Aquaria tem uma mensagem muito importante para o fandom de Drag Race

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Por volta de Abril, apenas três episódios da décima temporada de RuPaul’s Drag Race tinham ido ao ar, e eu sugeri que Aquaria, de Nova York, não precisava do programa para se tornar uma super estrela. Antes de entrar na competição, ela já havia estampado revistas internacionais e desfilado na London Fashion Week. Sua popularidade online rivalizava com a de rainhas que já haviam competido no show. O grande momento foi construído em torno de Aquaria por anos, e com ou sem o programa, ela estava prestes a se tornar algo verdadeiramente épico.

Mas para uma drag queen que quer levar sua carreira para o próximo nível, a única coisa melhor do que aparecer em Drag Race é vencê-lo. E Aquaria fez exatamente isso semana passada, quando arrasou em duas dublagens e acabou se revelando a nova America’s Drag Super Star. Dado seu histórico impecável durante toda a competição (três vitórias no desafio principal e nenhum bottom 2), você teria dificuldade em justificar o fato de que ela não é mais do que merecedora do título. Quero dizer, vamos lá agora – ela é uma fashion queen que venceu o Snatch Game! Como você pode argumentar com isso?

Depois de passar uma noite em Nova York celebrando sua coroação emocionante, conversamos com a mais nova vencedora de Drag Race na sexta-feira à tarde para falar sobre o que a diferencia das vencedoras do passado, por que sua briga contra The Vixen foi a cena mais difícil de reassistir (mas também a mais importante), e como as competidoras de Drag Race podem usar sua plataforma para resolver alguns dos problemas que vêm do fandom.

Michael: Oi Aquaria!

Aquaria: Olá Michael! Você está acordado? Você está vivo depois da noite passada?

M: Eu que deveria estar te perguntando isso! Eu queria saber como você conseguiu fazer entrevistas a manhã toda depois da noite que tivemos.

A: Bem, quando você tem uma coroa, um cetro frágil e um cheque de cem mil dólares que nunca vai ser usado, você tem um pouco de inspiração para fazer algumas ligações. Não há dia como o de hoje!

M: Você descobriu que ganhou a competição com o resto da América. Quais foram seus pensamentos quando você ouviu RuPaul dizer seu nome como a vencedora?

A: Foi muito surreal; a ficha ainda não caiu. Mas é algo que eu dediquei a minha vida inteira, eu acho – ou pelo menos a segunda metade da minha vida. Então, foi apenas uma validação de tudo o que tenho feito e confirmação de que todos os sacrifícios que fiz valeram a pena.

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M: Como você planeja usar sua plataforma como a America’s Next Drag Superstar?

A: Acredito que como líderes da comunidade queer, estamos em uma posição em que podemos encorajar mudanças, podemos levantar discussões, podemos manter diálogos vivos para, literalmente, qualquer coisa. Então, eu acho que será meu dever realmente sustentar o título e ser a líder e o farol de luz para as pessoas que eu represento, respeitando as drag queens do passado.

M: O que você acha que vai trazer para o Hall da Fama de Drag Race que seja diferente das últimas nove campeãs?

A: Bem, depois de um tempo, todas nós começamos a parecer iguais, certo? [risos] Não, eu acho que tenho uma abordagem diferente para algumas coisas, apenas tendo em conta o tipo de pessoa criativa que eu sou, seja arrasando na dublagem, dando uma olhada ou criando uma performance. Acho que vou continuar a fazer as coisas pelas quais as drag queens são conhecidas e aplaudidas. E embora possa parecer um pouco dramático, quero continuar a ultrapassar limites e expandir horizontes até onde as drag queens conseguem ir. Eu fui tão abençoada e sortuda com tudo em minha carreira drag, e me foram dadas tantas oportunidades. Há tantas coisas pelas quais sou grata e percebo isso agora, e quero tentar explorar esse lado. Se eu posso ser America’s Next Drag Superstar e fazer todas essas coisas malucas, o que mais podemos fazer? Vamos levá-la ao próximo nível. Vamos ficar loucas!

M: Quando eu entrevistei você antes do início da temporada, você disse que tinha muito a perder na competição, devido ao sucesso que você já tinha começado a conquistar fora dela. Depois de se ver na TV nos últimos três meses e meio, você está feliz com a maneira como foi mostrada?

A: Estou muito feliz! Foi uma longa e muito difícil jornada, que me tentou emocional e fisicamente. Eu sabia que havia luz no fim do túnel, mas também sabia que levaria algum tempo para chegar lá. Às vezes era difícil ver isso, então eu tinha que manter minha cabeça erguida e continuar avançando e lutando até o final. Assim que chegamos à final preliminar, eu sabia que era apenas uma questão de tempo e esforço para eu levar para casa a coroa. E se você vai fazer um trabalho, não faça meia-boca. Eu não estava planejando deixar este programa de mãos vazias. Foi muito gratificante ter uma experiência realmente completa, porque gosto de ser minuciosa e completa e detalhada. Estar em frente às câmeras a partir do segundo que entrei até ser a última bitch saindo é simplesmente incrível.

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M: Qual foi o momento mais difícil para você reassistir?

A: Definitivamente minhas brigas e conversas com The Vixen no Untucked. Eu meio que interpretei-a mal desde o começo e isso me fez sentir muito mal em relação a ela, e então, obviamente, a maneira como eu respondi àquilo só piorou as coisas, e isso se tornou todo essa cena que não era para ser. Mas eu acho que como alguém que é muito compreensiva e apta a ouvir, crescer e receber críticas, foi uma situação realmente impactante, onde aprendi muito mais sobre mim mesma e como me comunicar melhor. Eu aprendi quais eram meus erros, e foi algo me me fez amadurecer desde então. Agora, é um excelente ponto de partida para eu referenciar quando estou aprendendo em outras situações também. Às vezes você precisa desse catalisador para ver algo, e eu acho que foi um momento de “acorda, vadia!”. (Leia mais aqui)

M: Qual foi o seu momento de maior orgulho da temporada?

A: Vencer todos os desafios foi ótimo, mas vencer o Snatch Game foi fabuloso. Eu sabia que fiz bem durante a gravação, mas você nunca sabe quem é o vencedor até que informem. Eu só lembro de ter ganhado isso e pensando em como seria legal para meus amigos assistirem isso em casa, e como todos ficariam orgulhosos com essa vitória específica. Se esse desafio realmente importa ou não no final, bem… importa sim. É verdadeiramente o desafio número um! Se você quer afirmar sua posição e esfregar algo na cara de alguém, é este [desafio] que deve vencer para que eles entendam facilmente que você tem alguma coisa a mostrar.

M: Especialmente para você, já que a sua reputação foi toda sobre a sua estética. O Snatch Game é frequentemente ganho por alguém no extremo oposto do espectro.

A: Exatamente! O Snatch Game costuma enganar as garotas que não estão preparadas para ele. Mas eu estava mais do que preparada. Se eu não tivesse feito Melania Trump, eu tinha pelo menos duas outras ótimas opções. Eu acho que era algo que as pessoas não esperavam de mim, o que foi divertido porque eu meio que as surpreendi.

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M: Quais eram suas outras duas opções?

A: Bem, Mary, não posso divulgar isso agora. Você só precisa esperar e descobrir. Até o próximo Snatch Game!

M: Que mensagem você tem para o fandom de Drag Race, e o que você gostaria de ver mudar nele?

A: Há muitas coisas que percebi que não vão mudar. Mas eu acho que em todos os aspectos – seja em termos de raça, tamanho, etc. – tem que haver um nível de entendimento e uma luta para não produzir tanto ódio. Todos nós vemos o que todos postam e muito disso é realmente podre e nojento. O fato de as pessoas receberem esses comentários terríveis é simplesmente … Tipo, não importa, mas acontece, porque permitir que as pessoas comentem essas coisas terríveis leva as pessoas a acreditarem que esse tipo de comportamento está correto. Eu acho que especialmente as pessoas mais jovens do fandom não entendem o que significa ser humano e o que significa ter humanidade. A maneira como eles tratam algumas dessas garotas é simplesmente repugnante.

Minha mensagem para meus fãs mais jovens é: nem tente essa merda, porque não é assim que os humanos agem e isso não é sociedade, e não é assim que devemos ser como pessoas nesta Terra. E para os meus fãs mais velhos que estão fazendo a mesma coisa: em que parte da sua vida você não teve um momento de aprendizado em que entendeu que essa besteira não está correta? Acho que, como drags no programa, precisamos denunciar vocalmente esse comportamento, porque, se não falarmos contra esse tipo de declaração e esse tipo de assédio, estamos sendo cúmplices. Se você não está vocalmente tentando parar a energia negativa com a qual esse fandom está envolvido, então você está sendo uma rainha cúmplice – e isso é um desperdício de espaço e tempo, especialmente quando nos é dada uma plataforma tão grande. Use sua voz e se faça ouvir.

Entrevista cedida a Michael Cuby para a Them. original aqui.

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