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Crítica

Precisamos valorizar nossas drag queens brasileiras

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Thalia Bombinha e Silvetty Montilla comentaram numa entrevista, em 2017, sobre a desvalorização das drags nacionais. Enquanto RuGirls vem ao Brasil com cachês enormes, e o show nem sempre é tão incrível, as queens daqui que são talentosíssimas fazem espetáculos impecáveis e não tem o merecido reconhecimento. (As duas comentam sobre isso a partir dos 4min58seg, vídeo completo aqui).


Sabemos que é caro trazer uma drag internacional para cá, que tem seus custos que não são baratos. E se tem uma empresa disposta a trazê-las e fãs dispostos a pagar pelos shows, nada mais normal que aproveitar.

Contudo é real a desvalorização das drags locais. Isso é algo que já comentamos aqui algumas vezes. Infelizmente a geração de fãs que consome arte drag por conta de Drag Race acredita que só o que aparece no reality é válido e adora lançar ódio as queens locais.

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Isso até nos impedia de postar mais conteúdo de drag nacional em nossas redes sociais, pois chovia e ainda chove ódio em forma shade nos comentários, com os “especialistas em drag” criticando maldosamente o trabalho das queens. Várias vezes postamos uma foto de alguma queen nacional desconhecida e apagamos minutos depois por conta da imensa negatividade nos comentários. Quando a iniciativa não partia da gente a própria drag que nos pedia para deletar a foto ou vídeo postado, chateada com o tratamento recebido.

Mas isso por aqui não rola mais, a Draglicious está cada vez mais comprometida em divulgar e enaltecer as incríveis drags brasileiras.

Somada a intolerância do fandom estão os produtores que contratam drags para seus eventos em troca de consumação. Como se maquiagem, roupa, peruca e salto alto fossem baratos. E aí as queens que não topam tais condições são descartadas por aquelas que topam, fazendo com que seus trabalhos continue sem o merecido reconhecimento e marginalizado.

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Esse tratamento que é dado às drags locais é vergonhoso e está enraizado na nossa cultura. E precisamos repensar isso e começar a agir diferente. RuPaul’s Drag Race é uma reality que adoramos, mas no fim do dia não passa de um programa de TV que visa audiência. Ele não dita o que é ou não drag. Então não podemos tomá-lo como única referência válida de arte.

Vejo muitos fãs pedindo por uma drag brasileira no show para mostrar ao mundo como nossas drags são maravilhosas, mas para quê depender de Drag Race para isso?

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Nós que devemos valorizar nossas queens antes de mais nada e podemos fazer isso de várias formas. Por exemplo, dando gorjetas a elas nos shows. Nós que adoramos adotar costumes americanos, poderíamos adotar este. Não importa o valor, o importante é criar o hábito. Pode ter certeza que se numa boate, pelo menos 50 pessoas derem dois reais cada para uma drag que está se apresentando, fará toda diferença no trabalho dela. Pois montação não é algo barato. Outra coisa é exigir que produtores paguem cachês justos as drags que comparecem aos seus eventos, afinal de contas consumação não é cachê é cortesia. E o mais importante é ser um fã respeitoso que celebra a arte das manas nacionais, sem compará-las as RuGirls ou distribuindo ódio e intolerância pelas redes.

Nossas queens são incríveis e já passou da hora de mostrarmos a elas toda nossa admiração e amor!

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Saullete é preto, gay e comunicólogo que criou a Draglicious com o intuito de compartilhar com outros fãs seu amor pela arte drag e por Drag Race. Além de informar e entreter seu público, Saullete levanta discussões relevantes para amantes da arte drag e para a comunidade LGBT.

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