Foi ao ar mais um episódio de RuPaul’s Drag Race 18! Leia a seguir a resenha. Contém spoilers daqui em diante.
Voltaram as girl groups em RuPaul’s Drag Race! Como eu senti falta… mas talvez não exatamente dessa versão das girl groups, cheia de referências datadas que a maioria das garotas nem entende direito. Deixa eu explicar.
Na última temporada, o programa abandonou completamente os desafios de girl groups, e foi um erro. Todo mundo achou estranho. Nós gostamos de girl groups! Ver as rainhas se virando para montar um número reflete o que elas realmente fazem nos palcos, e as que são boas performers podem usar isso a seu favor. É o desafio que melhor reflete a capacidade de uma drag queen trabalhar em 2026.
Mas, por algum motivo, Drag Race estadunidense se recusa a deixar as garotas fazerem um girl group moderno. Sempre tem um twist antigo: doo-wop, velhinhas… O auge recente foi na temp 16, que simplesmente deixou as queens arrasarem. (Lembram da Nymphia destruindo tudo? Saudades.)
Em 2026, os girl groups estão enormes de novo – especialmente se for de K-pop. Então fiquei animado quando ouvi que fariam grupos “Q-pop”. Até que a RuPaul revelou que os gêneros das músicas eram todos pastiche dos anos 60-80. O problema não é as drags precisarem conhecer cultura pop antiga; o problema é o show se recusar a atualizar seu próprio repertório. Não dá pra fazer uma paródia de “Gnarly” que as garotas pudessem usar? Em vez disso, temos que ouvir críticas sobre a Mandy Mango não conseguir evocar o Sylvester direito. Bota essas girl groups no século XXI!
Ainda assim, foi um episódio sólido. Teve drama, egos feridos, e algumas rainhas se destacaram como performers, enquanto outras se destacaram como personagens. A principal do segundo grupo é Athena Dion, que descobrimos não ser uma “Sasha Colby”… não, não… ela é uma “Shannel”. Especificamente, uma Shannel da primeira temporada: uma drag clássica que fica totalmente azeda quando as coisas não saem do seu jeito. Em outras palavras, a caça treta perfeita para a TV.
O episódio começa com Ru anunciando o desafio: formar um grupo “Q-pop” e performar uma música em um de três gêneros – pop doo-wop (estilo Wham!), disco (estilo Sylvester) ou punk (estilo The Runaways). Ru deixa Nini Coco e Vita VonTesse Starr (as duas melhores da semana passada) escolherem os times. As quatro não escolhidas formam o grupo das “sobras”. Ficou assim:
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Time Nini: Nini, Mia Starr, Ciara Myst, Myki Meeks e Kenya Pleaser.
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Time Vita: Vita, Briar Blush, Juicy Love Dion, Discord Addams e Jane Don’t.
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Time das Sobras: Athena Dion, Darlene Mitchell, Mandy Mango e DD Fuego.
A Athena obviamente puta por não ser escolhida, e passa o episódio todo de cara amarrada (provando imediatamente que a Nini e a Vita estavam certas em não escolhê-la).
Na hora de escolher a música, todo mundo quer disco e ninguém quer punk – o que é obviamente um erro. Punk exige menos dança, é fácil de parodiar e visualmente interessante. Por que diabos essas queens querem disco? É o gênero favorito da Ru, e ela obviamente vai ser pedante com a interpretação delas. Athena e Vita discutem até que a Discord, que literalmente toca numa banda de rock, convence seu time de que punk é o caminho (ela está certa). E a Athena, que fica chamando a disco de “sua era”, fica com o gênero que queria.
Nada mais GOLD TV que assistir rainhas veteranas se atacando em horário nobre. Vita chamando Athena e seu grupo de “leftovers” (resto) me garantiu boas gargalhadas kkkkk Athena tá um vulcão em erupção com seu ego ferido kkkkk obrigado #DragRace pic.twitter.com/L20c3jzipP
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
Nas coreografias, o time pop da Nini, com a dançarina profissional Mia Starr, se sai bem. O time punk tem que lidar com a Discord, que não sabe se mexer, mas deixa a Juicy assumir a liderança. Já o time disco não tem liderança clara além de uma Athena irritada, e ainda carrega a Darlene, que é péssima em coreografia.
As gravações vocais com a Michelle vão bem para todos, exceto para a Nini, que perdeu a voz. É triste vê-la lutar, mas eu tinha certeza de que os jurados não a penalizariam por isso.
Nada mais GOLD TV que assistir rainhas veteranas se atacando em horário nobre. Vita chamando Athena e seu grupo de “leftovers” (resto) me garantiu boas gargalhadas kkkkk Athena tá um vulcão em erupção com seu ego ferido kkkkk obrigado #DragRace pic.twitter.com/L20c3jzipP
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As Performances
Time Disco
Não foram… boas. A Athena começa com o verso mais clichê possível de Drag Race. A coreografia que ela liderou é a mais básica imaginável. Darlene não dança, mas cria um personagem pateta completo e inclui uma nota alta no estilo Sylvester que a Ru ama. Ela sabe jogar o jogo. Mandy é hiperenergética, mas sem carisma. A DD não é ruim, só é sem graça.
Equipe Disco, o que acharam da performance? #DragRace
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
Time Pop (Doo-Wop)
Definitivamente melhor que o disco, mas não arrasaram, em parte porque a música é fraca. Mia Starr se sai melhor, transformando a música num track da Meghan Trainor. Performa bem, tem boa voz e musicalidade. Kenya se sai bem, com um verso fofo. Ciara Myst mergulha na vibe “inspiracional” nas letras, que eu achei um pouco irritante. Nini está na situação infeliz de não poder performar de acordo com sua gravação vocal. Merecidamente salva. Myki soa bem e se parece muito com a jurada convidada Dove Cameron. Impressionante para uma rainha de comédia.
Equipe Disco, o que acharam da performance? #DragRace
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
Time Punk
A grande vantagem delas é que o refrão da música não tem letras “inspiracionais” falsas. Em vez disso, todas podem ser vadias gostosas e fodas. Isso resulta num drag muito melhor. Discord tem muita sorte de estar no time punk, porque acho que ela teria ido pra casa em qualquer outro. Ela praticamente fica parada, com medo nos olhos. Vita tem um pouco do problema da Athena (musicalidade básica), mas compensa com uma performance de dar tudo de si. Briar me surpreende! Um dos destaques claros do grupo, com um visual sexy e divertido. Jane é ótima. Ela tem uma ideia clara: uma mulher possuída pelo demônio, alternando entre uma voz demoníaca e sua voz normal mais meiga. Muito engraçado, muito bem executado e totalmente inventivo. Vencedora clara. Juicy é ótima durante o número, mas o punk não é seu habitat natural.
Não entendi a cara de bunda das juradas, achei esse grupo bom. Música e coreografia bem divertidas #DragRacepic.twitter.com/eYDZSkFQRz
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
A Passarela (“Parte do Corpo Favorita”)
Athena mostra as costas com um vestido… sem costas! Clássico.
Darlene faz “pele” com um look trash de queimada de sol. Os peitos são hambúrgueres! Tem baratas no cabelo! Darlene é pra ficar de olho.
Mandy mostra o rosto indo como a mesinha de cabeceira da avó, com uma foto dela em cima. A base de mesa de madeira não funciona.
DD me fez rir saindo como uma nuvem com pernas… até ela se levantar e mostrar um macarrão rosa mal ajustado. Não foi ótimo!
Mia Starr usa um vestido que mostra pescoço, costas, ppk e bunda, com revelações embutidas. Engenhoso, mas não bonito.
Kenya mostra “tudo” em um bodystone. Entendo, mas… faz o desafio, mana.
Ciara faz seu melhor look até agora, destacando os olhos, com olhos na cabeça e nos seios. Ela parece a Carol Burnett!
Nini arrasa na passarela com um chapéu de cérebro impresso em 3D e um look rosa lindo. É a primeira vez que um look da Nini me impressiona assim. Parece que ela é realmente a rainha da passarela desta temporada.
Myki usa um macacão com uma placa de propaganda das pernas em cima. Totalmente ok para uma semana em que você está garantidamente safe.
Discord também usa um vestido sem costas. É uma miscelânea feia de preto e dourado. Ela continua andando como a Tina Belcher. Ela tem MUITA sorte que o time disco foi ruim esta semana.
Equipe Disco, o que acharam da performance? #DragRace
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
Vita mostra a bunda. É um macacão de couro preto com cintos que fica ótimo e, de fato, mostra a bunda. Mas gostaria de ver mais criatividade.
Briar usa uma roupa de viúva-negra que cobre tudo, com apenas um dedo para fora. Engraçado!
Jane mostra a boca com uma roupa estilo “Wendy Williams no Masked Singer”, com uma boca gigante vermelha. Impactante visualmente. Ela sabe causar impacto.
Juicy mostra a “perna esquerda” com um vestido que tem apenas uma perna de fora. Fofo, mas não de cair o queixo.
A categoria é Your Neck, Your Back, Your Pussy, and Your Crack. Quem merece TOOT ou BOOT? #DragRae
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Resultados
O time disco é colocado completo no bottom 2, enquanto Ru declara Jane e Mia as melhores. Faz sentido, e dá aos jurados a chance de expressar o quanto gostam da drag geral da Darlene e da Athena, mesmo enquanto as repreendem pelas performances no desafio.
No final, Jane vence o desafio, e Mandy e DD são as duas piores. Acho que está quase certo, se considerar o desempenho futuro, mas acho que a Athena foi a que mais errou esta semana.
A música do lip sync é “Too Much” da Dove Cameron, exatamente o tipo de pop genérico que toca em qualquer show drag numa terça-feira à noite nos EUA. Em outras palavras: uma lousa em branco e uma luta justa.
Mandy joga a mesa fora e faz uma performance nada notável, mas cheia de energia, com muitos truques, mas pouca musicalidade. DD só… anda. E assim, DD Fuego se torna a primeira eliminada! É decepcionante ver Nova York fora da competição tão cedo este ano, mas não posso discordar do resultado.
Dublagem ep2: Mandy Mango Vs DD Fuego. Quem merece shantay ou sashay?
Mandy me surpreendeu demais, depois que tirou o look ela serviu muito! #DragRace pic.twitter.com/RoyTlqxVKb
— draglicious.com.br (@dragliciouz) January 10, 2026
DESAQUENDANDO AS CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Untucked ninguém briga feio, e as garotas parecem em geral satisfeitas com os destaques desta semana. Juicy se preocupa com Athena. No geral, 22 minutos tranquilos.
Edição que amei: Antes do lip sync, as duas rainhas de comédia da temporada, Myki e Jane, descrevendo juntas as rainhas que vão se enfrentar. Muito engraçado!
Piada que amei: Quando as garotas perguntam quanto a Athena pagou pra DD dizer que é uma “team player” [jogadora de equipe], DD responde: “Uma viagem para Mykonos!”
Cantinho do Trauma de Maquiagem: DD fala sobre crescer em Monterrey, México, mas não chora. Discord fala sobre estar numa banda punk e defender direitos queer. Mais tarde, na passarela, Darlene chora por sentir falta de se apresentar como pessoa queer, sendo uma rainha de quarto após ficar sóbria. Jane e Darlene choraram na passarela recentemente. Acho que ambos foram completamente naturais e, ao mesmo tempo, rainhas empreendedoras seriam espertas em guardar as lágrimas para quando estiverem na frente da RuPaul, que adora vulnerabilidade.
Previsão de Top 4: Jane, Vita, Nini e uma wild card. Darlene?
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