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Crítica

A era de Aquaria

🕓 3 min de leitura

Se você se interessa minimamente pelo mundo drag além de RuPaul’s Drag Race provavelmente já conhecia Aquaria antes da décima temporada. Não só ela é filha drag da Sharon Needles, como também já era muito popular na mídia online. Mas enquanto seus looks absolutamente incríveis se destacavam nas fotografias, nós quase não sabíamos nada sobre sua personalidade, o que tornava muito fácil nosso pré-julgamento junto às suposições de como ela se sairia no programa.

No vídeo de introdução das competidoras da season 10, Aquaria se apresenta como uma “superstar com estilo versátil” e diz que “não define drag, drag é definido através dela” e, sinceramente, à primeira vista, eu admito que ela me deu um pouco de preguiça. Parecia metida, convencida, apenas bonita e eu cheguei a pensar que o programa poderia prejudicar a carreira que ela já tinha construído aqui fora.

Logo nos primeiros episódios, houve um drama forçado entre Aquaria e Miz Cracker pela semelhança física entre as duas. Depois, Aquaria fez um comentário que enfureceu The Vixen, e no Untucked as duas tiveram uma discussão que levou a um dos melhores debates da temporada: quando The Vixen explica como ocorre o racismo por parte dos fãs do programa (leia aqui). Daquele momento em diante, a Vixen passou a dividir opiniões com relação ao seu comportamento, mas a meu ver, a única forma de defesa que Vixen conhece é o ataque, e é uma pena que seu sentimento de rejeição por parte das outras queens tenha a afetado tanto no decorrer do programa a ponto de se sobressair mais do que a sua própria arte. Mas ainda falando da Aquaria, assim que ela ouviu o ponto de vista da The Vixen, ela entendeu, recuou e respeitou seu espaço. Tanto que a própria The Vixen deixou o programa falando que passou a gostar da Aquaria por ela também ser mal compreendida pelas outras participantes. E quando tudo foi ao ar, Aquaria imediatamente se manifestou nas redes sociais dizendo que não toleraria ódio contra The Vixen ou contra qualquer uma de suas “irmãs” de temporada (leia aqui).

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Deixando as tretas de lado, Aquaria focou no jogo. Seus looks de runway foram realmente impressionantes e criativos, seu desempenho nos desafios de atuação foi ótimo, e sua performance no Snatch Game foi surpreendentemente hilária. Ela tem um humor inteligente e uma super confiança que incomoda as outras, mas que é justamente o que a manteve forte na competição. A própria admitiu que encontra dificuldades pra se expressar sem aborrecer às demais, mas a todo o momento tentou se redimir por algo que disse ou ao menos criar uma atmosfera mais pacífica de convivência. E se à primeira vista, Aquaria me pareceu chata e estereotipada, ao longo do programa ela me conquistou por ser exatamente o oposto do que eu pensei que fosse, uma queen muito mais party city/weirdo kid do que showgirl. Dá pra entender seu “parentesco” com a Sharon. E é curioso observar que ela é da nova geração de drags que literalmente cresceu assistindo às temporadas, um reflexo da influência do programa sobre a evolução da arte ao longo dos últimos dez anos, além de se mostrar uma jovem bastante interessada em aprender sobre a cultura LGBT, usar as críticas a seu favor e absorver dicas das mais experientes.

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Não estou fazendo campanha pelo win da Aquaria, juro. Acredito que qualquer uma das finalistas merece ganhar e que essa temporada teve o melhor elenco de todos, mas se eu pudesse prever a próxima década de Drag Race, eu diria que caminhamos para a “era de Aquaria”, a era das drags influencers, filhas da primeira geração do programa e que ainda têm muito mais a nos mostrar além de um rostinho bonito e um look fashionista.

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