unauthorized Rusical

RELAÇÃO COM RUPAUL

Katya relembrou o confronto de Pearl com RuPaul e respondeu o seguinte quando questionada sobre sua relação com o apresentador de Drag Race:

“A minha [experiência] foi pior, mas eu tenho bons modos suficiente para não trazer Ru para isso. Eu estava lá naquele dia e lembro-me muito vividamente, da sensação disso.
Ela e Max estavam sentados no sofá e eu estava na mesa da sala de trabalhos, mais próxima deles. Minha percepção de Ru é … assisti sua entrevista com Pearl e ela disse bem: não conheça seus heróis.
Uma coisa que vem à mente imediatamente é sobre expectativas e há um ótimo ditado: ‘expectativas são ressentimentos premeditados’. Eu posso imaginar Ru dizendo o que ela disse a Pearl de várias maneiras diferentes, e não estou dizendo que ela inventou aquilo”.

No entanto, Katya disse que “Ru é incrível” e relembrou uma experiência hilária que eles tiveram quando ela passou por mama num restaurante. Katya olhou para ela e ofegou, para o qual Ru a encarou e levantou o dedo do meio.

>  #48 | Drag Race S11E01: Whatcha Unpackin'
>  RuPaul's Drag Race vence o Emmy de Melhor Reality Show

Na sétima temporada Katya ficou em quinto lugar, posteriormente ela retornou para o All Stars 2 e foi vice-campeã ao lado de Detox.

Assista à entrevista de Katya ao Exposed com Joseph Shepherd a seguir.

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Babados

The Vivienne critica drag queens que não se inscreveram em Drag Race UK pela falta de prêmios em dinheiro

“Nós ganhamos mais que uma medalha”, The Vivienne critica rainhas britânicas que se recusaram a se inscrever para a segunda temporada de Drag Race UK pela falta de “prêmios em dinheiro”.

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As rainhas vencedoras dos desafios semanais de Drag Race UK ganham medalhas RuPeter e a grande campeã da temporada uma websérie.

Drag Race UK tem sido um grande sucesso, com relatórios dizendo que em torno de 6,5 milhões de pessoas estão assistindo a série na BBC 3. O programa prosperou tanto em suas similaridades quanto nas diferenças com a versão americana.

Uma das principais diferenças está nos prêmios. Ao contrário da versão dos EUA, onde as rainhas ganham vale-compras, perucas ou até viagens, as rainhas vencedoras na versão do Reino Unido são recompensadas com uma medalha RuPeter.

Isso já foi explicado, Drag Race UK por ser produzido pela BBC Three é financiado com dinheiro público, logo eles não conseguiriam justificar o prêmio em dinheiro no valor de 100 mil libras para a grande campeã. Além disso, de acordo com a BBC, “nenhum programa em um serviço público da BBC pode ser patrocinado” (leia mais aqui).

Então, enquanto a versão dos EUA pode dar um suprimento sickening [doentio] de maquiagem Anastasia Beverly Hills, viagens de luxo cortesia da Al & Chuck Travel, ou as caríssimos jóias da Fierce Drag Jewels, a BBC não pode se juntar a um patrocinador para oferecer um orçamento igualmente de grande prêmios.

>  Como RuPaul foi aclamada pelo mundo
>  Resenha Sex Education | Sexualidade didática na Netflix

E parece que a falta de prêmios impediu algumas rainhas de enviar sua inscrição para o show. No entanto, a rainha The Vivienne, que ganhou três medalhas RuPeter, deu uma bronca em quem não quis fazer o teste. A queen postou no twitter:

Vivienne: “Não estou me inscrevendo em Drag Race UK S2! Quero mais do que um distintivo. Nós ganhamos mais que uma medalha, MUITO mais que uma medalha. #CarreiraDosSonhos”.
Sum: FALA ALTO PARA AS CRIANÇAS NO FUNDO!!!
Blu: Pregação!!!!
>  #17 | Drag Race S10E08: The Unauthorized Rusical
>  S10 | Comentários do 3º Episódio

A queen ainda fez mais críticas para o sensacionalismo em torno do show:

“Estou farta de ‘páginas sinceras’ dizendo como Drag Race funciona. Como funciona a escalação de elenco, como funciona a produção. Essas páginas não sabem de nada, mas amam achar que sabem. Manas, se inscrevam para a season 2, o cast ainda não foi escolhido. Eu mesma não fui ‘convidada’ e eu era a embaixadora. SONHEM GRANDE”.

Em tempo, Várias rainhas que passaram pelo show revelaram nunca ter recebido os prêmios que ganharam nos desafios semanais. Então, tirando o prêmio de 100 mil da campeã da temporada, as rainhas do Reino Unido estão no mesmo barco.

Contudo, Drag Race já provou ser uma grande plataforma, sendo o pontapé inicial na carreira de sucesso de várias rainhas. Se importar apenas com prêmios em dinheiro é deixar passar a oportunidade de uma vida. Em tempo, as inscrições para a segunda temporada de Drag Race UK terminaram no dia 15 de novembro.


Para ler mais sobre DRUK clique aqui.

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Destaques

Crianças viram rainhas de Drag Race em ensaio fotográfico

Um estúdio fotográfico fez um lindo ensaio fotográfico com crianças usando looks icônicos das rainhas que passaram por Drag Race. Confira a fofura a seguir!

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O estúdio fotográfico Pose PGH fez um lindo ensaio fotográfico com crianças usando looks icônicos das rainhas que passaram por Drag Race.

Para o fofíssimo ensaio o estúdio postou a seguinte mensagem:

Our Legendary Children é uma celebração do amor, amor próprio e amor dos outros, na sua forma mais pura e adorável! Se você não pode amar uma versão miniaturizada de si mesmo, como diabos você vai amar outra pessoa?”

Confira a seguir o ensario:

Alaska

Aquaria

Bob The Drag Queen

Katya

>  RuPaul's Drag Race vence o Emmy de Melhor Reality Show
>  DragCon NY 2018 | Destaques do 2º Dia

Monet X Change

Sasha Velour

Shangela

>  DRUK | S01E06 | Runway: Rainy Day Eleganza
>  Aquaria é a grande campeã da S10 de RuPaul's Drag Race, Monet a Miss Simpatia

Sharon Needles

Shea Coulee

Trixie Mattel

>  Revista faz ranking de drag queens e causa indignação
>  #48 | Drag Race S11E01: Whatcha Unpackin'

Vanessa Vanjie Mateo

Violet Chachki

RuPaul

Ficha técnica

Fotografia + Direção de arte: Lexi Shapiro / POSE PGH

Guarda-roupa: Suz Pisano / Sparkle Studio

Maquiagem: Karma Lama

Perucas: Bebe Beretta

Cabelo/peruca: Tori Bivins

Assistente: Lisa Seligman

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Destaques

RuPaul, A Rainha Filósofa

RuPaul fala de arte drag, seu novo trabalho na Netflix, sua trajetória de vida, enquanto compartilha suas filosofias de vida.

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Como a maior embaixadora drag viva, o artista nascido RuPaul Andre Charles tem passado décadas trazendo a forma de arte da boate para as nossas salas de estar. Com um novo programa roteirizado a caminho e outra evolução sob seu comando, ele está indo além dos limites da TV virtual – e enfrentando a natureza da própria realidade.

É setembro em Burbank, e um carrinho de golfe está me levando para um cantinho do paraíso gay. Especificamente, isso me leva a um edifício de teto baixo nos estúdios da Warner Bros., um quase bangalô despretensioso onde o escritor e produtor de televisão Michael Patrick King tem seus escritórios. No interior, as paredes são decoradas com vários pôsteres para sua série (e filmes subsequentes) Sex and the City, enquanto o famoso agasalho usado por Lisa Kudrow em The Comeback repousa orgulhosamente em um manequim. É uma experiência emocionante, quase digna de gritaria, estar naquelas salas sagradas. E então eu viro para um lado e me deparo com RuPaul.

O artista – drag queen, apresentador de televisão, cantor, ator, vendedor, guru espiritual amador – projeta uma grandeza instantânea. Nesta segunda-feira sufocante, depois do Emmy, ele está usando um de seus ternos vibrantes e chiques, de marca registrada, de um fúcsia elétrico calmante de alguma forma, sobre uma camisa rosa com estampas suaves. Ele está fazendo um pequeno retoque de maquiagem – compacto em uma mão, almofada na outra – e quando vou cumprimentá-lo, ele me dá um abraço, porque suas mãos estão ocupadas. Sinto-me honrado – como qualquer um se sentiria na presença de RuPaul, especialmente por ele está abraçando você -, mas sou rapidamente trazido de volta à terra de uma maneira muito RuPaul.

“Por que eu estou abraçando você?” Ele pergunta com uma risada confusa, provavelmente nem brincando. “Eu nem te conheço”.

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É uma pergunta justa, mas viajei para Burbank para perguntar outra: realmente conhecemos o RuPaul? Certamente, podemos lembrar e apreciar seu hit “Supermodel”, a música dançante que a colocou nos holofotes mundiais desde 1992. E o assistimos temporada após temporada, após uma década, em seu premiado reality de competição RuPaul’s Drag Race – ele ganhou mais uma estatueta do Emmy como melhor reality de competição este ano.

Ele fez participações especiais em séries de TV e filmes. Ele hospeda um podcast, What’s the Tee? com Michelle Visage, que aborda coisas efêmeras da cultura pop e histórias pessoais. Ele publicou três livros: Lettin ‘It All Hang Out de 1995, Workin’ It! de 2010 e GuRu de 2018, este último uma espécie de guia espiritual com uma introdução de Jane Fonda. Recentemente, RuPaul começou a vender produtos na QVC – uma linha de maquiagem que esgotou após sua primeira aparição na rede. Aparentemente, RuPaul esteve em todo lugar nos últimos 30 anos, e ainda há algo bem parecido como uma esfinge enigmática nele. De certa forma, ele projeta tudo e nada de uma só vez, um truque de mágica majestoso que envolve um ser humano formidável, mas também vulnerável.

O sentido predominante que se tem ao olhar para a carreira de RuPaul é que ele, assim como em sua música “Supermodel”, trabalhou muito. Tipo, ele trabalhou muito, saindo da cena turva dos club-kids do final dos anos 1980 e início dos anos 90 na baixa de Manhattan para se tornar um magnata da mídia cujo valor líquido pessoal foi estimado em 60 milhões de dólares. E ele de forma alguma concluiu seu trabalho. Recém-saído de sua mais recente coroação do Emmy, RuPaul está nos estúdios da Warner, tendo acabado de editar o áudio de uma série de comédia da Netflix chamada “AJ and the Queen”, uma colaboração com Michael Patrick King que estreia em janeiro. É um trabalho que exige muita atuação, humor e drama, e marca mais uma reinvenção para sua estrela. Ou, se não uma reinvenção, uma revelação de cada vez mais de sua habilidade e áreas de interesse.

Observando a maneira como ele empurrou sua marca para o grande público, pode-se imaginar que RuPaul transcendeu a contracultura que o originou. Mas ele não está nem um pouco preocupado com a possibilidade de perder o acesso ao seu espírito transgressor.

“Não me preocupo com isso. É o que eu sou. Eu sempre vi o que está por trás da cortina. Eu sempre vi que o cara controlando os botões, esse é o verdadeiro mago. Sempre pude ver que o imperador não está vestindo roupas”.

Drag Race trouxe uma forma de arte, uma vez relegada para boates escuras nas grandes cidades, para as casas de milhões de pessoas, inspirando uma nova e variada geração de jovens a apreciar e tentar fazer drag em todo o seu esplendor. Drag Race é regularmente o programa de TV a cabo número um no horário em que é exibido e foi assistido, em várias plataformas, mais de 180 milhões de vezes em 2019. Seu sucesso acabou levando à criação da RuPaul’s DragCon, uma convenção anual que começou em Los Angeles em 2015, que desde então adicionou uma edição em Nova York que se expandirá para Londres em 2020. Dezenas de milhares de artistas, fãs e amantes de drags participaram das convenções desde o início. E há a linguagem: vários termos e bordões que Drag Race trouxe para o discurso mais amplo e que foram profundamente absorvidos pela cultura adolescente on-line. Qualquer garota do VSCO que se preze provavelmente usa uma terminologia que entrou no seu vocabulário por meio do programa de RuPaul.

Em East Village (Nova York), perto da Pyramid Club; em San Diego no início dos anos 1960; em Atlanta, 1979.

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Mas isso não significa que drag será realmente popular algum dia, insiste RuPaul.

“Um aspecto superficial do drag é popular. Tipo, o ‘Ooh, garota’ ou ‘Ei, mana!’ Ou ‘Yaaas’. Essa é a cultura mainstream. Mas o verdadeiro drag nunca será realmente popular. Porque o verdadeiro drag perceber que este mundo é uma ilusão e que tudo o que você diz ser e tudo o que está escrito em seus documentos, tudo é uma ilusão. A maioria das pessoas nunca entenderá o que é isso. Porque eles não têm o sistema operacional para entender essa dualidade.

Tudo o que o mundo diz que você é que está escrito na sua carteira de motorista é tudo uma ilusão.

Adoro aquela cena em Matrix, onde você vê inúmeras fileiras de pessoas vivendo suas vidas em um casulo, mas elas estão sonhando com esse outro mundo. Essa é uma imagem tão poderosa. Eu acho que a maioria das pessoas tem a capacidade de entender isso, mas não ousa ir além. Porque então eles seriam forçados a desconstruir todo o seu sistema de crenças e construir outro. Construir um novo sistema de crenças e depois mantê-lo é uma tarefa difícil. Muitas vezes, isso significa que você deve deixar sua família e amigos para trás. Porque eles não vão entender”.

Muitos parecem entender, no entanto. RuPaul tem um círculo leal e fiel de amigos e colaboradores; muitas das pessoas com quem ele trabalha em Drag Race são seus companheiros de batalha desde o começo, desde que RuPaul deixou a cena da noite em Atlanta e chegou a Nova York com um toque retumbante.

RuPaul nasceu RuPaul Andre Charles em San Diego em 1960. Após o divórcio de seus pais em 1967, ele viveu com sua mãe, Ernestine, uma nativa da Louisiana que nomeou seu filho parcialmente por roux, a base de farinha e manteiga de muita cozinha do povo negro. Talvez atendendo a uma premonição que Ernestine recebeu de um médium – que seu filho seria famoso um dia – RuPaul se mudou para Atlanta aos 15 anos para estudar performance, viajando pelo país com uma de suas três irmãs, Renetta. Quando RuPaul chegou à Geórgia, ele brincou e dançou, se tornando dançarino go-go para a banda Now Explosion e aparecendo em programas de TV locais. Eventualmente, o Now Explosion levou RuPaul para Nova York, onde rapidamente chamou a atenção de outros jovens tentando criar algo novo e ousado.

Fenton Bailey, co-fundador da produtora World of Wonder, que produz Drag Race para VH1 (a série era exibida no Logo, uma emissora a cabo muito menor voltada para o público LGBT), lembra quando viu RuPaul pela primeira vez em meados da década de 1980, em uma conferência de música realizada no Marriott Marquis em Times Square. RuPaul não conseguiu obter acesso à conferência real, mas ele poderia pelo menos ficar em algum lugar de destaque para vender seu álbum, Sex Freak. Bailey lembra:

“Ru estava naquele incrível saguão com botas de cano alto até a coxa, jockstrap, ombreiras e forro de lixo desfiado, agitando seu álbum e uma grande peruca vermelha”.

O outro co-fundador do World of Wonder, Randy Barbato, reconheceu imediatamente o que nós agora todos podemos ver como uma ética de trabalho prodigiosa.

“Por mais selvagem que tenha sido a apresentação de [RuPaul], e por mais louca que tenha sido a cena, acho que fomos espíritos instantaneamente ligados por falar uma língua semelhante. Sabíamos jogar e nos divertir, mas também éramos pessoas trabalhadoras e ambiciosas. Logo após nos conhecermos, fomos produzir seu álbum Star Booty. Tenho lembranças tão distintas de como ele estava concentrado durante esse processo. Mesmo parecendo uma aberração, ele era muito estudioso”.

O tipo de rdrag que RuPaul faz – glamourosa, mas satírica, imponente com uma sobrancelha erguida conscientemente – requer uma certa habilidade de observação, uma capacidade surpreendente de ler o mundo, que RuPaul diz possuir desde sempre. Durante anos, ele esperou astuciosamente as mudanças no arco cultural e descobriu como ele pode manobrar e explorá-las melhor. Pessoalmente, as lâmpadas fluorescentes no escritório do bangalô se apagaram a pedido de RuPaul, para que tomemos um banho na noite natural pálida e contemplativa, ele fala muito sobre consciência. Ele explica que está sempre alerta e ciente dos artifícios do mundo – e, assim, percebe que talvez nada seja realmente novo.

“Por enquanto, o que me sustenta é a estabilidade… e estar consciente. Não se trata de aprender algo novo, é de lembrar o que você já sabe”.

Parte dessa consciência elevada foi encontrada na sobriedade, à qual RuPaul chegou, com a ajuda da terapia, em várias etapas. Ele largou as drogas químicas e o álcool no início dos anos 90. A maconha, uma muleta mais constante, era mais difícil de largar, mas ele se desintegrou gradualmente até 1999. Atualmente, RuPaul diz:

“É difícil para mim ficar acordado depois das nove horas. Minha indulgência, honestamente, está demorando comigo mesma. Eu vou caminhar, por volta das 6:30 da manhã. Eu medito”.

Essa é uma mudança de vida que teve um impacto significativo em sua psicologia e em sua produção criativa. Ele revelou com os olhos brilhando de lágrimas:

“Bebi e fumei muita erva porque queria que minha visão de mundo mudasse. A verdade é uma coisa muito poderosa. A verdade do que realmente está acontecendo. Eu queria calar isso. Depois que parei de fazer isso, o trabalho se tornou como processar a verdade. A verdade do que é este mundo, a verdade do que as pessoas são. E até onde chegamos na civilização. O que, a propósito, não é muito longe. Somos um povo muito primitivo. E para pessoas que são almas doces e sensíveis, isso se torna uma espécie de tortura.

As pessoas que funcionam em um determinado nível têm um caminho solitário para viajar. Apenas um fato da vida. E aprender a navegar nisso – as outras pessoas em sua vida, ou a realidade de sua família, a realidade do estado dos negócios ou da política – torna-se realmente chato. E para pessoas como nós, estar entediado é a coisa mais torturante de todas”.

Em Atlanta 1988.

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É difícil imaginar RuPaul entediado. O que ele realmente está falando, é claro, é algo mais profundo, uma inquietação de espírito que ele sempre despejou em seu trabalho e na persona que o tornou famoso: o que ele chama de o Monstro, uma diva loira de peruca, alta de quase um metro e oitenta, que ele descobriu depois de anos fazendo um ato mais andrógino.

“Quando eu realmente queria ir para o mainstream, acima da rua 14th Street em Nova York, saí e comecei a fazer minha coisa inspirada no David Bowie, minha coisa andrógina em boates, e voltei para Atlanta. As pessoas me viam e falavam, ‘é fofo, Ru, mas quando você vai fazer o Star Booty? Quando você vai fazer a coisa do drag?’”.

Como ele sempre tenta, RuPaul prestou atenção às pistas do universo.

“Mudei minhas idéias sobre mim. Eu disse, eu vou fazer isso de drag. Não só vou fazer isso em drag, mas o farei como um drag glamazon. E vou tirar um pouco da subversividade sexual e me tornar uma caricatura da Disney, para que Betty e Joe Beer Can não se sintam ameaçados pelos aspectos sexuais do drag. Eles não serão ameaçados pelo fato de eu estar realmente zombando da identidade. Essa foi a combinação científica que eu costumava romper com o mainstream. Então foi o que eu fiz. Pedi a ajuda de todos os meus amigos, membros da minha tribo e, juntos, criamos esse visual. Foi assim que ‘Supermodel’ aconteceu. Isso decifrou o código”.

Depois de “Supermodel”, a iminente força titânica de RuPaul solidificou seu estrelato com o programa de entrevistas subestimado da VH1 The RuPaul Show, que estreou em 1996. Foi exibido por apenas 100 episódios, mas o sobressalto da pose sem remorsos de RuPaul alcançando uma posição de tão grande destaque no imaginário popular, o Monstro foi consagrado como um símbolo – talvez o símbolo, ao mesmo tempo convidativo e desafiador – da drag moderna.

RuPaul presidiu um grande renascimento – ou pelo menos popularização – da forma de arte, um movimento culminado pelo sucesso da Drag Race. Não é exagero dizer que o programa, que apresenta concorrentes competindo em desafios irreverentes para se tornar a próxima superestrela drag dos Estados Unidos, alterou fundamentalmente a natureza da socialização gay, ao mesmo tempo em que agrada a legiões de fãs além dos muitos homens gays que gritam nos bares pelo país afora (e planeta) com seus amigos e amores toda quinta-feira à noite.

Drag Race começou como um nicho de culto, fora do radar. Mas, por meio das mídias sociais e da infraestrutura mais antiga de intercâmbio cultural queer – e auxiliada por um mandato social mais amplo de inclusão e representação – a série construiu seu perfil de maneira constante no sucesso que é hoje atingido pelos prêmios. Embora parecesse um pouco arriscado para o espectador casual da época, os criadores de Drag Race dizem que sempre souberam que o programa seria significativo. Tom Campbell, um produtor executivo que acompanha a série desde o início, viu o potencial imediatamente após filmar o primeiro episódio.

“Enquanto estávamos filmando, sabíamos que algo especial estava acontecendo. Você tem todos esses grandes planos no papel do que poderia ser, e acho que superou tudo isso. Não era apenas uma paródia de reality shows. Não eram apenas rainhas fazendo loucuras. Foi essa incrível exploração da comunidade LGBTQ, falando sua língua e dizendo suas verdades”.

Quando Drag Race se mudou para o VH1 para a temporada nove, em 2017, mais que dobrou sua audiência, de acordo com a rede. Até então, os espectadores do programa eram adoradores ardentes em sua igreja, não apenas desfrutando de sua paródia e atrevimento, mas também encontrando algo muito mais profundo em suas mensagens.

Michelle Visage, uma das melhores amigas de RuPaul e jurada regular do programa desde a terceira temporada, cometa:

“Os pais vêm até mim [agora] e dizem que [o programa] os ajudou a entender um pouco mais o filho queer. Este pequeno programa de TV mudou e salvou a vida de tantas pessoas”.

Esse tipo de fenômeno, divertido, mas carregado de um monte de peso emocional, pode se tornar um ônus para sua estrela. E, no entanto, RuPaul não se deixa abalar por nenhum tipo de responsabilidade devido à sua congregação.

Em cima: No baile de formatura de 1983 da Northside High, Atlanta; Fazendo um videoclipe com Diana Ross em West Hollywood, 1996. Embaixo: Com Elton John no Brit Awards de 1994, Londres; Com Jean Paul Gaultier, 1994.

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“É importante que eu me concentre na minha experiência. Você sabe como, no avião, eles colocam a máscara no seu rosto antes de você colocar a máscara no rosto do seu filho? Começa comigo. Eu não posso ajudar alguém, a menos que eu esteja me divertindo ou me sinta completa”.

Ele usou a analogia do avião em entrevistas antes, mas continua sendo uma boa comparação. Há algo que nos desarma na presença de RuPaul; ele não é egoísta, certamente, e ele nem parece tão vaidoso. Mas ele sabe quem ele é e que espaço no mundo ele quer ocupar, e ele percebe isso, com um senso de pertencimento garantido.

“Não faço isso porque quero ser um modelo. Se alguém pode obter algo do que estou fazendo, eu digo se joga, mana. Mas não é por isso que eu faço”.

Ocasionalmente, RuPaul tem sido criticado por não pensar de maneira bastante progressiva sobre o que sua presença de estrela e o culto à Drag Race significam para o mundo exterior. Ele foi objeto de polêmica por causa de algumas declarações sobre identidade de gênero, talvez mais intensamente em 2018, quando sugeriu que Drag Race provavelmente não escalaria mulheres trans que foram submetidas a cirurgias de confirmação de gênero. E em setembro passado, RuPaul foi criticado quando parte da equipe de produção da Drag Race se juntou a ele no palco para aceitar o prêmio de melhor reality de competição no Emmy e era um grupo de pessoas majoritariamente brancas. Em uma entrevista coletiva nos bastidores, RuPaul descartou uma pergunta da repórter da revista Essence Danielle Young sobre essa falta de diversidade, fortalecendo ainda mais as polêmicas. RuPaul repentinamente, e desconfortavelmente, viu-se tendo que justificar e defender suas escolhas, da maneira que talvez todas as estrelas façam quando se tornam grandiosas hoje em dia.

RuPaul na Times Square em 1992.

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Pergunto ao RuPaul sobre a questão trans em Drag Race, uma das poucas vezes em que a sala fica um pouco fria. “Sim, eu não quero falar sobre isso”, ele responde uniformemente.

“É uma situação de perder ou perder. Não há uma coisa que eu possa dizer que faça as pessoas se sentirem melhor com isso. Eu sei o que sou. Eu venho de um lugar de amor. Não estou aqui para fazer as pessoas se sentirem mal”.

A conversa muda para o tópico mais geral de como as declarações públicas são lidas e processadas em nossa era on-line.

“Você tem que olhar para a intenção por trás das palavras. Você pode dizer muitas palavras e pode interpretá-las como quiser. Mas você precisa se aprofundar para entender o que isso realmente significa. É mais difícil de fazer, e é isso que as pessoas não querem fazer. Eles querem torná-lo em preto e branco. Nada é preto e branco”.

Quanto à questão da diversidade racial nos bastidores de Drag Race, foi esclarecido imediatamente após o Emmy que uma mulher negra profundamente envolvida no programa, a co-produtora executiva Jacqueline Wilson, havia morrido no início do mês. Todrick Hall, um fã do RuPaul que se tornou colega quando foi contratado como coreógrafo da Drag Race há dois anos, diz que vê muita diversidade no set.

“Há muita gente na equipe que faz cabelo e maquiagem e pessoas que trabalham nos bastidores. Eu consideraria um grupo diversificado de pessoas. Sou uma das pessoas que trabalha no programa e sou afro-americano. Quando as pessoas entram [e] mostram que querem estar lá e estão dispostas a trabalhar duro para poder fazer do show o sucesso que é, todos são bem-vindos”.

Na frente da câmera, Drag Race tem sido mais demonstrativamente representativo. Bob the Drag Queen, que foi inspirada a fazer drag em parte por causa do showe e que foi a vencedora da oitava temporada, diz que o programa:

“Poderia ser melhor para lançar um espectro de gênero mais amplo, mas em termos de diversidade racial, eu não sei de um programa que faça melhor”.

A série foi uma benção para muitos de seus 140 concorrentes, elevando e lançando carreiras de sucessor para muitas das rainhas que passaram pelo palco deslumbrante do programa. Bob conta:

“Minha carreira mudou muito antes mesmo de vencer. Uma vez que os rumores do elenco foram anunciados, minha carreira mudou”.

As competidoras anteriores de Drag Race lançaram álbuns, saíram em turnês. Uma rainha, a favorita dos fãs, Bianca del Rio, se apresentou no Carnegie Hall. E todos desfrutaram de um aumento no cachê em boates e outros shows tradicionais, graças à sua nova visibilidade. Randy Barbato diz:

“Todos são vencedores. É o único reality show competitivo em que praticamente todo o elenco sai com uma carreira”.

Lady Bunny é uma drag queen veterana que surgiu com RuPaul e Now Explosion em Atlanta e mais tarde em Nova York e viu a maré da Drag Race subir muitos barcos – com apenas alguns destroços ao longo do caminho. Bunny foi convidada no show e saiu em turnê com alguns concorrentes anteriores. Ainda assim, Bunny diz, o programa tem limites.

“Às vezes, o programa não enfatiza o talento, porque você só está realmente atuando quando perde. Existem muitos artistas maravilhosos de Drag Race, mas também existem alguns que parecem gastar mais tempo com sua maquiagem do que com suas performances. [Embora] a maquiagem seja um talento! Um que eu não tenho. Parece que aplico contorno com um tijolo”.

Drag Race provavelmente continuará por muitas outras temporadas. Recentemente, ele se expandiu para o Canadá e o Reino Unido, edição esta apresentado pelo próprio RuPaul, enquanto há outras versões rolando na Tailândia e no Chile há vários anos. Um versão da série com celebridades chegará em algum momento no próximo ano.

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RuPaul continua comprometida com Drag Race, mas está sempre ansiosa para expandir para um novo território. Ele não faz mais apresentações em boate, porque está ocupado com a televisão e porque a cena foi alterada para sempre pela tecnologia.

“Bem quando eu estava encerrando minha carreira de shows em boate, toda a revolução do telefone celular das pessoas filmando a coisa toda estava decolando e estragou tudo. Você não conseguiu nada da platéia. Costumava ser esse tipo de dar e receber, em que o público daria energia ao artista e o artista daria energia ao público. Era um dar e receber, uma festa de amor. Agora é apenas um lado, onde eles estão filmando você, e você olha para eles e pensa: que porra você está fazendo? Por que você não acorda, porra?”.

Em vez disso, RuPaul seguiu sua fome criativa para AJ and The Queen, uma comédia dramática ao estilo de “Priscilla, Rainha do Deserto” ou “Para Wong Foo, Obrigado por Tudo, Julie Newmar”, mas com uma menininha precoce interpretada pela estreante Izzy G. A idéia de incorporar um personagem jovem ao programa surgiu do reconhecimento de que, como diz RuPaul, o público emergente de Drag Race é “meninas brancas suburbanas de 13 anos”.

Mas este não é um show para crianças, na verdade, RuPaul insiste.

“Este programa não é sobre uma drag queen em um programa infantil. É sobre uma criança no show de uma drag queen. É ousado e tem alguns temas sombrios”.

Ele se emocionou com o desafio de interpretar uma pessoa plenamente realizada, removendo a maquiagem dos comentários sociais para descobrir uma verdade mais crua. Ele continua com uma risada irônica

“Era algo que eu estava ansioso para explorar. Para provar a mim mesmo que não estou morto por dentro. Eu provei para mim mesmo que era capaz de estimular essas emoções. É intoxicante”.

Ao assistir a um segmento de 15 minutos da série nos estúdios da Warner, sente-se essa ardência. A atuação é sólida e presente. É um choque agradável ver RuPaul tão acessível, expressando fragilidade e luto ao lado de sua majestosa familiaridade.

RuPaul vem trabalhando nesse sentido há algum tempo, tendo testado as águas de atuação em vários projetos, incluindo uma participação recente na série “Grace e Frankie” da Netflix. Jane Fonda falou sobre a experiência com RuPaul no set:

“Ele nunca tentou chamar a atenção. RuPaul, a glamurosa diva camp, sendo humilde e trabalhando em equipe? Isso eu não esperava… não passei muito tempo com ele, mas ele me fez amá-lo”.

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King, roteirista da série, diz que a experiência de trabalhar com RuPaul excedeu suas expectativas já altas.

“Eu nunca vi alguém mais determinado a não falhar. Mesmo falhando, ele continua seguindo em frente. A maioria dos atores ou tipos artísticos, se sentem que estão falhando, desmoronam e começam a se debater e a ficar mais pálidos, fracos e menos confiantes. Ru se mantém firme e continua, até chegar o mais próximo possível do alvo”.

Essa tenacidade valeu a pena, tanto para o show quanto internamente. RuPaul diz:

“Nossa humanidade, nossa risada, nosso senso de ironia. Moda. Tudo. Está tudo lá. Eu não poderia estar mais orgulhoso”.

King concorda.

“Depois que [Ru] viu o primeiro episódio, ele se virou para mim e disse: ‘Eu pensei que esse seria o programa em que eu me revelaria ao mundo. Acontece que é o show em que eu me revelo para mim’”.

Toda a conversa sobre a coragem e determinação de RuPaul nos faz pensar se, ou nos preocupar se, deve haver um ponto de ruptura em algum lugar – que ele está se colocando em risco, de alguma forma. O estilista Isaac Mizrahi, que disse que foi a primeira casa de moda a tocar “Supermodel” durante um desfile, me contou uma história dos velhos tempos, sobre RuPaul sendo atingido na cabeça por uma luz que caiu durante um ensaio de desfile e, depois de uma visita a um hospital parisiense, continuou o show como sempre.

“Ela literalmente voltou e fez o show com toda a força, peruca cheia. Ela fez esse show incrível. Eu pensei: que profissional”.

King teve uma história semelhante de problema físico no set de AJ and The Queen.

“Ele tinha que girar a peruca ao redor durante uma música e ele realmente se jogou na merda. Ele jogou a cabeça como uma garota de programa por, tipo, 12 tomadas. No dia seguinte, ele não conseguiu se levantar porque desalojou um de seus cristais da orelha interna”.

A solução não foi RuPaul tirar um dia de folga (“eu nunca deixei de trabalhar”, ele disse a King), mas em vez disso gravar uma cena sentada em vez de em pé.

De cima: Cena da série; RuPaul, Izzy G e o diretor Michael Patrick King; Izzy G e RuPaul recebem retoques no set de AJ an The Queen.

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Estou curioso para saber se RuPaul – que fala em termos tão esclarecidos e quase zen sobre estados de ser – fica com raiva. Ele diz que às vezes fica, no trânsito. Mas, mesmo assim, ele tenta transformar esse sentimento em um exercício de auto-reflexão.

“Eu tenho que reconhecer o que realmente é a minha raiva. Na verdade, não tem nada a ver com eles. Minha raiva tem a ver com minha própria frustração em torno, talvez do quão lento o mundo é ou do quão inconsciente o mundo é”.

E a política? Durante esse tempo fervoroso e horrível, certamente algo nesse reino deve ser impossível de se sair por coma. Parece que não.

“Eu tenho que ter cuidado com política, religião e todas essas coisas que deixam as pessoas com raiva de você. Quando dou dois passos para trás e percebo o que realmente está acontecendo, não se trata nem mesmo de questões [particulares]. É sobre inconsciência e incapacidade das pessoas de se verem de fora delas mesmas”.

Ao longo de nossa conversa, se as coisas começarem a ficar espinhosas ou pessoais demais, RuPaul se recupera e passa a filosofar de modo mais amplo, refletindo sobre a natureza de todos os nossos seres, e não especificamente sobre os seus. Ele repete anedotas encantadoras que já li e ouvi em outras entrevistas. Ele volta frequentemente a Matrix e ao Mágico de Oz, histórias de realidade alterada que são um toque em sua visão de mundo. Ele frequentemente evoca as “almas doces e sensíveis” do mundo, incluindo ele próprio, os artistas e pensadores livres mais sintonizados com a dor – e a beleza – da experiência humana. É fascinante ouvir, com alma e quase triste com uma sabedoria conquistada com muito esforço.

Ele também gosta de evocar os romances de Anne Rice, o filme Poltergeist, filmes de zumbis que falam da maneira desmotivada que muitos passam pela vida. RuPaul consegue encontrar mensagens positivas, ou pelo menos instrutivas, nessas coisas sombrias. Ele parece interpretar quase tudo dessa maneira, o mundo uma vasta e variada grade de sinais, símbolos e pistas neutras e benevolentes, com o objetivo de ajudar os envolvidos em seu caminho. Ele fala sobre ouvir as instruções de palco do universo, sobre segui-las. É difícil não se sentir uma criatura menor e mais baixa na presença dele. Mas RuPaul tem o cuidado de interromper essa conversa da nova era com piadas atrevidas e apartes, ativando um pouco da voz do Monstro para estimular o clima na sala. Esse tem sido seu trabalho complacente ao longo de sua carreira como Prometeu, levando fogo gay – com todo seu orgulho e insinuações – para as massas.

Pouco depois de conversarmos, RuPaul partiu para férias europeias de três semanas com seu marido, Georges LeBar, um fazendeiro de Wyoming (sim, sério), que RuPaul conheceu enquanto festejava na boate Limelight, há muito tempo, no Chelsea. O casal mantém uma privacidade protegida – de fato, muitas das pessoas com quem falei para essa matéria especial mencionaram como RuPaul é privado. Ele oferece, ao menos, os petiscos alegres que, quando viajam, o casal gosta de ver shows e ir às compras, e ficar em hotéis chiques – feliz e, finalmente, desfrutando dos frutos de todo o seu duro trabalho. Eles compraram recentemente uma luxuosa mansão em Beverly Hills, por US$ 13,7 milhões. Eles também gostam de andar de helicóptero aonde quer que vão, algo a considerar na próxima vez que você estiver flertando em Paris ou ofegante no Grand Canyon e ouvir um helicóptero zunindo no alto. Poderia ser RuPaul, olhando para o nosso planeta com aquele olhar sempre avaliador dele.

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Depois de todo o trabalho de descompactar e analisar sua realidade, RuPaul ainda não tem certeza de que o que está vendo é, bem, real. Ele é um fã do falecido filósofo britânico Alan Watts, que realizou experimentos imaginando a existência como uma série de sonhos, cada um diferente do anterior – devaneios completamente vividos que poderiam ser controláveis, lúcidos de certa forma, se você pudesse descobrir como. “Você pode projetar para si mesmo qual seria a vida mais encantadora”, sugeriu Watts em uma palestra. “Casos de amor, banquetes, garotas dançando. Viagens maravilhosas. Jardins. Música além da crença”. Essa noção, por razões talvez óbvias, fala profundamente a RuPaul, que diz empolgado no pequeno bangalô:

“Estamos fazendo essas coisas aleatórias dos sonhos. Desta vez, sou esse gay, negro, um americano, que escolhe fazer drag e fazer disso uma febre doméstica, seja lá o que for, [um] fenômeno. E eu estou caindo de cabeça. É divertido”.

Se a vida não passa de uma série de sonhos divertidos e evitáveis, imagino qual RuPaul gostaria de ter em seguida. Ele olha para o teto e suspira, um ícone consciente considerando as consciências futuras. Ele conclui calmamente:

“Eu não sei. Eu gostaria que fosse interessante”.

Matéria especial da revista Vanity Fair escrita por Richard Lawson.

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Destaques

Gay Times elege Pabllo Vittar “Drag Hero” 2019

Gay Times elege nossa Pabllo Vittar a “Drag Heroína” de 2019, que s emociona ao receber o prêmio: “No Brasil não é fácil, mas eu sigo caminhando!”

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Na noite de quinta-feira (21 de novembro), a renomada artista de drag apareceu na cerimônia GAY TIMES Honours 500, que homenageia pessoas LGBTs e seus aliados que tiveram um impacto profundo na comunidade nos últimos 12 meses.

Em um país que tem um presidente abertamente homofóbico e a maior taxa de homicídios registrada de pessoas LGBTQ no mundo, Pabllo Vittar permanece como um farol de esperança para a comunidade gay do Brasil. Através de muito trabalho e determinação, ela é a drag queen com maior número de seguidores nas mídias sociais do mundo, recebeu mais de um bilhão de visualizações no YouTube e tornou-se a primeiro artista de drag a ganhar um MTV Award no European Music Awards deste ano.

O sucesso de Pabllo como uma artista gay e de grande representatividade está movendo montanhas pela igualdade LGBTQ, mas ela está usando sua voz para o bem. Durante uma apresentação elétrica no Multishow Brazilian Music Awards de 2018, ela gritou “Ele Não”, um slogan viral e hashtag que foi usado para mostrar oposição ao líder anti-LGBTQ do Brasil, Jair Bolsonaro, e se apresentou em Paradas de Orgulho LGBT em todo o mundo, incluindo as épicas celebrações do 50º aniversário do Stonewall da cidade de Nova York no meio deste ano.

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Talvez o mais importante seja o fato de que o Pabllo é uma prova concreta do potencial principal das rainhas drag. Ela ganhou o respeito de muitos na indústria, incluindo o superprodutor Diplo e outras estrelas pop, como Anitta e Fergie. Ela lançou seu primeiro single em inglês, Flash Pose, este ano em parceria com Charli XCX. Pabllo preencheu a lacuna entre o drag, que historicamente tem sido uma forma de arte underground, e a música convencional. A rainha comentou sobre sua jornada:

“Não sei quantas vezes a resposta foi ‘não’; poderíamos ver a discriminação nos olhos deles. No Brasil, a arte drag sempre foi algo a ser mantido nas sombras de pequenas boates e não na grande mídia, então todo sim que recebíamos era uma vitória. E não sou só eu, havia muitos artistas LGBTQ que quebraram essa barreira, e agora estamos em todo lugar. Não vamos mais nos esconder nas sombras”.

Confira a seguir, Pabllo se emocionando ao receber o prêmio “Drag Hero”.

“No Brasil não é fácil, mas eu sigo caminhando!”

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SOBRE O GAY TIME HONOURS

GAY TIMES Honours foi estabelecido pela primeira vez em 2017 como uma cerimônia para reconhecer aqueles que causaram um impacto profundo nas pessoas LGBTQ nos últimos 12 meses. De pioneiros da comunidade a estrelas queer altamente visíveis, é um evento que reúne pessoas de toda a nossa comunidade para celebrar, elevar e inspirar.

Para marcar nossa 500ª edição mais recente como a publicação LGBTQ mais antiga da Europa, o evento deste ano é nomeado GAY TIMES Honors 500. É o maior evento da história recente da empresa, com mais de mil pessoas presentes no local com grandes performances de Pabllo Vittar, ALMA, L Devine, VINCINT, Little Gay Brother e DJ sets de Honey Dijon, Jodie Harsh e BBZ.

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Drag Queens

RuPaul fala sobre série “AJ And The Queen”

“Este programa não é sobre uma drag queen em um programa infantil. É sobre uma criança no show de uma drag queen”. Saiba o que esperar da nova série da Netflix com RuPaul.

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AJ and The Queen é uma comédia dramática ao estilo de “Priscilla, Rainha do Deserto” ou “Para Wong Foo, Obrigado por Tudo, Julie Newmar”, mas com uma menininha precoce interpretada pela estreante Izzy G. A idéia de incorporar um personagem jovem ao programa surgiu do reconhecimento de que, como diz RuPaul, o público emergente de Drag Race é “meninas brancas suburbanas de 13 anos”.

Mas este não é um show para crianças, na verdade, RuPaul insiste.

“Este programa não é sobre uma drag queen em um programa infantil. É sobre uma criança no show de uma drag queen. É ousado e tem alguns temas sombrios”.

Ele se emocionou com o desafio de interpretar uma pessoa plenamente realizada, removendo a maquiagem dos comentários sociais para descobrir uma verdade mais crua. Ele continua com uma risada irônica

“Era algo que eu estava ansioso para explorar. Para provar a mim mesmo que não estou morto por dentro. Eu provei para mim mesmo que era capaz de estimular essas emoções. É intoxicante”.

Ao assistir a um segmento de 15 minutos da série nos estúdios da Warner, sente-se essa ardência. A atuação é sólida e presente. É um choque agradável ver RuPaul tão acessível, expressando fragilidade e luto ao lado de sua majestosa familiaridade.

RuPaul vem trabalhando nesse sentido há algum tempo, tendo testado as águas de atuação em vários projetos, incluindo uma participação recente na série “Grace e Frankie” da Netflix. Jane Fonda falou sobre a experiência com RuPaul no set:

“Ele nunca tentou chamar a atenção. RuPaul, a glamurosa diva camp, sendo humilde e trabalhando em equipe? Isso eu não esperava… não passei muito tempo com ele, mas ele me fez amá-lo”.

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Michael Patrick King, roteirista da série, diz que a experiência de trabalhar com RuPaul excedeu suas expectativas já altas.

“Eu nunca vi alguém mais determinado a não falhar. Mesmo falhando, ele continua seguindo em frente. A maioria dos atores ou tipos artísticos, se sentem que estão falhando, desmoronam e começam a se debater e a ficar mais pálidos, fracos e menos confiantes. Ru se mantém firme e continua, até chegar o mais próximo possível do alvo”.

De cima: Cena da série; RuPaul, Izzy G e o diretor Michael Patrick King; Izzy G e RuPaul recebem retoques no set de AJ an The Queen.

Essa tenacidade valeu a pena, tanto para o show quanto internamente. RuPaul diz:

“Nossa humanidade, nossa risada, nosso senso de ironia. Moda. Tudo. Está tudo lá. Eu não poderia estar mais orgulhoso”.

King concorda.

“Depois que [Ru] viu o primeiro episódio, ele se virou para mim e disse: ‘Eu pensei que esse seria o programa em que eu me revelaria ao mundo. Acontece que é o show em que eu me revelo para mim’”.

Toda a conversa sobre a coragem e determinação de RuPaul nos faz pensar se, ou nos preocupar se, deve haver um ponto de ruptura em algum lugar – que ele está se colocando em risco, de alguma forma. O estilista Isaac Mizrahi, que disse que foi a primeira casa de moda a tocar “Supermodel” durante um desfile, me contou uma história dos velhos tempos, sobre RuPaul sendo atingido na cabeça por uma luz que caiu durante um ensaio de desfile e, depois de uma visita a um hospital parisiense, continuou o show como sempre.

“Ela literalmente voltou e fez o show com toda a força, peruca cheia. Ela fez esse show incrível. Eu pensei: que profissional”.

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King teve uma história semelhante de colapso físico no set de AJ and The Queen.

“Ele tinha que girar a peruca ao redor durante uma música e ele realmente se jogou na merda. Ele jogou a cabeça como uma garota de programa por, tipo, 12 tomadas. No dia seguinte, ele não conseguiu se levantar porque desalojou um de seus cristais da orelha interna”.

A solução não foi RuPaul tirar um dia de folga (“eu nunca deixei de trabalhar”, ele disse a King), mas em vez disso gravar uma cena sentada em vez de gravá-la em pé.

AJ And The Queen estréia em 10 de janeiro de 2020 na Netflix. Veja o primeiro teaser da série aqui.

Poster oficial de ‘AJ And The Queen”.

Trecho retirada da matéria especial de RuPaul para a Vanity Fair escrita por Richard Lawson, em breve será postada completa.

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